CONCORRENTES AO TÍTULO FALAM SOBRE EXPECTATIVA DA DECISÃO

Mick Fanning, Filipe Toledo, Adriano de Souza, Gabriel Medina, Owen Wright e Julian Wilson participaram da entrevista coletiva transmitida nas areias de Pipeline.

Para conferir a entrevista coletiva, clique aqui.

O swell gigante que atingiu o North Shore da ilha de Oahu no fim de semana já passou e a terça-feira amanheceu com ondas pequenas em Banzai Pipeline para o início do Billabong Pipe Masters no primeiro dia do seu prazo, que vai até 20 de dezembro. Antes de dar a largada na decisão do título mundial, 32 convidados vão disputar a Pipe Invitational, que vai definir os dois últimos participantes da etapa final do Samsung Galaxy WSL Championship Tour 2015. Com o adiamento da competição, foi realizada uma entrevista com os seis concorrentes ao título mundial.

Nossos três representantes na briga pelo titulo mundial 2015. Foto: Cestari/WSL

Três brasileiros e três australianos brigam pelo troféu de melhor do mundo e as previsões indicam que um novo swell deve entrar ainda nesta semana com altas ondas em Banzai Pipeline. O australiano Mick Fanning teve a chance de garantir o tetracampeonato por antecipação em Portugal, mas perdeu na terceira fase para o português Frederico Morais. Com isso, a decisão foi adiada para o Hawaii com mais cinco surfistas continuando vivos na disputa. Além disso, Filipe Toledo festejou sua terceira vitória no ano para ficar apenas 200 pontos abaixo dele no ranking.

Fanning. Foto: Kirstin/WSL.

“Na França, eu senti que estava começando as baterias muito devagar, então tentei consertar isso em Portugal, só que cometi um erro que foi fatal pra mim. Eu sabia desde o início do ano que a corrida do título ia ser uma batalha até o fim. O nível do circuito é simplesmente incrível. Você não pode mais ficar só chegando nas quartas de final nos dias de hoje, com tantos altos e baixos. Eu nunca estive numa disputa de título com tanta gente, está todo mundo de olho para ver como vai ser, então certamente será emocionante”, disse Fanning.

Os perigos da onda de Banzai Pipeline foram testemunhados de forma chocante no domingo, quando o americano Evan Geiselman, competidor do QS, quase se afogou após uma queda terrível que o jogou na bancada de corais. Fanning estava por perto e ajudou o bodyboarder sul-africano, André Botha, a salvar Geiselman. Fanning já viveu uma situação de risco esse ano com o aterrorizante ataque de tubarão durante a final do J-Bay Open em Jeffreys Bay.

“Eu me considero extremamente sortudo. Eu tive sorte por ter escapado vivo lá, mas outras pessoas não têm. Estou super feliz por estar aqui e por ter a oportunidade de continuar fazendo o que eu amo. Eu estava andando pela praia e vi o Evan, mas ainda bem que nada pior aconteceu. Eu acho que todos nós sabemos do perigo, é como uma chance de 50%, mas prefiro não pensar sobre isso. Você sabe o que tem que fazer para obter as maiores pontuações nas ondas, então você tem que ter um risco calculado sobre isso”, contou Mick.

Os seis concorrentes. Foto: Cestari/WSL.

Filipe Toledo é quem tem a maior chance de impedir o tetracampeonato de Mick Fanning. Ele está apenas 200 pontos atrás do australiano e já assume a ponta do ranking se passar uma bateria no Billabong Pipe Masters. Isto porque o seu descarte no Hawaii é de 500 pontos, contra 1.750 de Fanning, Adriano, Medina e Owen Wright. Então Filipe chegará à terceira fase já somando 1.250 pontos dessa diferença, enquanto os demais permanecem com a mesma pontuação. Ele nunca tinha vencido uma etapa do WCT antes, mas já ganhou três esse ano e pode se tornar o mais jovem campeão mundial de toda a história da WSL.

Adriano, Mick e Filipe. Foto: Cestari/WSL.

“Ser um concorrente ao título mundial é totalmente diferente, mas estou me sentindo bem tranqüilo. Foi um ano incrível pra mim com três vitórias e três notas 10, foi muito divertido. São tantos caras que lutam por um título mundial e estar aqui entre eles é maravilhoso. Estou muito feliz por ser um dos que estão lutando por isso ainda nessa última etapa. Espero conseguir pegar grandes tubos aqui e apenas desejo o melhor para todos”, falou Filipinho

O mais experiente da seleção brasileira que hoje domina o WCT é Adriano de Souza, que liderou o ranking boa parte da temporada e no momento ocupa a terceira posição, com grande chance de conquistar seu primeiro título mundial. Mineirinho competiu com a “lycra amarela” do Jeep Leaderboard desde a quarta etapa no Brasil, Oi Rio Pro, até a oitava em Trestles, na Califórnia, quando perdeu sua segunda final no ano para Mick Fanning.

