A MELHOR TEMPORADA DE FELIPE CESARANO

“Sem dúvida, o surfista brasileiro que mais se destacou de backside nessa temporada.” Foi com essa frase que o fotógrafo Pedro Tojal, correspondente da Surfar na Indonésia, destacou a participação do carioca Felipe Cesarano em 2015. Não é à toa que, na nova edição de outubro da revista, Gordo emplacou a capa e a sequência da seção Melhor da Série. Além disso, colocou uma dupla e mais quatro fotos na matéria do Grower. “O mais irado é fazer a capa com a minha melhor onda da trip”, disse Cesarano amarradão.

Por Luís Fillipe Rebel / Fotos: Pedro Tojal

Sequência da capa da edição #45 da Surfar. Crédito: Pedro Tojal

“Esse não foi o melhor mar, mas entrou algumas das melhores séries que eu vi. No dia tinha oito pés, uma ou outra de dez. Essa foi a minha melhor. Ela dá três baforadas e ainda bem que o Tojal estava ali, porque se estivesse um pouquinho mais para baixo ia sair com o bafo” – Felipe ‘Gordo’ Cesarano sobre a foto da capa

Em um mês e meio na Indo, Cesarano partiu para Desert Point quatro vezes, o suficiente para nos dar muito trabalho na hora de selecionar as fotos da edição de outubro. “Fiz tanta foto do Gordo nessa temporada que poderíamos fazer uma edição só com fotos dele”, completou Tojal. Portanto, não podíamos deixar esse material apenas guardado.

Como a “estrela” da Surfar desse mês veio visitar a redação e conferir a revista, aproveitamos para bater um papo com ele sobre os seus dias na Indonésia e montar esta matéria com mais fotos dele. Tudo isso enquanto assistíamos seu novo vídeo, que já está bombando nos sites gringos. E atenção, não tire os olhos tanto da segunda quanto da última onda do clip, pois é o tubo da capa filmado em dois ângulos diferentes. Go Gordo!

TEMPORADA INDONÉSIA 2015

“Antes de eu ir teve o Muzza Swell, que foi animal, grandão, o melhor swell da temporada. Só que depois passou um mês e pouco sem dar onda. Quando eu pisei na Indonésia, todo mundo falou que a temporada estava horrível, só tinha dado um swell, estava dando vento ruim e tal. Mas assim que eu cheguei, já entrou uma ondulação média. Fui para Java, peguei altas ondas e me diverti. Aí, quando voltei, praticamente toda semana tinha um swell bom e fomos para Desert em todos eles. Então, eu não tenho do que reclamar. Para mim foi a melhor temporada que já tive lá. Foi a que consegui pegar as minhas melhores ondas no Grower e encaixar melhor o meu surf. É muito bom você estar na Indonésia com swell toda semana. Eu fiquei do começo de agosto até o final de setembro e deu onda sem parar.”

“No Grower foi a minha melhor temporada. Eu estou usando uma prancha menor. Olha o tamanho dessas ondas no vídeo e estou conseguindo surfar de 5’9.” - Felipe ‘Gordo’ Cesarano

Gordo diminuiu as pranchas e foi destaque de backside na temporada da Indonésia em 2015. Ele levou uma 6’1″, 5’10”, 5’9″ e 5’6″ dos modelos Dom Quixote e a BlackBird. Crédito: Pedro Tojal.

BACKSIDE NO GROWER

“Cara, surfar de backside tem o pós e o contra. O pós é o psicológico porque teoricamente o frontside é sempre mais fácil. Claro, se eu puder escolher prefiro surfar uma direita. Só que de backside também dá se você tiver a manha. Aprendi muito vendo os vídeos do Eric (de Souza) e surfando lá com ele. O jeito que ele surfa a onda, dá a passada e tal. Você pode acelerar tanto quanto o goofy e ainda tem a facilidade para sair no dog door. Porque geralmente, nos melhores tubos do Grower, a onda vem para fechar e você sai no finalzinho. E se tu reparar, de frontside você não consegue sair tão no limite porque meio que desequilibra ali para trás na hora da saída. Já de backside, você sai curtinho. Sabe? Consegui sair de uns tubos bem no final mesmo, que só cabia a minha cabeça e eu passava pelo lip (risos). E me dou bem de backside, não me importo muito. O Eric não foi esse ano, aí de regular praticamente só tinha eu e o Pança para representar a equipe junto aos de frontside no Grower.”

“Ele surpreendeu não só a mim, mas toda a galera que surfa o Grower sempre. Esse ano, o Eric não estava, que é um cara de referência de backside lá, e o ‘Gordinho’ assumiu muito bem esse papel porque pegou altas com uma escolha de ondas muito boa. A cada swell se puxava mais e passou a pegar tubos mais longos, tubos sem as mãos, começou a atrasar mais ainda dentro do tubo.” - Gabriel Pastori, especialista no Grower

PERRENGUES

Independente dos perrengues, pode ter certeza que “tubo paga”. Crédito: Pedro Tojal.

“A vaca é inevitável. Eu tomei uma ou outra assim mais pesadinha, mas foi em uma onda normal que morri dentro do tubo, onde me machuquei. Botei para dentro, só que no meio dela o foam ball me pegou. Ainda tentei resistir, mas acabei caindo sem conseguir passar a onda e ralei as costas todas. Fora isso, teve um dia que estourei o estrepe num dia grande. Já era final de tarde e não tinha mais ninguém na água. Eu já sou cagão com esse negócio de ficar nadando, tubarão, já não gosto disso (risos). Imagina com a série de dez pés vindo, mais de dez ondas e eu nadando sozinho no mar? Parece que o mar fica o dobro do tamanho. Nessa hora, eu passei um perrenguezinho. Tive que dar uma nadada, deu uma adrenalina, mas foi tranquilo.”

DESERT POINT E BRAZILIAN GROWER

“Poucas ondas na Indonésia são tão boas quanto Desert. Você pode pegar um SuperSucks e umas outras ondas boas, mas são picos mais difíceis de quebrar. Então, por constância e qualidade, acho que Desert é a melhor que tem. E o Grower é a nossa seção. É a maior parte da onda e fecha muito, só algumas abrem. Por isso, a galera não gosta muito de cair lá, prefere o Point. Já a nossa galera não cai no Point, só no Grower. Se der um swell de seis pés, lá sempre vai entrar uma de oito. Entendeu? É um lugar que pega bem o swell, entra maior. Então, se dá um swell de seis a oito pés e você vai para um local mais raro de quebrar, como Greenbush ou outra onda assim, pode acabar pegando de quatro a seis, ou um seis pés não tão constante. No Grower não. A gente já vai sabendo que o bicho vai pegar.”

ALGUMA HISTÓRIA ENGRAÇADA?

“A única coisa engraçada que rolou é que no ano passado eu surfei lá a noite. Depois do jantar, quando deu umas nove meia, dez horas, peguei a prancha e entrei na água sem estrepe nem nada no mar com uns oito pés. Todo mundo saiu correndo atrás de mim (risos). Mas surfei no escuro e isso virou a atração de Desert. Aí, quando eu andava a noite este ano, que ia comprar cerveja e tal, toda a galera local vinha falando: ‘Eii! Não vai surfar não, hein?’ ”

Gordo Tubo Grab Visual Final de TardeCesarano aproveitou os tubos até as últimas horas do dia. Crédito: Pedro Tojal.