‘Davizinho Radical’ conquista a maior nota isolada e o maior somatório dos dois dias de competição nas ondas do Leblon.

As ondas do posto 11 da praia do Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, foram o palco da primeira etapa do Circuito ADAPTSURF 2016 neste último fim de semana. Uma competição que promove a inclusão social das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. (Em destaque: Davi Teixeira em ação nas ondas do Leblon. Foto: Reprodução Facebook/Regina Tomolei)

Os participantes da primeira etapa do Circuito ADAPTSURF 2016. Foto: Pedro Monteiro.

Foi nas areias do Leblon que a história do ADAPTSURF, e mais precisamente do surf adaptado no Brasil como um todo, ganhou notoriedade e profissionalismo. Pelas mãos de Henrique Saraiva e todos os seus parceiros da ONG, o projeto saiu o papel e tomou corpo, transformando a vida de centenas de brasileiros que lutam diariamente por uma maior acessibilidade no país.

Davi Teixeira durante o evento. Foto: Pedro Monteiro.

Dentro d’água com suas pranchas, os competidores mais uma vez deram um espetáculo à parte. E, como não poderia ser diferente, Davi Teixeira foi a estrela da prova. Na categoria Assist, onde surfistas cadeirantes precisam de alguns assistentes, tanto para entrarem na onda quanto ao completá-la e reposicioná-los no outside, Davizinho arrancou dos juízes a maior nota isolada e o maior somatório dos dois dias de competição (9,67 e 17 pontos), numa disputa de semifinal acirradíssima contra a guerreira Isabela Alves.

Davi durante a primeira etapa do Circuito ADAPTSURF 2016. Foto: Reprodução Facebook/Regina Tomolei.

Cheio de moral, Davizinho travou uma batalha direta na bateria decisiva com Camila Fuchs, que há mais de seis anos surfa com o ADAPTSURF. No placar das melhores médias, melhor para Davi, que totalizou 16,17 pontos enquanto Camila parou nos 13,10. Eduardo Mayr mostrou bastante desenvoltura e, com prancha própria e especialmente adaptada, ficou em terceiro. Isabel Alves ficou em quarto lugar e completou o pódio.

O dia de competições começou com a final da categoria Surdos. Há mais de cinco anos ajudando a fomentar o surf na comunidade dos deficientes auditivos, André Menezes manteve seu protagonismo e venceu Fábio Quintela, Henrique Quintela e Armando Mesquita, respectivamente segundo, terceiro e quarto colocados.

Pódio da categoria Surdos. Foto: Pedro Monteiro.

Partindo para a categoria Stand, o catarinense Robson Gasperi fez valer a longa viagem do sul do país até o Rio de Janeiro e fez bonito, vencendo nas águas do Leblon. O surfista Miguel Longo também mostrou muita evolução e venceu o fundador da ONG ADAPTSURF, Henrique Saraiva. A atual campeã brasileira Fernanda Tolomei teve que enfrentar os meninos e, no final, acabou na quarta colocação.

“Estou muito emocionado com tudo que está acontecendo. A ADAPT começou aqui no Leblon, com ajuda do meu amigo Sifu, que me levava para surfar 10 anos atrás. Agora temos o apoio da cerveja Praya, que ele produz, e uma estrutura muito legal da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Aqui somos todos vencedores. O surf já chegou num patamar de bastante praticantes, que temos até essa competição para cororar os bons surfistas”, disse Henrique, orgulhoso do desfecho dessa etapa.

Pódio da categoria Fun. Foto: Pedro Monteiro.

VOLUNTÁRIOS

Para quase todas as categorias, o surf adaptado precisa de voluntários que ajudem com cuidado aos surfistas, seja na hora de ir para a água, entrar no mar, ou surfar uma onda. Neste evento, o ADAPTSURF contou com ajuda do Betinho Dias, Alison, Guga, Vinicius e Alex Pessoas que fizeram toda a diferença para a realização dessa competição.

Betinho Dias, Alison, Guga, Vinicius, Luiz Phelipe e Alex Pessoas estiveram entre os voluntários da primeira etapa. Foto: Pedro Monteiro.

Além deles, Luiz Phelipe, que é fisioterapeuta e faz parte do conselho da ONG, é o braço direito do ADAPTSURF e todo fim de semana coloca a mão na massa para proporcionar essa emoção aos novatos e os já praticantes do surf adaptado. Com todo seu carinho, orienta o voluntário, passando conforto para os praticantes.

“Assim como eu precisei do Marcos Sifu para voltar a surfar na época, o surf adaptado não é nada sem auxílio da galera voluntária, que ajuda a qualquer surf que a gente faz”, complementou Henrique Saraiva.

Eduardo Mair. Foto: Pedro Monteiro.

O CIRCUITO ADAPTSURF 2016 tem o patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, apoio da Cerveja Praya e Geka. Realização ONG ADAPTSURF e homologado pela FESERJ.

Estrutura do evento nas areias da praia do Leblon. Foto: Gabriel Alho.

SOBRE A ADAPTSURF

A ONG ADAPTSURF é uma entidade sem fins lucrativos, que promove a inclusão social das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, garantindo igualdade de oportunidades e acesso ao lazer, esporte e cultura, através do contato direto com a Natureza. Sua proposta é desenvolver e divulgar o surf adaptado para pessoas com deficiência, lutar pela preservação da Natureza e por melhorias na acessibilidade das praias.

A ONG acredita que o surf pode ser uma excelente ferramenta nas questões sociais, culturais e ambientais por se tratar de um esporte saudável, democrático e de interação total com a Natureza. O surf adaptado tem se mostrado um excelente aliado na reabilitação de pessoas com algum tipo de deficiência, além de seus benefícios físicos e mentais, é capaz de proporcionar momentos de conquistas e desafios. A modalidade encontra-se em desenvolvimento, ainda sem muita divulgação, no entanto já possui adeptos no mundo todo.

Cadeira anfíbia. Foto: Pedro Monteiro.

SOBRE O PROJETO ACESSIBILIDADE DAS PRAIAS

Iniciado em 2007, o Projeto Acessibilidade das Praias tem como objetivo discutir, divulgar, promover e viabilizar a acessibilidade das praias. A ONG ADAPTSURF desenvolve estudos urbanísticos e ambientais sobre as condições dos acessos das praias e entorno, analisando principalmente o acesso à faixa de areia e ao mar pelas pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Em 2008, o Projeto atingiu o seu principal objetivo que era conscientizar a população e, principalmente, os órgãos públicos sobre a importância da acessibilidade das praias para garantir o acesso ao lazer e ao esporte praticado pelas pessoas com deficiência no ambiente natural da praia.

Pioneira nas questões de acessibilidade das praias, a ADAPTSURF foi a primeira a oferecer gratuitamente atividades de esporte e lazer adaptados, utilizando a cadeira anfíbia e a esteira Mobi-Mat para promover o acesso. O modelo de Praia Acessível foi resultado de estudos realizados em praias do mundo todo, através dos exemplos positivos encontrados na Califórnia, Hawaii, Austrália, Espanha e no projeto desenvolvido em Portugal, desde 2004, chamado de “Praia Acessível, Praia para Todos”.

O Projeto repercutiu de forma positiva entre as entidades ligadas às pessoas com deficiência, gerando o interesse em formar parcerias para adaptar e estender o Projeto para outras regiões do Brasil. Recebemos o contato de pessoas da Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e São Paulo. Os hotéis da orla também demonstraram interesse em contratar os nossos serviços de consultoria em acessibilidade de praias.