A INVASÃO DOS DRONES


Q
uem nunca imaginou ter sua onda filmada de um ângulo diferente da tradicional filmagem da areia? Hoje isso se tornou uma realidade e vem ganhando força com a “invasão” dos drones no mercado audiovisual. Esses “robôs” voadores estão conquistando cada vez mais espaço no surf mundial, seja numa simples sessão de free surf entre amigos, ou em etapas do circuito mundial para as filmagens ao vivo.
Os drones são todas ou qualquer tipo de aeronave que não seja tripulada, mas comandada por seres humanos à distância. Fomos atrás de alguns filmmakers que estão utilizando os drones para saber pouco mais sobre essa inovação no cenário do surf. (Em destaque: Waimea. Imagem: Eric Sterman)
Por Patrick Villaça

Eric Sterman

Eric Sterman é um dos videomakers de drones mais respeitados e cobiçados no mercado do surf. Trabalhava como garçom no Hawaii e nas horas vagas editava vídeos para seus amigos até investir no seu primeiro drone  2013. 

Seu trabalho vem sendo referência para profissionais de todo o mundo. Na etapa de Fiji, Sterman foi responsável pelas imagens aéreas durante a transmissão da WSL.  

Como surgiu seu interesse em drones?

Meu interesse em usar drones para filmar começou em uma viagem para Bali, Indonésia. Enquanto eu estava lá, vi um drone construído no início de 2013. Aí, quando cheguei em casa, no Hawaii, comecei a pesquisar sobre eles e comprei meu primeiro drone.

Teahupoo.

E o que te levou a usar drones para a produção de vídeos/imagens?

Continuei fazendo o que sempre fiz, filmando meus amigos surfando e editando os meus próprios vídeos apenas por diversão. A inspiração de filmar de uma forma diferente me levou a inovar. 

Você foi um dos primeiros a produzir conteúdo de surf com drones no mundo. Por que investiu nisso?

Eu vi uma oportunidade e pulei sobre ela. Surf sempre foi minha vida, então, porque não começar por aí. Na época, eu estava trabalhando em um restaurante como garçom, trabalhei duro e investi no meu primeiro drone, o que me levou a ter mais oportunidades.

O que os drones trazem de benefício e de diferente para as filmagens de surf?

Simples. Eles trazem uma nova perspectiva para o surf, permitindo obter uma visão aérea como se fosse uma imagem a partir do olho de uma ave, além de pode filmar em qualquer ângulo do ar.

E quais as maiores dificuldades para começar a filmar com drone?

O mesmo para se tornar um cameraman, você precisa de dinheiro. Além disso, também precisa ser bom em jogos de videogame (risos)!


 “Estou amarradão com os cinegrafistas que estão se espelhando no meu trabalho, apenas significa que estou fazendo algo certo ou que tenho inspirado alguém para se tornar um filmmaker.


As imagens aéreas costumam chamar bastante atenção dos espectadores. O que mais te motiva para produzir conteúdo com drones?

Não faço só conteúdo com drone, mas é uma parte principal nos meus vídeos que produzo. Eu continuo produzindo vídeos para inspirar os outros e usando a minha criatividade.

Você é um dos principais filmmakers especializado em imagens aéreas do mundo. O que sente com tantos cinegrafistas se espelhando no seu trabalho mesmo sendo tão novo?

Estou sempre pesquisando o que há de novo no mercado de drones, especialmente as tecnologias mais fáceis que estão surgindo. Antes você tinha que fazer pesquisa e construir o seu drone, mas agora pode comprar o melhor já pronto para voar. Estou amarradão com os cinegrafistas que estão se espelhando no meu trabalho, apenas significa que estou fazendo algo certo ou que tenho inspirado alguém para se tornar um filmmaker.


“Acho que o melhor vídeo que já produzi foi com o Jamie O’Brien segurando um drone em sua mão enquanto pegava um tubo imenso em Teahupoo. E, depois, controlei o drone para longe quando ele saiu do tubo.”


E qual foi o melhor vídeo ou foto de drone que você já fez?

Acho que o melhor vídeo que já produzi foi com o Jamie O’Brien segurando um drone em sua mão enquanto pegava um tubo imenso em Teahupoo. E, depois, controlei o drone para longe quando ele saiu do tubo. Se eu tivesse que escolher outra coisa, seria o que estou filmando em Fiji no momento para WSL.

