COMO MEDINA LIDA COM A PRESSÃO PELO BI MUNDIAL

“Nada fora desse túnel pode me atrapalhar”, diz Gabriel Medina, concentrado para o Pipeline Masters. O surfista enfrenta havaiano em bateria de vida ou morte pela repescagem.

Próxima chamada para o reinício do evento acontece amanha,sexta-feira às 15:30 horas no horário de Brasília. Assista as disputas ao vivo direto do Hawaii, clicando AQUI. 

“Gabriel Medina entrou no túnel com destino a Pipeline!” É assim que Charles Saldanha, “paidrasto” e técnico do surfista define o caminho de casa para a praia sem maiores distrações. Concentrado na busca pelo bicampeonato mundial, Medina está blindado. Tem evitado encontrar os amigos e mesmo com a família a convivência é restrita. Apenas Charlão está com ele, a cerca de 50m de distância do palanque do campeonato, enquanto a mãe e os irmãos se hospedaram em outra casa.

Medina e Charlão, foco total pelo bi mundial. Foto: Reprodução Instagram.

Medina e Charlão, foco total pelo bi mundial. Foto: Reprodução Instagram.

“Eu gosto de estar com os meus amigos, gosto de estar com a minha família. Mas acho que, nesses momentos, prefiro estar sozinho, porque consigo me concentrar melhor. Quero pensar só isso, como se fosse um túnel. Meu pai tem isso, ele fala que a gente tá num túnel ali. É dali pra água e da água pra casa. Nada fora desse túnel pode me atrapalhar, independentemente de qualquer coisa. Eu acho que é assim que você se mantém focado. Você tem uma missão e você quer realizar. Então, tem que colocar tudo nesse foco, desse túnel, da casa pro mar e do mar pra casa”, fala Medina.

Quando não está treinando, o brasileiro costuma ficar na casa do patrocinador, onde se hospeda há alguns anos. Joga videogame com os companheiros de equipe e só se preocupa em surfar. Gabriel voltará ao mar para disputar a repescagem contra o havaiano Dusty Payne na última etapa do Circuito Mundial.

O brasileiro nas ondas de Pipe na bateria da prmeira fase do Pipe Masters. Foto: Poullenot/WSL.

Medina está hospedado numa residência de três andares na costa norte da ilha de Oahu em uma suíte com sala, varanda e vista para o mar de Pipeline. Mick Fanning, também patrocinado pela marca, fica no mesmo andar, em um quarto com uma estrutura igual.

Casa onde Medina, Mick Fanning, Matt Wilkinson e outros membros da equipe fica a alguns passos do palanque do Pipe Masters. Foto: Pedro Gomes.

Casa onde Medina, Mick Fanning, Matt Wilkinson e outros membros da equipe fica a alguns passos do palanque do Pipe Masters. Foto: Pedro Gomes.

O segundo andar tem cozinha e espaço de convivência, com sofás e videogame. O jogo do momento é o Mario Kart, de automobilismo. Outros membros da equipe, Matt Wilkinson, Conner Coffin e Owen Wright ficam no térreo, assim como os grommets.

O filho de Owen, Vali, de um ano, também está na casa. Gabriel gosta de brincar com o menino e aos poucos ajuda a aliviar a pressão. Ao lado dos irmãos, ele jogou bola na beira da praia, e ainda surfou com a caçula Sophia.

“Essa etapa é uma etapa tensa quando você tá disputando o título mundial. Ali é uma onda que tudo pode acontecer. É uma onda perfeita, que abre para os dois lados. É continuar focado. Eu gosto de ficar na minha, escutando a minha música, me manter nessa pegada que eu tenho tido, dessas duas últimas etapas. Levar o que eu tive de bom, que é estar com o meu pai, tendo aquela rotina de treinar de manhãzinha, me concentrar e ficar na minha”,  explica Medina.

Momentos de lazer para aliviar a tensão na luta pelo bi mundial. Fotos:  Reprodução Instagram.

A fórmula que começou a ser usada há dois anos deu certo, mas era ainda mais radical. No ano em que foi campeão mundial pela primeira vez, em 2014, havia hora de visita até para a família. A mãe e os irmãos iam à casa onde ele estava por uma ou duas horas. Às vezes, almoçavam juntos e depois o surfista ficava só com o padrasto. Surfava e fazia a rotina de treino, em um ambiente isolado.

Medina diz que em certos momentos prefere estar sozinho, para se concentrar melhor. Foto: Poullenot/WSL.

Medina diz que em certos momentos prefere estar sozinho, para se concentrar melhor. Foto: Poullenot/WSL.

“Quando o Gabriel tinha 19 anos, tinha muita pressão em cima dele, e a gente teve que se blindar. Era muita cobrança. Cobrança até positiva, o público brasileiro todo querendo que ele ganhasse o Mundial, que era inédito pro Brasil. Ele se saiu bem, e foi ali que tivemos a certeza de que ele sob pressão funciona. Agora tem menos pressão. O Gabriel é um cara frio. Ele está do mesmo jeito de 2014, levou na boa isso. Levar na boa não significa ele não estar com vontade e não entrar com tudo. Entrar até com raiva do adversário, se for preciso, mas ele está calmo. Nessa hora, você tem que usar a técnica, a prática, tudo que você treinou, e ser forte psicologicamente. Nunca ficar nervoso. Sempre pensar positivo. Estou sentindo isso nele. É aquele negócio, estou sentindo uma vibe boa”, diz Charles.

