9 DICAS PARA ENTUBAR

Uma vez Andy Irons disse que entubar é como ser “beijado por Deus”. Você pode até discordar por não acreditar em religião, mas no surf o tubo, com certeza, está entre as coisas divinas. 

Nos oito anos de Surfar, já publicamos 30 capas de tubos e centenas de páginas, onde os professores desta edição se destacaram junto aos principais tube riders do Brasil. Gabriel Pastori começa a “aula” com cinco dicas indispensáveis, e Eric de Souza completa com mais quatro passos essenciais para prolongar os seus tubos de backside. 

Por Luís Fillipe Rebel. Fotos: Pedro Tojal. 

“Dedico quase 100% da minha vida a pegar tubos e isso alimenta a minha alma. Um momento dentro do tubo vai além das coisas materiais. Viver disso, para mim, é um privilégio.”- Gabriel Pastori.

1 – Foco na Remada

Como a onda tubular é mais buraco e muitas vezes rápida, a entrada é crucial para o melhor aproveitamento do tubo. Já vi e continuo vendo muita gente perder o tubo porque não remou no lugar certo e, principalmente, porque não deu aquele “gás” na remada para poder entrar no tempo certo e se posicionar bem.  Entrar atrasado dificulta todo o trabalho de botar para dentro e fazer a prancha andar.
 
 
 
Com a remada em dia, Pastori consegue ter tempo para se posicionar tranquilo antes do tubo rodar.

2 – Pranchas menores com quatro quilhas

Há alguns anos que eu só uso quadriquilha em condições tubulares. Depois de muito tempo de trabalho com meu shaper Joca Secco, desenvolvemos uma prancha com medidas menores que me permite ter mobilidade dentro do tubo para fazê-la correr, mas que ao mesmo tempo tem projeção e segurança devido às quatro quilhas.
 
 
 
Estabilidade e impulsão para acelerar forte e completar as difíceis ondas do Grower.
 
Eu, particularmente, não uso esse sistema de quads para manobrar, mas para tubo é a melhor coisa do mundo. Me sinto muito seguro para fazer as cavadas, mesmo em ondas maiores. Além disso, quando você está bem “deep” no tubo e o foam ball pega a sua rabeta, a quadriquilha ajuda a manter a estabilidade e te dá projeção para sair da espuma.
 

3 – Treinar nas fechadeiras

Como a gente mora no Brasil, não é sempre que as condições estão boas para treinar nos tubos. Sempre aconselho meus amigos a ter uma prancha mais velhinha para botar para dentro nas fechadeiras tubulares.
Os treinos nas fechadeiras possibilitam Pastori a entubar relaxado em ondas pesadas, como a de El Gringo, Chile.
 
Isso porque boa parte do que você tem que treinar acontece antes da saída do tubo. A entrada, o drop, a colocada para dentro, a atrasada ou a passada por dentro… Tudo isso rola antes de você sair e pode muito bem ser aprimorado nas fechadeiras.
 

4 – Atrasar no tubo

De frontside com certeza a melhor opção é usar a mão na parede da onda para frear. Tem gente que usa as duas, mas neste caso é preciso um pouco mais de prática para o corpo não girar muito para dentro e você acabar caindo da prancha.
Mão na parede para ficar bem deep.
 
Eu normalmente uso só uma e quase sempre com a mão fechada, mas este detalhe é uma característica minha. Se por acaso você não estiver conseguindo atrasar com a mão aberta, experimente com a mão fechada.
 

5 – Base para frente e joelho de trás para dentro

Se você assistir os melhores tube riders do mundo, vai perceber rapidamente que a grande maioria deles anda mais para frente da prancha quando estão entubando. Com o peso no meio, a prancha anda mais e você corre menos risco de não sair do tubo.

Além disso, o ideal é que o joelho de trás fique flexionado para dentro. Dessa maneira, o seu centro de gravidade fica baixo e, consequentemente, é mais difícil de você cair caso aconteça alguma turbulência.
Pastori se preocupa com cada detalhe para ter uma técnica bastante apurada.
 

6 – Leitura de onda

Ler a onda antes do drop é essencial para você saber o que irá fazer, e isso só se conquista com tempo de prática. Com uma boa leitura, você saberá se precisa dropar já freando a prancha, acelerando, atrás do pico, etc.

Após o drop, olho no lip! Você precisa saber a linha que irá fazer e isso depende muito da onda. Sempre procuro focar no lip para saber o que ele está fazendo. Se continuará largo, se vai cair um pouco mais estreito… A partir do lip, você consegue basear a linha que será feita. 
 
Olho no lip para não ser pego de surpresa pela onda.
 

7 – Deslizar o corpo

A técnica mais eficiente para atrasar de backside no tubo é deslizar o corpo na água utilizando principalmente a coxa, a parte lateral da bunda e o antebraço. Mas você vê que caras que pegam muito de backside, como Andy e Bruce Irons, utilizam até a costela e se “esparramam” todo na onda para reduzir a velocidade e se alinhar na onda. Certamente é mais difícil de entubar do que de “front”, mas, quando se está com uma técnica boa, você consegue ir muito deep no tubo por ficar mais estável de grab rail.

“De backside acho muito ineficiente tentar atrasar com as mãos”, disse Pastori, que ainda completou: “De fato esse movimento de utilizar a coxa da perna da frente é mais difícil e requer bastante treinamento. Mas depois que você aprende, percebe que é muito eficiente, além de ficar bem mais bonito visualmente.”
 
 
 

Coxa, bunda, antebraço, costela… Tudo isso pode te ajudar a atrasar quando estiver de costas para a onda.

8 – “Bump” com a borda

Normalmente eu utilizo muito a borda que estou segurando como ferramenta para ganhar velocidade. Você precisa levantar ela para o high line e depois abaixar seguidas vezes para ir mais rápido.

O ideal é dropar deep, acompanhar a onda de olho no lip e, quando ela for fechar, você começa a dar esse “bump” com a mão para ganhar velocidade e sair rápido do tubo.

A mão que está na borda pode te ajudar a acelerar de backside. 

 

9 – Dog door

Muitas vezes a onda não vai proporcionar uma saída pela “boca” do tubo. No caso das fechadeiras, pode ser necessário usar o “dog door”. No momento em que a onda vai fechar, o surfista precisa encontrar uma saída por baixo do lip para conseguir completar o tubo.

Nas fechadeiras do Rio de Janeiro, muitas vezes a saída terá que ser pelo “dog door”.

Você precisa sair com a intensidade de um cutback para colocar em direção ao lado oposto que está indo.
“O controle de utilizar o corpo tirando e colocando ele na água, aliado ao bump com a borda e a leitura de saber fazer isso na hora certa, te fará aproveitar seus tubos do início ao fim.” – Eric de Souza.

O lugar onde todo surfista quer estar.