 Pedro Tojal

Pedro Tojal fez a carreira como fotógrafo aquático viajando pelo mundo para colher imagens de ondas tubulares.  Ao seu lado sua parceira e namorada, a videomaker Tatiana Araújo, que o acompanha em todas as trips com uma câmera de filmar. Desse “casamento” os dois abriram uma produtora e começaram a trabalhar no mercado audiovisual.

Em 2013, eles fizeram a produção do Prêmio Brasil-Hawaii para a Surfar e adquiriram um drone para usar nos programas. Daí adiante, Tojal não parou mais de usar a maquininha voadora.  

Hawaii.

Quais as primeiras imagens aéreas que você se lembra de ter visto? 

A primeira vez que eu vi filmagens aéreas de surf foi de Jaws, o clássico helicóptero amarelo fazendo imagens das sessions de tow in do Laird Hamilton. Mas eram caríssimas, cada hora daquele helicóptero custava em torno de 500 dólares. O havaiano Eric Sterman faz imagens incríveis, acho até que a primeira produção de surf feita por drone foi dele.

E quando começou a usá-los nas suas filmagens?

Foi em 2013 no Prêmio Brasil-Hawaii da Revista Surfar. Fizemos 12 programas semanais de 13 minutos que iam ao ar no canal Woohoo e no site da Surfar. O drone nos deu uma perspectiva diferente do que é o Hawaii, isso me ajudou muito a ter um diferencial nos programas. Por exemplo, se a água está clara, você consegue ver toda a bancada, cardumes de peixes, golfinhos, tubarão passando perto dos surfistas… São coisas que só são possíveis com as imagens aéreas dos drones, essa é a grande diferença. A única desvantagem é em relação ao tamanho da onda, pois acaba achatando um pouco ela. Mas o resultado é incrível.

Hawaii.

Você começou um pouco diferente dos outros. Conte como foi?

Como eu não tinha a telinha, pintei a parte de trás do drone para saber para onde a câmera estava apontando, para onde o drone estava indo, mas depois me acostumei. É perigoso filmar em cima da praia ou de multidões quando não se sabe pilotar muito bem. Inclusive há alguns equipamentos que não são muito confiáveis, podem machucar alguém e até matar dependendo de como atingir.


“As inovações são muitas, principalmente as câmeras acopladas no drone.  Nos primeiros drones tínhamos que colocar uma Go Pro ou uma câmera profissional, o que era um risco. Agora as câmeras…


O que mudou de três anos pra cá, quando você comprou o seu primeiro drone? 

As inovações são muitas, principalmente as câmeras acopladas no drone.  Nos primeiros drones tínhamos que colocar uma Go Pro ou uma câmera profissional, o que era um risco. Agora as câmeras já vêm integradas nos drones, filmam em slow motion, 4K. As câmeras também estão vindo com uma estabilidade muito boa, antes eram as imagens ficavam tremidas.

Hawaii.

Como você vê a entrada dessa nova tecnologia no mercado?

Os drones estão sendo bastante usados nas mídias digitais, em canais de televisão, inclusive nos veículos de surf, como na Revista Surfar Digital. O Eric Sterman vem produzindo diversas séries no Hawaii e no Tahiti somente com imagens aéreas. Essas máquinas estão cada vez mais ganhando espaço nos veículos.

Qual o lugar que você mais gosta de fazer imagens aéreas?

Na Indonésia, pois lá você consegue ver bem em uma imagem aérea um line up com três, quatro ondas quebrando na mesma ilha, como a água é muito clara, ver toda a bancada. A Indonésia é um lugar mágico para usar o drone.

Hawaii.

Gabriel Alho

O carioca Gabriel Alho é um daqueles profissionais que ama sua profissão. Toda vez que encontra com a equipe da Surfar nos eventos ou na praia, ele tem sempre uma ideia de pauta para a redação. 

Aos 12 anos de idade, durante uma trip ao México, ele resolveu pegar uma câmera e fazer imagens e, daí para frente, não parou mais. Em 2002, Gabriel comprou um equipamento de vídeo e passou a se dedicar totalmente para filmagens. 

