BRASIL CHEGA COMO POTÊNCIA NA FRANÇA

Liderado por Gabriel Medina, que pode igualar Andy Irons se for tricampeão, time brasileiro na França busca manter o histórico de vitórias em Hossegor.

Gabriel Medina volta às origens em busca do tri na França e acirra corrida pelo título mundial. Foto: Poullenot/WSL.

Faltando apenas três etapas para o fim desta temporada, o Circuito Mundial desembarca nas ondas do beach break francês em um momento decisivo, seja em busca da liderança, nas mãos do sul-africano Jordy Smith, ou para fugir da degola. O retrospecto de vitórias brasileiras renovam as esperanças de bons resultados para os nossos 10 representantes em Hossegor.

Jadson André durante as semifinais da etapa em 2014. Foto: Kirstin/WSL.

O Brasil esteve presente em cinco das últimas seis finais na França, com Gabriel Medina (2011, 2013, 2015 e 2016) e Jadson André (2014). Medina conquistou na França a sua primeira vitória na elite em 2011, repetiu o feito em 2015 e ainda carrega na bagagem dois vices. Caso alcance o tricampeonato nas ondas francesas, o paulista poderá igualar a marca do havaiano Andy Irons, três vezes campeão da etapa, uma delas vencendo o irmão Bruce Irons na decisão.

Medina está confiante pelo título na França. Foto: Sherman/WSL.

Medina está confiante pelo título na França. Foto: Sherman/WSL.

“França é um lugar especial para mim. Gosto de beach break que tem muita onda. Então, dá para arriscar. Meus melhores resultados aconteceram lá. Então, acredito que eu tenho boas chances de repetir um bom resultado e torcer para tudo dar certo para o resto do ano”, falou Medina, que vem confiante depois de vencer o primeiro campeonato realizado no Surf Ranch de Kelly Slater.

O recordista de vitórias no pico é o australiano Mick Fanning, com quatro troféus: 2007, 2009, 2010 e 2013. Depois de Fanno vem Andy Irons e Gabriel Medina. O local de Maresias foi surfista mais jovem a vencer ali, aos 17 de idade, enquanto Kelly Slater foi o mais velho, aos 40, em 2012.

Medina comemorando o título na França em 2011. Foto: WSL. 

O atual campeão mundial John John Florence é o vice-líder do ranking e está a apenas 2.450 pontos de distância do número 1, o sul-africano Jordy Smith, com 5.850. O havaiano já venceu no pico em 2014 e aposta no retrospecto de olho na ponta. Julian Wilson (37.200) e Matt Wilkinson também têm chances matemáticas de ir ao topo, dependendo dos resultados. E entre os brasileiros Adriano de Souza é o mais bem ranqueado, em sexto lugar, com 34.850, seguido por Filipe Toledo, com 34.450, e Medina com 30.750. Quem levar o título em Hossegor ganha 10.000 pontos.

Até o momento, Adriano é o melhor ranqueado entre os brasileiros. Foto: Cestari/WSL.

Histórico do Brasil renova esperanças

Desde 1983, quando a França integrou o calendário na elite, o surf verde e amarelo mostrou sintonia com o mar do país. Das 34 vitórias conquistas por 13 brasileiros na história do Circuito Mundial, entre 1976 e 2017, 25 foram no exterior e sete na França.

Fabio Gouveia, primeiro brasileiro a vencer uma etapa do WCT fora do Brasil. Foto: WSL.

Fabio Gouveia, primeiro brasileiro a vencer uma etapa do WCT fora do Brasil. Foto: WSL.

O primeiro brasileiro a vencer uma etapa do WCT fora do Brasil foi Fábio Gouveia nas ondas de Biarritz em 1991. Teco Padaratz ergueu a taça em Hossegor em 1994 após bater na final um Slater de 22 anos e um título mundial nas costas. Ricardo Tatuí levou no ano seguinte, em Biarritz, Victor Ribas foi campeão em Lacanau em 1995 e Neco Padaratz derrotou Andy Irons na decisão de 2002.

Após nove anos de jejum, Gabriel Medina colocou a França no mapa das vitórias em 2011. Na época, aos 17 anos, disputava a sua temporada de estreia no WCT como o surfista jovem do Tour. Em 2009, antes de se profissionalizar, Medinas deu um belo cartão de visitas no King of Groms. Duas notas 10 na final contra Caio Ibelli, outro integrante verde-amarelo na elite. Além de Hossegor e e Capbreton, outros picos franceses receberam os melhores do mundo foram Lacanau, Seignosse e Saint-Jean-de-Luz.

Caio Ibelli é outro reforço brasileiro na etapa francesa. Foto: Poullenot/WSL.

Manobras e tubos largos em ondas volumosas

O idioma provençal, falado em pequena escala no sudoeste francês, indica por que o pico é tão especial para o surf. Hossegor significa fosse profunda. Devido a um desfiladeiro submarino de 300 quilômetros a 250m da costa de Landes, toneladas de água entram em contato com uma bancada rasa. A mudança abrupta de profundidade forma ondas fortes.

O tubo perfeito de Hossegor, palco na nona etapa do Tour. Foto: WSL.

