A GRANDE FAMÍLIA DO SURF

O privilégio de viajar na companhia dos amigos e da família é o sonho de muitos surfistas, certo? Agora, imagina reunir os mais chegados numa ilha do outro lado do mundo, com altas ondas e natureza exuberante. A última surf trip da Associação de Surf da Galera para as Maldivas foi nesse esquema: entes queridos, muito surf e cervejinha no fim de tarde.  

Por Betinho Dias.
Fotos: Sergio Oliveira.

A ilha de Dhonveli vista de cima, um paraíso!

Diante da correria do dia a dia, causada por um cotidiano comprometido pelo trabalho e por outros compromissos, fica cada vez mais difícil encontrar os amigos com certa frequência.  Mas a ASG, Associação de Surf da Galera, é a prova de que para toda regra há exceção. Tudo começou há 17 anos quando um grupo de surfistas cariocas resolveu organizar um circuito de campeonatos de surf. O propósito era simples: promover encontros pelas praias da região. Mais que competir, a ideia era confraternizar e festejar, inicialmente com suas gatas, e hoje, algum tempo depois, com suas famílias.

Só o fato do grupo realizar reuniões com o pretexto de campeonatos regularmente há quase 20 anos já seria uma vitória memorável. Mas eles foram além, 30 associados mais acompanhantes, num total de 51 pessoas, realizaram uma viagem para as Maldivas com intuito de promover uma etapa da ASG no exterior. O pico escolhido e surfado com exclusividade pela galera foi Pasta Point, localizado ao lado do Resort Chaaya Island Dhonveli, e o clima da trip não poderia ter sido melhor. “Ondas iguais as desenhadas nos cadernos da escola, água quente e transparente, sensação de estar num aquário a cada golfinho. No outside, só amigos de muitos anos surfando ao som de Dire Straits e Australian Crawl e as famílias se divertindo no deck do bar em frente ao pico. Isso é um sonho?”, se questionou o engenheiro Paulo Henrique Guimarães, deslumbrado com a experiência vivenciada.

“No outside, só amigos de muitos anos surfando ao som de Dire Straits e Australian Crawl e as famílias se divertindo no deck do bar em frente ao pico. Isso é um sonho?” – Paulo Henrique Guimarães, engenheiro

Os locais dizem que a onda de Pasta é “mecânica”. Betinho treinando

A ESCOLHA DO PICO: ESQUERDA DE PASTA POINT 

Uma viagem dessas proporções, envolvendo tantas pessoas para um local tão distante e com custos nada baratos, não se programa da noite para o dia. Apesar do surf estar no sangue do grupo e ser um forte elo que une essa galera, cada componente possui as suas peculiaridades e, até por isso, muitos pontos precisavam ser ajustados para que a viagem agradasse a todos. Foram dois anos de muita expectativa até a realização do sonho. Eles precisavam de uma onda perfeita, sem crowd e, de preferência, que pudesse ser exclusiva, somente deles. As opções eram poucas. Como exclusividade e perfeição da onda eram requisitos essenciais para a realização das baterias, Pasta Point no exclusivo Resort Chaaya Island Dhonveli, nas Maldivas, acabou sendo a sede escolhida pela maioria. O grupo pôde planejar bem o orçamento, tarefa trabalhosa, já que, além dos 30 surfistas-membros, muitos ainda levariam suas esposas e filhos. Essa famosa esquerda de Pasta Point provou ser uma ótima escolha, pois é uma das melhores ondas das Maldivas, tem água quente e transparente, e quebra sobre uma bancada de coral perfeita, bem em frente ao bar do Resort. Um verdadeiro parque de diversões!

 “O grupo de crianças ficou tão à vontade e tão bem entrosado que quase não via meus filhos o dia inteiro! Apenas nos encontrávamos nas horas das refeições.” – Uma das mães da trip

O grupo, formado por surfistas, esposas não-surfistas, mais as crianças, chegou a um total de 51 pessoas! Uma turma bastante eclética, com surfistas piloto de avião, médico, advogado, designer, empresário, DJ, hoteleiro, chef de cozinha e por aí vai. A escolha do Resort também levou em conta as mulheres e crianças. A ilha do hotel tinha uma piscina de água doce, uma baía que era uma imensa piscina natural de água salgada, com areia branca e mar sempre calmo e transparente, cheio de peixes e corais coloridos. Além disso, também tinha quadras de tênis, futebol e basquete, um centro de mergulho e pesca, um spa com massagistas importadas diretamente de Bali e mais de um restaurante com menu variado, comida gostosa e um staff muito simpático. “O grupo de crianças ficou tão à vontade e tão bem entrosado que quase não via meus filhos o dia inteiro! Apenas nos encontrávamos nas horas das refeições”, comentou uma das mães. À noite, a diversão continuava, com eventos culturais, apresentações de músicos locais, DJs, atendendo assim a todo o tipo de turista. Vale ressaltar ainda a competência e cordialidade dos guias de surf locais e dos funcionários do Resort.

A onda de Pasta Point vista do restaurante.

