DEDICAÇÃO “MILITAR” PARA CONQUISTAR O BI MUNDIAL

O “Capitão Nascimento” do Circuito Mundial, apelido dado pelos seus colegas do Tour, Adriano de Souza se inspira na rotina das Forças Armadas para manter o foco na carreira.

Dedicação, disciplina e seriedade, além, é claro, de muito surf no pé, estas são as “armas” do campeão Adriano de Souza na luta pela conquista do bicampeonato mundial. E sua inspiração vem da profissão de seu irmão mais velho, Ângelo, que serviu ao Exército por oito anos e hoje atua na área de combate a crimes ambientais no Guarujá, SP. E caso não fosse surfista profissional, Adriano diz que também teria seguido o exemplo de seu irmão e seria militar. (Em destaque: Adriano de Souza durante seus treinos. Foto: Sloane/WSL)

O treinamento complementar de Adriano de Souza, que consiste em uma terapia manual para manter o corpo livre de tensões e equilibrado, além de um treinamento preventivo chamado de biomecânica funcional. Foto: Henrique Pinguim.

“Gosto da disciplina, da dedicação e da seriedade da vida militar. Por ter sido criado também pelo meu irmão, que é militar e minha maior inspiração, eu absorvi muito disso, de ter esse comprometimento com a profissão. Tiro todos esses conceitos que disse para a minha carreira. No esporte de alto nível, esses três quesitos contam muito, pois é muita pressão e muitos desafios que enfrentamos”, falou Mineirinho.

Adriano durante o Gotcha Ichinomiya Chiba Open em maio no Japão. Foto: Robertson/WSL.


“Sou muito feliz e grato por poder fazer parte de uma tropa de elite, com tantos atletas bons.”

Ângelo, irmão e inspiração de Mineirinho. Foto: Arquivo pessoal.

Ângelo, irmão e inspiração de Mineirinho. Foto: Arquivo pessoal.

Adriano e Ângelo foram criados na favela Santo Antônio no Guarujá. Doze anos mais velho que o surfista, Ângelo entrou para o Exército aos 18 de idade.

Conhecido como Mineiro pelos colegas de bairro, Ângelo foi quem introduziu Adriano no surf, dando-lhe a primeira prancha de presente ainda na infância. Anos depois, o “Capitão Nascimento” do surf segue firme na briga pelo bicampeonato mundial.

“Ganhei o apelido Capitão Nascimento da molecada do Tour. Eles acabaram enxergando em mim um líder e me chamam assim pela forma como encaro as baterias e batalho pelas vitórias. Encaro esse apelido como uma grande virtude. Sou muito feliz e grato por poder fazer parte de uma tropa de elite, com tantos atletas bons”, contou o perfeccionista e disciplinado surfista do Guarujá, que é reconhecido como um líder dentre os atletas do Circuito Mundial.

Adriano numa sessão de free surf em Cloudreak em Fiji. Foto: Cestari/WSL.

 “A expectativa para J-Bay é a melhor possível e estou me sentindo ótimo.”

Adriano com seu treinador Leandro Dora. Foto: Henrique Pinguim.

Adriano com seu treinador Leandro Dora. Foto: Henrique Pinguim.

No momento ocupando a terceira colocação do ranking mundial, om 26.150 pontos, Adriano pode assumir a liderança do Circuito Mundial ao fim da etapa de Jeffreys Bay.

Para isso, ele precisa terminar a competição à frente dos três primeiros colocados, que são o australiano Matt Wilkinson, o havaiano John John Florence e o sul-africano Jordy Smith.

Na etapa de Fiji, Mineiro esteve muito perto de alcançar o posto de número 1 do mundo. Depois das eliminações precoces de John John Florence, Jordy Smith e Owen Wright, bastava ao brasileiro derrotar Stuart Kennedy na terceira fase para ultrapassar seus principais rivais.

Adriano chegou a estar vencendo o australiano, mas acabou superado por 14.83 a 14.33, abrindo caminho para a vitória e a liderança de Matt Wilkinson. “Eu e Stuart tivemos uma ótima disputa e ele conseguiu aproveitar uma onda melhor que eu e ficou com a melhor somatória. Tentei no fim mas não consegui a virada, e o tempo acabou”, recordou Adriano.

O brasileiro em ação durante o Outerknown Fiji Pro. Foto: Sloane/WSL.

Apesar da derrota na terceira fase da etapa de Fiji, Mineirinho está motivado e fala que suas expectativas são ótimas para Jefrreys Bay: “Fiz a preparação nas Maldivas com o vencedor do meu campeonato virtual, pegamos altas ondas. Vim para a África do Sul contente e pronto para me recuperar e melhorar a terceira posição no ranking. A expectativa para J-Bay é a melhor possível e estou me sentindo ótimo.”

Adriano na etapa de Jeffreys no ano passado. Foto: Tostee/WSL.


“Gosto da disciplina, da dedicação e da seriedade da vida militar. Por ter sido criado também pelo meu irmão, que é militar e minha maior inspiração, eu absorvi muito disso.”

Adriano está confiante para a etapa de  Jeffreys Bay. Foto: Cestari/WSL.

Adriano está confiante para a etapa de Jeffreys Bay. Foto: Cestari/WSL.

A próxima parada do Tour 2017 começa amanhã, quarta-feira (12/07), e vai até a 23 de julho nas ondas de Jeffreys Bay, na África do Sul. E o Corona J-Bay Open contará com três confrontos brasileiros já na primeira fase, com Mineirinho estreando na bateria 3 contra o português Frederico Morais e o brasileiro Jadson André.

E a briga promete ser bem acirrada, já que Matt Wilkinson ultrapassou John John Florence por apenas 250 pontos e só tem 600 pontos de vantagem sobre os agora terceiros colocados, Adriano de Souza, Jordy Smith e Owen Wright. Então, a tão disputada lycra amarela de número 1 do mundo vai ficar com quem chegar na frente em J-Bay.

 Também CLIQUE AQUI e entenda quem são os tops que podem assumir o topo do ranking em J-Bay.

CONFIRA AS BATERIAS DA PRIMEIRA FASE DO CORONA OPEN J-BAY

1. Joel Parkison (AUS) x Wiggolly Dantas (BRA) x Miguel Pupo (BRA)
2. Owen Wright (AUS) x Bede Durbidge (AUS) x Josh Kerr (AUS)
3. Adriano de Souza (BRA) x Frederico Morais (PRT) x Jadson Andre (BRA)
4. Matt Wilkinson (AUS) x Jeremy Flores (FRA) x Ethan Ewing (AUS)
5. Jordy Smith (AFS) x Conner Coffin (EUA) x a definir
6. John John Florence (HAW) x Ian Gouveia (BRA) x a definir
7. Kolohe Andino (EUA) x Italo Ferreira (BRA) x Leonardo Fioravanti (ITA)
8. Julian Wilson (AUS) x Kelly Slater (EUA) x Kanoa Igarashi (EUA)
9. Connor O’Leary (AUS) x Adrian Buchan (AUS) x Jack Freestone (AUS)
10. Gabriel Medina (BRA) x Caio Ibelli (BRA) x Stuart Kennedy (AUS)
11. Sebastian Zietz (HAW) x Mick Fanning (AUS) x Joan Duru (FRA)
12. Michel Bourez (TAH) x Filipe Toledo (BRA) x Ezekiel Lau (HAW)

Fonte: globoesporte.globo.com