Como foi que o drone entrou em seus trabalhos? 

Foi o diferencial que me levou até o drone, que para mim representa a liberdade, uma inovação no mundo do vídeo, das fotos, uma excelente maneira de exibir o que muita gente não pode ver.  Com ele, eu vou com os meus olhos sem sair do lugar. O meu primeiro drone foi um Phantom 2 em 2013, sempre com o foco nos esportes radicais e produções audiovisuais.

Grumari.

O que o drone trouxe de vantagens para você? 

O posicionamento que eles oferecem. O drone ainda acompanha a onda em diferentes ângulos, de frente, de costas, de cima, mostrando com simplicidade a vitalidade do surfista, o drop, os tubos e todas as outras manobras realizadas.

Grumari.

E quais as maiores dificuldades para começar a filmar com drone? 

O drone é um equipamento que precisa de muita dedicação, cuidado, técnica e prática. Depende ainda das técnicas de fotografia que a pessoa possui, do tempo, do sinal, dos lugares, já que tem local que é proibido. Às vezes prepara-se tudo para fazer a filmagem, chega o vento e impede a decolagem. Em outras situações, a questão é perder o sinal e, assim, o controle do equipamento.


“Para mim representa a liberdade, uma inovação no mundo do vídeo, das fotos, uma excelente maneira de exibir o que muita gente não pode ver.”


Que tipo de imagens aéreas você gosta de fazer?

Eu amo filmar! Sou bem flexível, mas registrar as belezas da natureza, um pôr do sol, o nascer do dia, a chegada da lua, a variedade dos pássaros, a cor das flores é sensacional. Filmar os esportistas, aqueles que buscam sempre energia no que fazem, também é demais!

Qual foi o melhor vídeo ou foto com drone que você já viu? 

Gosto de tantos que fica difícil de escolher, mas um feito em Pipeline me chama a atenção. Toda a majestade de Pipe em ângulos mágicos.

Barra da Tijuca.

E quais as novidades em projetos futuros? 

Atualmente eu filmo e dirijo a série Amplitud, onde registro o cotidiano do campeão mundial de longboard Phil Rajzman. Os demais projetos são voltados para a natureza e o registro dos esportes radicais.

Rio de Janeiro.

Marcelo Amaral 

Marcelo Amaral conseguiu conciliar as duas coisas que mais gosta de fazer: surfar e filmar. Empresário no ramo do comércio, ele montou a Ready 2 Fly Imagens Aéreas, que hoje virou seu principal negócio.

Marcelo foi o único a registrar de drone o backflip do Medina durante a etapa da Barra da Tijuca que “viralizou” nas redes sociais. 

Quais as maiores dificuldades para começar a filmar com o drone? 

Nunca tive dificuldade, sempre achei muito fácil pilotar. Na verdade, o mais difícil é voar sem GPS. Quando se tem o GPS, você pode largar o drone que ele fica parado, mas quando não, tem que ser tudo no manual e acaba ficando mais difícil controlar por causa do vento e dos obstáculos. Muita gente acaba perdendo o drone porque ele fica muito fácil de pilotar e a galera não sabe o básico. É fundamental fazer aulas de pilotagem com quem já tem experiência antes de começar a usar. Estou dando cursos de pilotagens de drone e já tenho 10 pilotos formados, alguns inclusive já trabalham em parceria comigo.

Gabriel Medina.

Como você começou a pilotar?

Comprei um drone e tentei voar sozinho, caí duas vezes com ele, então resolvi buscar um professor aqui no Rio de Janeiro. Pesquisei na internet e achei o Roberto Vilela, que trabalha há 20 anos no mercado. Foi muita sorte encontrá-lo. Hoje já estou há dois anos no mercado e nunca caí com o drone. Já me considero um bom piloto (risos)!

E o que te levou a usar drones para a produção de vídeos/imagens? 

Fiz uma trip para Nias na Indonésia  e no terceiro dia de viagem machuquei meu ombro e não pude mais surfar. Como eu já fazia algumas fotos e vídeos, resolvi comprar um drone para filmar, a partir daí, não parei mais.

Fernando de Noronha.


“Muita gente acaba perdendo o drone porque ele fica muito fácil de pilotar e a galera não sabe o básico. É fundamental fazer aulas de pilotagem com quem já tem experiência antes de começar a usar.”