O PLANEJAMENTO: DOIS ANOS DE ESPERA

O planejamento completo da viagem, desde a parte aérea até a terrestre, foi impecável! Apesar da experiência do grupo que já vinha realizando campeonatos há vários anos pelo litoral carioca sem grandes dificuldades, a etapa das Maldivas seria a primeira internacional. Para tanto, foi desenvolvida uma logomarca, em cima da qual foi feita uma produção especial de bonés, camisetas, camisas dry-fits e de lycra, medalhas e troféus feitos artesanalmente com materiais orgânicos.

“Desde que começamos a organizar a viagem, eu sabia que ela será especial, única. Amigos de longa data, ondas world-class com exclusividade, natureza abundante e cultura exótica. Tudo isso em uma ilha paradisíaca no Oceano Índico.” – Betinho Dang, empresário

Fernando ‘Birigui’, local de Ipanema, rasgando forte com a capital de Male ao fundo.

Várias reuniões foram realizadas durante os dois anos de planejamento que antecederam a viagem, para a tomada de decisões democráticas e esclarecimento de dúvidas. Naturalmente, formaram-se “grupos-tarefa” para a divisão do trabalho: o time da galera da Arte, o da Produção, o da Logística, etc. De última hora, a galera resolveu ainda contratar um fotógrafo de surf profissional para registrar os melhores momentos (e ondas). E foi assim que mais um amigo, o Serginho Oliveira, se juntou ao grupo. No final das contas foi uma decisão muito boa, pois voltaram com um acervo de mais de 32 mil fotos, de dentro e de fora d’água. Sem dúvida, um ótimo investimento! Outra boa decisão foi que, ao invés de apenas uma etapa, eles aproveitariam e fariam logo um circuito, com três etapas diferentes, batizado assim de “Tríplice Coroa das Maldivas”. Até o sorteio das baterias eliminatórias foi feito meses antes do embarque durante algumas dessas reuniões ainda em terras “brasilis”. Essas reuniões só faziam aumentar a fissura da galera para que chegasse logo a hora da trip!

A TRÍPLICE COROA: ART IN SURF

Ao todo foram três etapas de surf realizadas em Pasta Point,  sendo as duas primeiras surfadas com pranchas tradicionais. Os destaques foram os atletas Fernando Martins, Jonas Rocha e Pedro Peixoto, que ficaram muito à vontade nas esquerdas de Pasta. A terceira e decisiva etapa foi realizada com pranchas de surf Fish e Mini-Simmons cedidas pela a Art In Surf, um dos patrocinadores da ASG. Já nessa etapa, os critérios foram diferentes, ganhava quem fosse o mais criativo nas ondas, e os que se destacaram foram Beto Martins e Betinho Dang.

“Quando soube que seríamos 30 surfistas dividindo a mesma bancada por 10 dias, confesso que me preparei para os clássicos desentendimentos no pico. Parecia inevitável! Hoje, já de volta, não me recordo de nenhum momento, dentro ou fora d’água, que não tenha sido de pura alegria, respeito e amizade. Grupo nota 1000!” – Bernardo Gurgel, empresário

Além dos premiados em cada etapa, rolaram baterias homem a homem chamadas de “The Clash”, onde foi um luxo a mais poder surfar Pasta Point com apenas mais um amigo dentro d’água. Também foram premiados os surfistas mais jovens com o prêmio revelação. No evento de encerramento, um grande luau na praia, com churrasco, cerveja e música, onde foi feita a premiação da Tríplice Coroa. O presidente da ASG, o Tola, carinhosamente apelidado de ‘Cartola’, recebeu o mais almejado troféu: o “La Carioca Cevicheria & Artesanal Produtos Naturais Fair Play”, que foi votado por toda a galera, inclusive mulheres e crianças, e concedido para o cara mais gente boa, o mais “fair” dentro e fora d’água.

Somaglino batendo forte em uma direita em Cokes.

JÁ BATEU SAUDADE

No final, o saldo da viagem foi super positivo, com surfistas amigos, esposas e crianças tão felizes que, mal partiram da ilha, já estavam planejando a volta para mais um campeonato internacional da ASG em 2017. “Quero começar agradecendo à família ASG por me integrar nesse time de cascas-grossas do surf e da vida. Com a viagem às Maldivas, refiz contato com antigos amigos, conheci novos e suas famílias, pessoas do bem que me acolheram como a um irmão. Pude reativar minha paixão pelo surf deixada para trás há tantos anos. Altas ondas todos os dias, astral nota 1000 e um clima de harmonia e amizade em todos os minutos”, contou  o  chef de cozinha Daniel Pinho.

Pedro Peixoto derrapando com estilo em Pasta.

“Com a viagem às Maldivas, refiz contato com antigos amigos, conheci novos e suas famílias, pessoas do bem que me acolheram como a um irmão. Pude reativar minha paixão pelo surf deixada para trás há tantos anos.” – Daniel Pinho

E Tola, fundador da ASG e um dos sócios da produtora 6D, finalizou:  “Melhor do que imaginávamos! Passamos dois anos planejando e organizando a viagem. Claro que a expectativa na hora do embarque era enorme. Porém, a trip superou qualquer expectativa prévia, cada dia da viagem foi melhor do que o anterior. E não estou falando apenas de ondas, mas do astral da galera, do hotel, do staff, dos campeonatos… Tudo foi evoluindo para tornar a viagem inesquecível!”