O gaúcho Everton Luis saiu da pequena cidade litorânea de Osório, RS, para ganhar o mundo eternizando momentos com sua câmera. Surfista muito antes de se tornar fotógrafo, ele iniciou suas aventuras por Santa Catarina em busca de boas ondas, mas logo começou sua arte de registrar o surf e seu cotidiano. “Fotografia para mim não é apenas uma profissão, é minha vida!”, conta. Atualmente morando na Indonésia, Everton, além do privilégio de ter as melhores ondas como palco para surfar e trabalhar, está comemorando 23 anos desde seu primeiro contato com o mundo da fotografia. A Surfar não poderia deixar essa data passar em branco e resolveu homenageá-lo com seu portfólio.

“Fotografia é a minha vida!”

IMG_9537NASCIDO: 27/08/73

RESIDENCIA ATUAL: Bali / Indonésia

TEMPO DE FOTOGRAFIA: 23 anos

EQUIPAMENTO: Canon Digital

MELHOR PICO PARA FOTOGRAFAR: Cacimba do Padre em Fernando de Noronha, Greenbush em Mentawai e Grower em Desert Point.

MELHOR TRIP: J-Bay, África do Sul

PIOR TRIP: Lobitos, Peru

CAPAS PUBLICADAS: Revista Quiver, Revista Line Up, Revista X-Treme, Revista Shack (Alemanha), Revista Solto, Revista Surf Portugal (Portugal), Revista Hardcore, Revista Carve (Inglaterra) e Revista Surf Time (Indonésia).

MELHORES SURFISTAS PARA FOTOGRAFAR: Bruno Santos, Stephan Figueiredo, Ricardo Santos, Caio Ibelli, Pedro Henrique, entre outros.

INFLUÊNCIAS NA FOTOGRAFIA / FOTOGRAFOS FAVORITOS: Sebastian Rojas, Renato Tinoco, Pedro Tojal, Diogo d’Orey, Brian Bielmann, Todd Glaser, entre outros.

CONSELHO PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO: Aprenda o que é fotografia, não apenas a clicar.

SITE: www.evertonluisimagens.com.br

IMG_6300-TomasHermesLekayPeakSumbawaPhotoEvertonLuisTomas Hermes no brilho do final de tarde em Lakey Peak, Sumbawa, onde o sol se põe no mar e resulta nessa explosão de luz impressionante!

O INÍCIO DO AMOR PELA FOTOGRAFIA

Costumo falar que a fotografia “caiu no meu colo”! Eu era surfista, porém nunca me passou pela cabeça ser fotógrafo até que ganhei um concurso da minha escola e o prêmio foi um curso de fotografia. Essa descoberta ainda demorou dois anos para relacioná-la ao surf, pois eu fotografava calçado, joias e roupas dentro de um  estúdio. Mas quando caiu a ficha que eu poderia usar essa profissão para me manter próximo do mar e do surf, agarrei a oportunidade com as duas mãos, já que amava o mar e o contato com a natureza. A mudança aconteceu em Garopaba, onde aproveitando as condições boas, eu consegui bancar o meu “luxo” de viver naquele lugar e aos poucos fui fazendo meu nome com minhas primeiras fotos publicadas e sendo requisitado para pequenas trips.

APRENDENDO O OFÍCIO NA MARRA

Ter vindo da era do filme muito antes da era digital é um orgulho para mim, apesar de todo o trabalho que tinha, pois em Garopaba não havia laboratório para revelar os negativos e os slides. Mas aprendi tudo entre erros e acertos, fazendo cálculos de luz, olhando para o sol e as condições do tempo, já que nada era automático ou digital como hoje. Na época, nós jamais sairíamos clicando desvairadamente para depois ver o que ficou bom e jogar fora o que sobrasse. Você não podia errar muito, caso contrário não teria como refazer. E isso era muito bom… Saber como a luz incide sobre uma superfície, como ficaria o resultado, mesmo antes de revelar os negativos. Sem desmerecer ninguém, atualmente qualquer pessoa entra em uma loja, compra a melhor máquina, sai fotografando e dizendo que é fotografo, pois o equipamento faz tudo e, se algo sair errado, pode ser refeito na hora.

Peterson Marchese fazendo a alegria do fotógrafo com esse momento.Peterson Marchese fazendo a alegria do fotógrafo com esse momento.

OPÇÃO POR FOTOS AQUÁTICAS 

Desde o meu primeiro desembarque na Indonésia, há 14 anos, eu já sabia que um dia estaria morando aqui em tempo integral. E foi assim que começou o meu fascínio por fotos aquáticas. O mestre Sebastian Rojas me apoiou no início, quando cheguei com minha caixa-estanque de acrílico ao lado dele e disse que ficaria ali o observando para tentar aprender alguma coisa. Para mim, ele sempre foi um ídolo, sem falar que na minha lista ele é um dos melhores do mundo. Mas o Brasil está muito bem representado por fotógrafos de dentro d’água, nomes como Pedro Tojal, Renato Tinoco, Diogo d‘Orey e Paulo Barcelos, que estão arrebentando! Sempre vejo altas fotos deles.

SENSAÇÃO DE FOTOGRAFAR DENTRO D’ÁGUA

O ângulo que nós fotógrafos aquáticos temos é incomparável! Estar ali, muitas vezes se arriscando para conseguir ângulos inéditos, é como uma droga e vicia literalmente, sem falar que cada vez ficamos mais abusados. A sensação é tão boa quanto estarmos nós mesmos surfando. Já vibrei com tubos que fotografei muito mais do que o próprio surfista, o que, aliás, acontece com frequência. Quanto mais difícil o ângulo, mais amarradão fico. Comemoro muito o registro e também o fato de simplesmente estar ali.

DAS FOTOS PARA AS FILMAGENS

Depois de quase três anos fotografando e filmando direto na Indonésia, me deparei com um arquivo imenso e muito rico de imagens de altíssima qualidade. No começo foi complicado me concentrar em gravar vídeos e fotografar ao mesmo tempo. Mas fui aprimorando meu posicionamento e me conectando mais às imagens de vídeo. Comecei a pensar nas gravações e a ligar a câmera já quando o surfista dropava a onda, filmando desde o início e disparando a câmera fotográfica somente no momento mais próximo de mim, resultando em imagens de vídeos e fotos para serem usadas pelas marcas e mídias em geral. Hoje meu maior projeto é o filme Emotion, que aconteceu como um presente. É meu primeiro filme e vender ele online, por um valor simbólico, é a forma que encontrei para continuar vivendo esse sonho e fazer com que as pessoas possam sentir um pouquinho do que sinto quando estou no mar, sendo energizado por ondas perfeitas.