Quais os cuidados tem que se ter com o equipamento?

O que eu mais prezo é a manutenção preventiva do drone, sempre verifico se caiu água salgada e cuido bastante dele. É essencial fazer essa manutenção preventiva para evitar que o equipamento dê defeitos.

Laje do Gardenal.

Quais as novas tecnologias e novidades que estão surgindo?

Agora tem o drone Phantom 4, inclusive é o que eu estou usando no momento. Muitos dizem que ele voa sozinho e não tem perigo de cair ou perder por detectar obstáculos e ser mais estável. Só que cai sim, ele detecta obstáculos, mas não todos e acaba não desviando de tudo, como,  por exemplo, fios e redes elétricas. Eu não confio no modo autônomo, prefiro pilotar no manual do que a máquina voar sozinho, pois já  tenho noção dos obstáculos.

Na sua opinião, quais principais vantagens do surgimento dessas máquinas?

São os ângulos inusitados e diferentes. Eu consigo fazer imagens de vários ângulos que não são possíveis da areia, posso variar as imagens filmando de cima da onda, de frente para o surfista ou por trás. Eu consigo brincar com os ângulos (risos)!

 André Portugal

André Portugal começou como fotógrafo de surf, viajava para produzir matérias e vendia para as principais revistas de surf. Entre uma foto e outra, fazia algumas filmagens e editava para ganhar experiência.

Foi quando há três anos surgiu uma vaga para trabalhar com edição de vídeos na produtora do Grupo Sal. Portugal não titubeou, abraçou a oportunidade e está lá até hoje, filmando e editando os programas Brasilian Storm Diário da Ilhas

Como começou?

Pensei, “Que foda! Tenho que comprar um drone e fazer imagens assim”. Comprei meu primeiro drone quando lançou o Phantom 01 da DJI com a GoPro, um modelo que veio para o mercado com um orçamento mais acessível.    

Indonésia.

E a história que você foi dar uma de paparazzi e quase perdeu o drone? 

Fui fazer da calçada uma imagem da taça do título mundial do Medina que estava na varanda da cobertura  que ele ficou na Barra da Tijuca.  No momento que o drone se aproximou, uma pessoa o travou e depois me devolveram com o cartão formatado. Acabei perdendo tudo que tinha produzido naquele dia. Mas no final ficou tudo na boa.

Quais são as principais vantagens das imagens aéreas ?

Com o drone é possível fazer a imagem que quiser, como um trilho ou uma grua gigante. Eu consigo viajar com o equipamento muito mais leve e movimentos de câmeras para meus projetos.

Billabong Pipemasters.

Como está sendo a demanda pelas filmagens com drone nas produções para os programas de surf nos canais de TV e outros trabalhos? 

Depende muito dos orçamentos dos projetos. Às vezes vou sozinho, filmo com a câmera e depois faço com o drone, já outros projetos vai uma pessoa somente para fazer com o drone. Acredito que o drone está presente em 80% das produções hoje. Tenho visto imagens aréas de drone em praticamente todos os programas que vejo no OFF. Uma ferramenta que entrou rapidamente no mercado.


“Acredito que o drone está presente em 80% das produções hoje. Tenho visto imagens aréas de drone em praticamente todos os programas que vejo no OFF. Uma ferramenta que entrou rapidamente no mercado.”  


Tem alguma preferência por algum videomaker? 

Atualmente o Eric Sterman tem sido minha maior referência na produção de imagens aéreas, tanto de surf como de visuais. As imagens aéreas do filme do John John Florence também estão incríveis, ainda não sei quem fez. Gosto de imagens com voos em proximidade, sempre impressionando mais, tem inúmeras possibilidades para se fazer.

Indonésia.

Qual a sensação de pilotar drone pra você? 

Quando vejo uma imagem de drone, sinto certa liberdade em poder ver tudo do alto, fazer caminhos que somente quem tem asas consegue, claro que dentro dos limites de segurança.

Quais os projetos que vocês estão trabalhando ? 

Atualmente estamos trabalhando na ilha de edição e em externa para futuras temporadas nos programas: Diário das IlhasNalu Pelo MundoBrazilian StormNove Pés e Quiver dos Sonhos.