A onda de La Graviere, com paredes manobráveis e espaço para tubos, é o cenário ideal para o surf moderno de Gabriel Medina e Filipe Toledo, campeão em Jeffreys Bay e Trestles neste ano. Vice do QS 10.000 em Cascais, Portugal, Ítalo Ferreira é outro nome que pode surpreender, ao lado de Jadson André, Caio Ibelli e Ian Gouveia.

Ítalo Ferreira é outro nome que pode surpreender nas ondas francesas. Foto: Poullenot/WSL.

Campeão mundial em 2015, Adriano de Souza também conhece o caminho das pedras no pico e tem repertório de sobra para aproveitar ao máximo o potencial do beach break, como na maioria das praias do Brasil. Depois da etapa na França, restam apenas duas paradas no Tour, em: Peniche, Portugal, de 20 a 31 de outubro; e o Pipeline Masters, no Hawaii, entre 08 a 20 de dezembro.

A próxima chamada na França acontece amanhã, domingo, às 03:00 horas no horário de Brasília. Confira ao vivo as disputas do Quiksilver Pro & Roxy Pro France, clicando aqui.

Baterias da 1ª fase masculina na França:

1: Adriano de Souza (BRA) x Conner Coffin (EUA) x Stuart Kennedy (AUS)
2: Owen Wright (AUS) x Bede Durbidge (AUS) x Nat Young (AUS)
3: Matt Wilkinson (AUS) x Wiggolly Dantas (BRA) x Josh Kerr (AUS)
4: Julian Wilson (EUA) x Caio Ibelli (BRA) x Ethan Ewing (AUS)
5: John John Florence (HAW) x Italo Ferreira (BRA) x Keanu Asing (HAW)
6: Jordy Smith (AFS) x Kanoa Igarashi (EUA) x  Marc Lacomare (FRA)
7: Filipe Toledo (BRA) x Joan Duru (FRA) x Miguel Pupo (BRA)
8: Gabriel Medina (BRA) x Jeremy Flores (FRA) x Leonardo Fioravanti (ITA)
9: Joel Parkinson (AUS) x Michel Bourez (TAH) x Jack Freestone (AUS)
10: Connor O’Leary (AUS) x Sebastian Zietz (HAV) x Jadson André (BRA)
11: Frederico Morais (POR) x Mick Fanning (AUS) x Ian Gouveia (BRA) 
12: Kolohe Andino (EUA) x Adrian Buchan (AUS) x Ezekiel Lau (HAW)

Conquistas do Brasil na França:

Títulos:

1991 – Fábio Gouveia – Biarritz
1994 – Teco Padaratz – Hossegor
1994 – Ricardo Tatuí – Biarritz
1995 – Victor Ribas – Lacanau
2002 – Neco Padaratz – Hossegor
2011 – Gabriel Medina – Hossegor
2015 – Gabriel Medina – Hossegor

Vices:

1994 – Jojó de Olivença – Saint Leu (derrota para o havaiano Sunny Garcia)
1996 – Jojó de Olivença – Biarritz (derrota para o americano Kelly Slater)
2000 – Armando Daltro – Lacanau (derrota para o americano Rob Machado)
2013 – Gabriel Medina – Hossegor (derrota para o australiano Mick Fanning)
2014 – Jadson André – Hossegor (derrota para o havaiano John John Florence)
2016 – Gabriel Medina – Hossegor (derrota para o havaiano Keanu Asing)

G-22 do Circuito Mundial de 2017, após 8 etapas

1: Jordy Smith (AFS) – 45.850 pontos
2: John John Florence (HAW) – 43.400
3: Julian Wilson (AUS) – 37.200
4: Matt Wilkinson (AUS) – 36.450
5: Owen Wright (AUS) – 35.850
6: Adriano de Souza (BRA) – 34.850
7: Filipe Toledo (BRA) – 34.450
8: Gabriel Medina (BRA) – 30.750

9: Joel Parkinson (AUS) – 26.650
10: Connor O’Leary (AUS) – 24.700
11: Frederico Morais (POR) – 24.650
12: Kolohe Andino (EUA) – 23.500
12: Adrian Buchan (AUS) – 23.500
14: Mick Fanning (AUS) – 23.100
15: Sebastian Zietz (HAW) – 21.750
16: Michel Bourez (TAH) – 20.700
17: Jeremy Flores (FRA) – 19.700
18: Joan Duru (FRA) – 19.400
19: Conner Coffin (EUA) – 19.250
20: Bede Durbidge (AUS) – 18.450
21: Wiggolly Dantas (BRA) – 18.200
22: Caio Ibelli (BRA) – 16.500

———–outros brasileiros:
23: Italo Ferreira (BRA) – 15.950 pontos
27: Ian Gouveia (BRA) – 12.500
28: Jadson André (BRA) – 11.250
31: Miguel Pupo (BRA) – 9.000
34: Yago Dora (BRA) – 7.000
37: Jessé Mendes (BRA) – 2.250
42: Bino Lopes (BRA) – 1.000
43: Samuel Pupo (BRA) – 500

Fonte: globoesporte.globo.com