Na época, o padrasto brincou que o filho era como um prisioneiro e ele o carcereiro. Tudo para manter o foco. Um campeonato de surf pode durar de três a 12 dias, e o planejamento para “blindar” o atleta será mantido até o fim. Portanto, nada de baladas, menos mídias e poucos amigos por perto.

 Medina e Pupo são vizinhos em Maresias e grandes amigos. Foto: Reprodução Instagram.

Medina e Pupo são vizinhos em Maresias e grandes amigos. Foto: Reprodução Instagram.

Em busca do bicampeonato em 2017, o vice-líder do ranking mundial está focado na competição. Um de seus melhores amigos no Tour, Miguel Pupo contou que não vê Medina há duas semanas, sem contar com o encontro pela primeira fase do Pipe Masters.

“Eu joguei videogame com ele há umas duas semanas e ele me parecia muito tranquilo. Ele sempre é tranquilo, é um cara muito frio na competição. Ele leva um dia de cada vez, e quando toca a buzina, ele muda a personalidade e vira o Gabriel competidor. Então, ele sempre está tranquilo. Eu sei que ele tá bem focado, treinou bastante, tá isolado na casa, porque ele tá bem concentrado no que ele vai fazer. Não falei mais com ele desde então. Não quero atrapalhar. Acho que nesses momentos, deixa ele fazer o trabalho dele do jeito que ele quiser e, se Deus quiser, quando ele vencer, a gente pode comemorar juntos. Durante 12 dias você tem que se esforçar e ficar blindado pra depois ter uma recompensa maior”, conta Pupo.

Gabriel Medina firme e forte na luta pelo seu segundo título mundial. Foto: Poullenot/WSL.

O atual campeão mundial e número um John John Florence é o principal rival de Gabriel Medina na luta pelo título, mas o sul-africano Jordy Smith e o australiano Julian Wilson também têm chances.

Relembre o que Gabriel Medina pode fazer em Pipe!

Confira, AQUI, o que Medina precisa fazer para levar o bi mundial e os os cenários do título mundial.

PRIMEIRA FASE DO BILLABONG PIPE MASTERS – Vitória=Terceira Fase / 2.o e 3.o=Segunda Fase:

1.a: 1-Jeremy Flores (FRA)=10.17, 2-Jadson André (BRA)=6.33, 3-Matt Wilkinson (AUS)=4.67

2.a: 1-Josh Kerr (AUS)=12.17, 2-Kanoa Igarashi (EUA)=6.10, 3-Owen Wright (AUS)=3.37

3.a: 1-Conner Coffin (EUA)=10.56, 2-Julian Wilson (AUS)=8.00, Stuart Kennedy (AUS)=1.50

4.a: 1-Jordy Smith (AFR)=16.57, 2-Bede Durbidge (AUS)=11.43, 3-Ethan Ewing (AUS)=3.00

5.a: 1-Miguel Pupo (BRA)=14.83, 2-Benji Brand (HAW)=12.64, 3-Gabriel Medina (BRA)=12.43

6.a: 1-John John Florence (HAW)=13.50, 2-Dusty Payne (HAW)=6.83, 3-Wiggolly Dantas (BRA)=5.63

7.a: 1-Caio Ibelli (BRA)=12.83, 2-Adriano de Souza (BRA)=11.27, 3-Jack Freestone (AUS)=7.04

8.a: 1-Kelly Slater (EUA)=12.47, 2-Joan Duru (FRA)=11.90, 3-Kolohe Andino (EUA)=7.60

9.a: 1-Ezekiel Lau (HAW)=10.50, 2-Filipe Toledo (BRA)=2.00, 3-Michel Bourez (TAH)=2.00

——–baterias que ficaram para abrir a quinta-feira:

10: Sebastian Zietz (HAW), Adrian Buchan (AUS), Ian Gouveia (BRA)

11: Joel Parkinson (AUS), Connor O´Leary (AUS), Leonardo Fioravanti (ITA)

12: Mick Fanning (AUS), Frederico Morais (PRT), Ítalo Ferreira (BRA)

SEGUNDA FASE – Vitória=Terceira Fase e Derrota=25.o lugar com 500 pontos e US$ 10.000:

1.a: Gabriel Medina (BRA) x Dusty Payne (HAW)

2.a: Owen Wright (AUS) x Ethan Ewing (AUS)

3.a: Julian Wilson (AUS) x Benji Brand (HAW)

4.a: Matt Wilkinson (AUS) x Stuart Kennedy (AUS)

5.a: Adriano de Souza (BRA) x Jadson André (BRA)

6.a: Kolohe Andino (EUA) x Jack Freestone (AUS)

7.a: Filipe Toledo (BRA) x

—-o adversário de Filipe e as outras cinco baterias ainda não foram definidos

Fonte: globoesporte.globo.com