“A META É VENCER EM PIPELINE” – GABRIEL MEDINA

No Hawaii, Gabriel Medina quer vitória no Pipe Masters.  

O Hawaii é sinônimo de conquistas para Gabriel Medina. Em 2014, o sonhado título mundial, o primeiro de um brasileiro. No ano passado, campeão da Tríplice Coroa Havaiana, uma disputa paralela com um significado emblemático. Agora, o surfista de 22 anos quer completar a festa com a vitória no Pipe Masters, a etapa final do Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour, na praia de Pipeline, no North Shore, de 08 a 20 de dezembro.

Medina vai com tudo pela briga pelo pódio em Pipe. Foto: Cestari.

Antes, Medina disputa o Vans World Cup, na vizinha praia de Sunset, etapa final do Qualifying Series (QS) e segunda fase da Tríplice Coroa. Mas o primeiro brasileiro campeão mundial de surf já adianta que o foco é mesmo para Pipe. “Quero ganhar essa etapa. É uma disputa que nos dois últimos anos eu fiquei em segundo, bati na trave e que está engasgada. A meta é vencer em Pipeline. Sei que tem chance da Triplíce Coroa novamente. No ano passado, o Mick  quase ganhou de mim competindo Sunset e Pipe, mas não é meu objetivo”, fala.

Em ação nas ondas de Sunset durante o Vans World Cup ano passado. Foto: Masurel/WSL.

Atual vice-líder do ranking, Gabriel  mostra grande regularidade no Circuito. Além do título em 2014, foi o terceiro no ano passado e agora espera confirmar o segundo posto. Ele valoriza a posição, ressaltando o excelente nível técnico do Tour e já projeta seu futuro para a próxima temporada. “O Circuito está bem equilibrado, mais competitivo com a nova geração chegando forte”, avalia.

Com a tão disputada taça de campeão mundial em 2014. Foto: Cestari/WSL.

Nesta temporada, Medina venceu em Fiji, foi o segundo em Portugal e o terceiro em Teahupoo e Rio de Janeiro. Chegou até Portugal, a penúltima etapa do Circuito, brigando pelo título. “Tive um bom ano. Poderia ter ido melhor, mas estou feliz, porque tentei dar o melhor e espero voltar mais forte no ano que vem”, comenta.

FUTURO – “Esses anos tenho aprendido bastante. E sei o que fazer. Só começar a perna australiano bem, para embalar depois. Estou correndo atrás do que precisa melhorar, consertar, para me preparar, porque tenho muitos anos de Tour pela frente”, revela Gabriel, que também vem se dedicando a outro projeto na sua carreira, o lançamento do Instituto Gabriel Medina, a partir de 2017.

Gabriel Medina e Adriano comemorando as vitórias em Pipe ano passado. Medina, campeão da Tríplice Coroa Havaiana, e Mineiro, campeão mundial. Foto: Kirstin/WSL.

Instalada na praia de Maresias, em São Sebastião, onde Gabriel aprendeu a surfar e mora até hoje, a iniciativa oferecerá toda a estrutura para a preparação de novos valores do surf, igual a utilizada pelo próprio Medina atualmente. A sede com 336 metros quadrados, em frente ao mar, foi criteriosamente escolhida por ser exatamente onde Gabriel pegou suas primeiras ondas, orientado por Charles Saldanha, pai e treinador e que também participa ativamente do projeto.

Instalações do Instituto Gabriel Medina. Foto: Fabio Maradei.

A entidade atenderá 60 crianças e adolescentes, de ambos os sexos, dos 10 aos 16 anos, com aulas de surf, treinamento físico, avaliação e acompanhamento médico e odontológico, palestras, refeições, tudo com profissionais experientes e sob a supervisão de Charles e, claro, do próprio Gabriel. O Instituto conta com piscina, academia, salas para aulas de idioma e informática, ambulatório, refeitório, cama elástica (para treinamento de aéreos) e até mesmo um palanque fixo para campeonatos e simulações de disputas.

“…vamos formar cidadãos.” – Medina. Foto: Fabio Maradei.

“Quero participar, estar presente, ajudar, ver essa nova geração treinando, se esforçando. Às vezes dando um toque, uma risada com eles. Vou tentar passar o meu melhor. O mais legal é que toda a minha família está envolvida. Não vai ser qualquer instituto. Não é só surf. Vai ser educação… vamos formar cidadãos”,  diz Medina.

Gabriel ainda enfatiza que a proposta não é só formar futuros campeões nas ondas. Deixa claro que também existe a função social: “É difícil falar que todos os meninos serão surfistas profissionais. A gente não consegue saber. Estamos cientes disso. Se rolar, vai ser show. Senão, o nosso desejo é transformá-los em cidadãos, boas pessoas. Cada um ter uma boa educação e ser o melhor, seja qual for a profissão que seguir. Educação é fundamental. Não tive essa oportunidade de ter um lugar que me incentivasse, me ajudasse, onde treinasse, me alimentasse bem. Na verdade, do jeito que chegamos até aqui, eu e meu pai, foi se virando. A gente via as coisas na internet, ouvia falar, tentava se adaptar num treino ou outro e, na verdade, foi muita força de vontade. De estar ali todo dia na água, me esforçando, procurando evoluir, mas essa estrutura que está criando, se tivesse no passado, iria ajudar bastante.”