A PAIXÃO PELO MAR VIROU PROFISSÃO

O paulista Paulo Barcellos é um daqueles videomakers que adaptou sua paixão pelo mar com a profissão. No fim dos anos 90, ele era um dos principais nomes do bodyboard no mundo e veio a ser campeão mundial em 2000.
Após parar de competir, Paulo ingressou na carreira de fotógrafo aquático e logo depois passou a produzir vídeos. A  Surfar traz uma mostra do trabalho e conta um pouco sobre carreira de Barcellos. Confira! (Em destaque: Owen Wright terminando o dia da melhor forma)
 
Por Patrick Villaça

O tubo espetacular de Ricardo dos Santos que ficou eternizado como capa da Surfar.


“Sou atleta de bodyboard há 22 anos, então mais da metade da minha vida me dediquei ao esporte. Como sempre estive dentro d’água, essa transição foi bem tranquila.”

Após mais um dia de trabalho no Hawaii. Foto: Leonardo Dale.

NASCIDO: 25/01/1976 – Guarulhos, São Paulo.

RESIDÊNCIA ATUAL: Hawaii e Rio de Janeiro.

EQUIPAMENTO: Red Scarlet W e Sony FS 700, ambas com caixa estanque

TEMPO COMO VIDEOMAKER/ FILMMAKER: Cinco anos.

MELHOR PICO PARA FILMAR: Pipeline.

MELHOR TRIP: Difícil escolher, mas tenho um carinho especial pela temporada havaiana. Lá se aprende muito rápido, principalmente pela agressividade das ondas e pelos bons surfistas. Sem contar na enorme quantidade de profissionais por metro quadrado.

Yan Daberkow em Pipeline.

PIOR TRIP: Nunca tive uma experiência ruim, sempre tento aprender e tirar o proveito de lugares e pessoas novas que vão aparecendo.


MELHORES SURFISTAS PARA FILMAR:  Toda a galera que compete no WCT e QS é muito profissional. Agora voltei a trabalhar com o Mineirinho que, além de ser um dos meus melhores amigos, tem uma conexão grande comigo na água. Adoro trabalhar também com o Carlos Burle e, lógico, com o Medina, que pega uma quantidade de onda absurda em uma caída!

Adriano de Souza bem à vontade no Hawaii.

FILMMAKERS FAVORITOS: Não tive muito tempo para ter influências. Saí de uma carreira de bodyboarder profissional e em pouco tempo já estava inserido no mercado. Tive a sorte de ter a ajuda de muitos fotógrafos, principalmente do Gustavo Camarão, que me ajudou a comprar o equipamento e deu minha primeira aula. Henrique Pinguim, Sebastian Rojas, Pedro Tojal, Gustavo Marcoline, Rafaski e Julio Fonay foram outras influências. Adoro também o trabalho do Don King e Chris Bryan.

SEUS MELHORES TRABALHOS: Todos os episódios dos meus programas no Canal Off: “Retratos do Mar” e o “Prancha e Pé de Pato”. O filme do John John é especial, pois foi a primeira vez que tive que entrar com uma câmera red. E o programa do Mineirinho está sendo mágico para mim. Voltar a trabalhar com um grande amigo não tem preço!

CONSELHO PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO: Para os câmeras aquáticos, como eu, faça imagens todos os dias, independente do tamanho do mar. Sempre esteja nas manhãs e finais de tarde, onde a luz nos ajuda cada vez mais, e tentar viajar ao máximo para aprimorar o olhar.

SITE / REDES SOCIAIS: Facebook: /barcellosimages. Instagram: @paulo_barcellos 

Ian Gouveia pedindo permissão para aterrizar. 


Como foi seu início como videomaker?

Estava fotografando para uma revista e precisava produzir uns vídeos para o site deles. Como a minha máquina fazia os dois, foto e vídeo, deu para dar conta do trabalho. Mas vi a necessidade de comprar uma filmadora de uma qualidade e investi na Sony FS 700, que filma a 240 fps e dentro d’água ela fica perfeita! 

No que você mais precisou se adaptar quando fez a transição da fotografia para as filmagens? 

Na verdade, eu tive que aprender tudo porque não usei uma câmera fotográfica que filma. Eu já comprei uma filmadora, onde o conceito é totalmente diferente dessas máquinas que fazem os dois. É meter a cara e estudar! Acabei de terminar um curso de Cinema que incluía direção de fotografia. O ideal é nunca parar de estudar, ainda mais porque as câmeras vão mudando as tecnologias. A meu ver, a base de tudo é o estudo. 

Kai Barger conhece bem os tubos de Pipeline.

Quais programas de TV que você já produziu?

“Prancha e Pé de Pato” e “Retratos do Mar”, ambos sou protagonista e faço as imagens aquáticas.  Também filmo para o programa do Gabriel Medina, Carlos Burle e Pedro Scooby. E como agora tenho uma produtora,  estou produzindo a nova série do Adriano de Souza, todos para o Canal OFF. 

O que mais gosta de explorar em suas produções? 

Imagens aquáticas, porque posso levar ao telespectador aquela sensação que temos quando estamos dentro d’água e, lógico, mostrar os lugares incríveis que viajamos! 

Como são feitas as pautas para apresentar aos canais?

Ficar sempre atento às coisas que estão acontecendo. Uma boa relação com os diretores de conteúdo e propor o que acha que vai dar uma boa produção.

Qual foi a sensação de gravar o programa “Prancha e Pé de Pato”? 

Não tem como separar meu nome do bodyboard. Quando surgiu a ideia para fazer o programa, eu fiquei muito feliz de poder mostrar como esse esporte é maravilhoso e casca-grossa. Apesar de ser muito desgastaste, pois preciso filmar e surfar, é um prazer viajar e rever meus amigos da época do circuito. 

Recentemente você produziu uma série de entrevistas com fotógrafos aquáticos. Como foi gravar a própria profissão?  

Esse programa se chama “Retratos do Mar” e o diferencial dele é gravar todas as ações de dentro d’água com um microfone. É muito gratificante mostrar meus parceiros de profissão e lendas da fotografia. 

John John Florence no salão azul de Pipeline.

Quais as dificuldades das filmagens aquáticas? 

É uma carreira difícil. Para ter um diferencial no mercado, você tem que fazer imagens de ângulos diferentes, e isso vai te causar grandes problemas. Já bati com a caixa estanque no rosto várias vezes, bati o ombro na pedra e tive que operar… Mas a profissão é essa! Eu sempre falo para os meus amigos que não tem como nadar contra a corrente, tem que entender ela… Quem manda é a corrente! 

E como é disputar o outside com os fotógrafos, já que o equipamento de filmagem é maior e mais pesado? 

Como o equipamento de filmagem é mais pesado que o de fotografia, eu não consigo ficar tão lá em baixo do pico igual ficava com a fisheye. Eu gravo o programa “Retratos do Mar”, onde mostro os fotógrafos trabalhando, Então, quanto mais gente na minha frente, melhor. Na fotografia e na filmagem, eu sou do mesmo jeito que era como bodyboarder. Vou conquistando respeito aos poucos e hoje em dia todos me respeitam. Chego no Hawaii e as pessoas me respeitam. Vou trabalhar nas etapas do Circuito Mundial e já sabem quem eu sou. Estou sempre com um surfista específico, não sou um freelancer que pega imagens de todos. Quando chego dentro d’água, já falo com quem euestou trabalhando. Tem que respeitar para ser respeitado.