BRASILEIRO NÃO SE DESLUMBRA COM FAMA APÓS VAGA NA ELITE MUNDIAL

Conhecido como uma das revelações do surf em 2017, Yago Dora evita euforia pela rápida ascensão no esporte e planeja evolução passo a passo. Conheça mais sobre essa promessa brasileira de 21 anos!

A aparência pode ainda ser de um garoto, mas após poucos minutos de conversa, Yago Dora aparenta ter a cabeça de uma pessoa mais experiente. Aos 21 anos, o jovem trata com maturidade a ascensão no mundo do surf e, mesmo sendo tratado como uma grande promessa do surf brasileiro e já com vaga garantida na elite mundial em 2018, ele mantém os pés no chão.

Yago terminou a temporada da Divisão de Acesso, o QS, em sexto lugar do ranking que classificou 10 surfistas para a elite na próxima temporada. O Brasil já garantiu cinco representantes e ainda pode conquistar a sexta vaga do G-10 em Pipeline no Hawaii.

Yago é sempre muito solicito com os fçãs. Foto: Smorigo/WSL.

Yago é sempre muito solicito com os fçãs. Foto: Smorigo/WSL.

Após uma bateria do QS de Maresias, que aconteceu no mês passado,  Yago foi parado pelo público assim que deixou o mar para tirar fotos. Atendeu a todos com educação. Mas assim que foi para a zona mista atender a imprensa, tratou com naturalidade ter esse status de promessa.

“Meu jeito de lidar (com o status de promessa) é bem tranquilo. Não sou um cara que quero ser mega famoso e tal. Prefiro ser um cara mais de canto, que na hora da bateria vai surfar bem. Não chamar toda atenção para mim. Isso acaba acontecendo naturalmente. Vou sempre estar buscando a minha evolução no surf e ser cada vez mais reconhecido pelo meu surfe. Não por ser uma pessoa famosa, uma estrela. Mas é demais ter a galera na areia torcendo por ti, esperando que você tenha um bom resultado. Acho que isso dá força para nós dar o nosso melhor”, fala o jovem surfista.

Yago aproveitou as condições do mar na Ilha de Açores para abusar dos aéreos e vencer a final brasileira do QS 6000 Azores Airlines Pro em Portugal. Foto: Poullenot/WSL.

Yago Dora não imaginava aos 21 anos já conquistar uma vaga na elite mundial do surf. Apesar de estar batalhando por isso nos últimos dois anos, vê o feito como algo que chegou rápido. Está feliz com a conquista, mas quer evoluir naturalmente. Por exemplo, brigar por um título mundial em 2018 não é uma meta traçada.

O atleta comemorando o título QS 6000 Azores Airlines Pro em Portugal. Foto: Poullenot/WSL.

“É algo que não tenho em mente ainda. Ainda estou apenas começando no circuito mundial. É algo que não estou almejando nesse momento. Mas é uma evolução que tenho que ter agora. É passo a passo. Assim que vai ser nos próximos anos”, diz Yago.

DO INÍCIO NO SURF À ASCENSÃO ATÉ A ELITE MUNDIAL

Yago Dora nasceu em Curitiba, no Paraná, mas aos três anos foi com a família morar em Florianópolis,  Santa Catarina, e lá começou a surfar. Com aos 11 de idade deu seus primeiros “passos” nas ondas por diversão e aos 15 passou a levar o surf mais a sério, começando a enxergá-lo como uma profissão. De onda em onda, foi crescendo e começando a se destacar.

Yago em ação nas ondas de Saquarema durante a etapa brasileira do mundial este ano. Foto: Smorigo/WSL.

Hoje o jovem paranaense é conhecido mundialmente pelo free surf e também por se destacar em etapas do Qualifying Series. Atualmente ele ocupa a sexta colocação da divisão de acesso, com 20,650 pontos. Em maio deste ano, Yago participou do Oi Rio Pro, etapa WCT em Saquarema, e foi um dos destaques ao eliminar os campeões mundiais John Johm Florence, Gabriel Medina e Mick Fanning.

Yago elimina John John em Saquarema e levanta torcida:

Yago Dora  comemora o bom momento e diz não ter um único atleta para se espelhar: “Não tenho alguns favoritos. Busco inspiração em cada um. Acho que cada surfista em o seu lado positivo. Tento ver o que cada um tem de bom e puxar um pouco para mim e evoluir meu surf.”

FILHO DO TÉCNICO DOS ATLETAS DE PONTA

O surf está no DNA e corre nas beias da jovem promessa. Yago é filho de Leandro Dora, mais conhecido como ‘Grilo, ex-surfista profissional que hoje é técnico de surf e responsável pela evolução da performance de vários atletas de ponta, nomes como Adriano de Souza, campeão mundial de 2015, e Lucas Silveira, campeão mundial Pro Jr 2015. (confira a matéria 8 DICAS PARA MELHORAR SEU SURF aqui)

O jovem com seu pai e técnico, Leandro Dora. Foto: Masurel/WSL.

O jovem com seu pai e técnico, Leandro Dora. Foto: Masurel/WSL.

“Meu pai nunca chegou a competir o QS, mas ele fazia o circuito brasileiro profissional. Mas a competição nunca foi o foco dele. Ele era mais um surfista pelo life style de ser surfista. Ele fez uma marca quando ele era muito novo. Começou a trampar mais na marca do que fazer campeonatos. Mas ele surfa muito. Meu pai é um surfista muito bom. Ele começou a trabalhar como treinador. Acho que sempre teve esse lado de querer dar os toques nos amigos dele, de ver alguma coisa que os amigos estavam fazendo errado para ajudar a tentar melhorar. Ele começou a trabalhar de treinador quando eu tinha uns nove anos”, fala Yago.

Yago com o pai e Mineirinho. Foto: Poullenot/WSL.

Yago com o pai e Mineirinho. Foto: Poullenot/WSL.

Adriano de Souza e o pai de Yago começaram a trabalhar juntos no fim de 2014. No ano seguinte, o surfista conquistou o título mundial de surf.

“O meu pai treinava o Ricardinho dos Santos, que é amigo do Mineiro. Em uma fase, o Mineiro estava procurando treinador e falou com o Ricardo. O Ricardo falou: ‘O grilão é o cara!’. O Mineiro começou o trabalho com meu pai, eles se deram bem e foi legal. O Mineiro entrou e trouxe muita experiência competitiva para nós. Era algo que não tínhamos muito. Até meu pai. Ele entende muito da técnica, mas não entendia muita coisa sobre o jogo de competição. Acho que o Mineiro trouxe esse lado para nós, que foi muito importante”, conta.

 

 

Repare na sequência como Yago Dora trabalha muito bem o jogo da mola corporal para completar o tubo. Fotos Henrique Pinguim.

Yago Dora ainda completa: “Eles começaram um trabalho leve no fim de 2014 para começar sério no ano de 2015, quando o Mineiro foi campeão. Acho que meu pai conseguiu ativar alguma coisa que faltava para o Mineiro para ele conseguir o título.”

 Yago Dora completando um backflip.Vídeo: Leandro Dora/AprimoreSurf.

Fonte: globoesporte.globo.com