Mineiro. Foto: Kirstin/WSL.

“Nos últimos dez anos, este tem sido o meu sonho, de chegar aqui em Pipeline com chance de ganhar o título mundial. Durante todos esses anos, eu assisti os campeões na praia gritando e chorando, então ficava pensando em um dia estar vivendo isso também. É realmente especial termos três brasileiros e três australianos disputando o título. Certamente vai ser muito emocionante e espero que comece logo o campeonato. Foi ótimo começar forte o ano (com um terceiro lugar na primeira etapa, segundo na segunda e primeiro na terceira, todas na Austrália), mas agora você tem que terminar bem. Estou ansioso em fazer o meu melhor aqui para conseguir meu primeiro título mundial. Eu sei que vai ser difícil, muito competitivo, com um tricampeão mundial, o Gabriel campeão do ano passado, o Julian vencedor do Pipe Masters, o jovem Filipe, também em ótima fase. Todos que estão aqui merecem ser campeão e muita coisa vai acontecer nos tubos enormes que estão previstos pra essa semana”, contou Mineiro.

O atual campeão mundial Gabriel Medina não começou bem a temporada, mas reagiu a partir da etapa da África do Sul, foi vice-campeão no Tahiti, venceu na França e está na briga pelo bicampeonato. No entanto, o cenário dessa vez é bem diferente do ano passado e ele já entra no Billabong Pipe Masters pressionado em ter que chegar nas semifinais, além de depender dos resultados dos outros concorrentes.

Medina e Julian Wilson. Foto: Kirtsin/WSL.

“Eu tenho treinado forte desde o início do ano, mas realmente não sei explicar o que aconteceu nos primeiros eventos da temporada. Você sempre vai ter altos e baixos na vida, mas sempre entro nos campeonatos pra ganhar. Eu estava treinando e surfando todos os dias, até que algo aconteceu em Jeffreys Bay e os resultados voltaram a aparecer. Eu sinto que estava surfando bem, mas nem sempre dá tudo certo pra você. No ano passado, tinha toda uma pressão para ser o primeiro campeão mundial brasileiro, todo mundo só falava disso, mas este ano não tem essa pressão, parece mais tranquilo”, disse Medina.

Depois de fazer história no Fiji Pro, ganhando duas baterias computando duas notas 10 nos tubos de Cloudbreak, inclusive na grande final quando venceu a etapa, Owen Wright se credenciou para estar na briga do título mundial esse ano. Diferente dos cinco concorrentes, ele preferiu não competir nas outras duas provas da Tríplice Coroa Havaiana, em Haleiwa e Sunset Beach, para se concentrar só no Billabong Pipe Masters.

Owen Wright. Foto: Kirstin/WSL.

“Eu surfei minha melhor onda aqui em Pipeline dois dias atrás e estou realmente feliz por estar aqui. Eu acho que você pode ficar um pouco mais despreocupado, mas ao mesmo tempo existe um objetivo. O nível técnico do circuito esse ano foi muito alto e é por isso que seis de nós estão aqui agora com chances de ser campeão. Eu sei que tenho muito trabalho a fazer, que preciso da vitória aqui, então vamos ver o que vai acontecer”, falou Owen.

Entre os candidatos ao título, quem já mostrou como competir em Banzai Pipeline é Julian Wilson, campeão do Billabong Pipe Masters na final contra Gabriel Medina e também da Tríplice Coroa Havaiana no ano passado. Ele ainda tem chance matemática de conquistar o título mundial, mas precisa de outra vitória em Pipeline, bem como conseguir o bi na Vans Triiple Crown of Surfing.

“Eu sei exatamente o que tenho que fazer em termos de passar algumas baterias e outros não. Para mim, é ir lá e vencer o campeonato. Ter uma chance é algo especial pra mim e estou ansioso para dar tudo de mim. Espero conseguir fazer o que preciso fazer e também contar com um pouco de sorte. A Tríplice Coroa não está fora de questão para mim novamente este ano, então vai ser um evento muito divertido”, disse Julian.

As contas dos brasileiros para alcançar o posto de melhor surfista do mundo você pode ver em: surfar.com.br/as-contas-de-mineiro-filipe-e-medina-para-o-titulo.

KIRSTINAxel Irons celebrando seu aniversário na abertura do Billabong Pipe Masters em memória ao seu pai Andy Irons. Foto: Kirstin/WSL.

PRIMEIRA FASE – Vitória=Terceira Fase e 2.o e 3.o=Segunda Fase:

1.a: Italo Ferreira (BRA), Adrian Buchan (AUS), Glenn Hall (IRL)
2.a: Owen Wright (AUS), Jadson André (BRA), Dusty Payne (HAW)
3.a: Gabriel Medina (BRA), Keanu Asing (HAV), wildcard
4.a: Adriano de Souza (BRA), Michel Bourez (TAH), wildcard
5.a: Filipe Toledo (BRA), Kolohe Andino (EUA), wildcard
6.a: Mick Fanning (AUS), Sebastian Zietz (HAV), wildcard
7.a: Julian Wilson (AUS), Kai Otton (AUS), Ricardo Christie (NZL)
8.a: Jeremy Flores (FRA), Matt Wilkinson (AUS), Jordy Smith (AFR)
9.a: Kelly Slater (EUA), Taj Burrow (AUS), C. J. Hobgood (EUA)
10: Nat Young (EUA), John John Florence (HAW), Brett Simpson (EUA)
11: Bede Durbidge (AUS), Wiggolly Dantas (BRA), Adam Melling (AUS)
12: Josh Kerr (AUS), Joel Parkinson (AUS), Miguel Pupo (BRA)

PIPE INVITATIONAL – classifica dois surfistas para o Billabong Pipe Masters:

1.a: Jack Freestone (AUS), Sunny Garcia (HAW), Griffin Colapinto (EUA), Nathan Fletcher (EUA)
2.a: Mason Ho (HAW), Dane Reynolds (EUA), Gavin Gillette (HAW), Makai McNamara (HAW)
3.a: Ian Walsh (HAW), Joel Centeio (HAW), Kaimana Jaquias (HAW), Mikey Bruneau (HAW)
4.a: Jack Robinson (AUS), Kalani David (HAW), Hank Gaskell (HAW), Isaiah Moniz (HAW)
5.a: Ezekiel Lau (HAW), Seth Moniz (HAW), Alex Smith (HAW), Nathan Florence (HAW)
6.a: Josh Moniz (HAW), Kiron Jabour (HAW), Jamie O’Brien (HAW), Myles Padaca (HAW)
7.a: Granger Larsen (HAW), Kaito Kino (HAW), Kekoa Cazimero (HAW), Evan Valiere (HAW)
8.a: Tanner Hendrickson (HAW), Billy Kemper (HAW), Olamana Eleogram (HAW), Luke Shepardson (HAW)

TOP-22 NO JEEP LEADERBOARD DA WORLD SURF LEAGUE – após 10 etapas

1.o: Mick Fanning (AUS) – 49.900 pontos
2.o: Filipe Toledo (BRA) – 49.700
3.o: Adriano de Souza (BRA) – 49.450
4.o: Gabriel Medina (BRA) – 45.530

5.o: Owen Wright (AUS) – 43.600
6.o: Italo Ferreira (BRA) – 41.600
7.o: Julian Wilson (AUS) – 41.450
8.o: Jeremy Flores (FRA) – 37.700
9.o: Kelly Slater (EUA) – 34.150
10: Nat Young (EUA) – 33.200
11: Bede Durbidge (AUS) – 30.450
12: Josh Kerr (AUS) – 29.650
13: Joel Parkinson (AUS) – 27.100
14: Wiggolly Dantas (BRA) – 26.850
15: John John Florence (HAW) – 25.200
16: Taj Burrow (AUS) – 24.950
17: Matt Wilkinson (AUS) – 23.750
18: Kai Otton (AUS) – 23.600
19: Adrian Buchan (AUS) – 21.450
20: Jadson André (BRA) – 19.950
21: Keanu Asing (HAW) – 18.750
22: Michel Bourez (TAH) – 18.700
25: Miguel Pupo (BRA) – 15.250
34: Alejo Muniz (BRA) – 8.450
41: Bruno Santos (BRA) – 4.000
43: Tomas Hermes (BRA) – 3.250
44: Caio Ibelli (BRA) – 2.250
45: Alex Ribeiro (BRA) – 500
45: David do Carmo (BRA) – 500