GRINGOS LEVAM O TÍTULO E BRASILEIROS PARAM NAS SEMIS DO MUNDIAL PRO JR

Nossos representantes João Chianca e Tainá Hinckel pararam nas semifinais diante do havaiano Finn McGill e da taitiana Vahine Fierro, que levaram o título do WSL Jeep World Junior Championship 2017 na Austrália.

O saquaremense João Chianca e a catarinense Tainá Hinckel ficaram muito próximos das decisões dos últimos títulos mundiais de 2017 da World Surf League na Austrália.

O campeão Finn McGill. Foto: Dunbar/WSL.

O campeão Finn McGill. Foto: Dunbar/WSL.

Chianca e Tainá perderam por pouco nas semifinais e só foram derrotados pelos campeões da prova, o havaiano Finn McGill e a taitiana Vahine Fierro.

O Brasil é recordista de títulos masculinos desta categoria para surfistas com até 18 anos de idade, mas a jovem catarinense, de apenas 14 anos, foi a primeira a conseguir um terceiro lugar na competição feminina.

Nas baterias finais entre as meninas, Vahine bateu a havaiana Summer Macedo, já entre os rapazes, Finn derrotou o japonês Joh Azuchi no último duelo disputado na quarta-feira em Bombo Beach, Kiama.

Samuel Pupo terminou em quinto lugar, mas  saiu da Austrália como recordista absoluto nas ondas de Bombo Beach. Foto: Smith/WSL.

Apesar de não conseguirem os títulos mundiais, os brasileiros mostram uma excelente performance nas boas ondas de 3-4 pés do último dia. O paulista Samuel Pupo fez a melhor apresentação do evento na quarta fase.

Pupo pegou uma direita da série, uma das maiores do dia, que abriu a parede para atacar forte, variando batidas e rasgadas potentes com velocidade para arrancar nota 9,40 dos juízes. Em seguida, ele achou uma esquerda boa também para tirar 7,93 e aumentar o outro recorde do campeonato para 17,33 pontos.

João Chianca bateu na trave e quase consegue passar para a grande final. Foto: Dunbar/WSL.

João Chianca tinha ficado em segundo lugar no duelo anterior e essa combinação de resultados acabou formando uma bateria verde-amarela nas quartas de final. Os dois fizeram um grande duelo, surfaram boas ondas e Chianca levou a melhor por décimos de diferença no placar encerrado em 13,54 a 13,07 pontos.

Com a derrota, Samuel terminou em quinto lugar no WSL Jeep World Junior 2017, mas saiu da Austrália como recordista absoluto nas ondas de Bombo Beach. Nas semifinais, o local de Saquarema surfou bem de novo e quase consegue passar para a grande final. O havaiano abriu com a nota 4,67 em sua primeira onda e depois conseguiu um 6,50, que foi a maior da bateria.

O japonês Joh Azuchi. Foto: Smith/WSL.

O japonês Joh Azuchi. Foto: Smith/WSL.

Chianca não teve um bom início, mas entrou na briga com um 5,40 em sua quarta onda e chegou muito perto da vitória no final.

A nota saiu 5,60 e ele acabou superado por uma pequena vantagem de 11,17 a 11,00 para o novo campeão mundial.

O brasileiro dividiu o terceiro lugar com Yuji Nishi, que tinha acabado de perder a semifinal japonesa para o vice-campeão, Joh Azuchi.

DECISÃO MASCULINA 

Mesmo após ter sofrido uma lesão no tornozelo dias antes do início do Jeep World Junior, Finn McGill surfou forte durante todo o último dia e foi atropelando adversários com suas batidas e rasgadas abrindo grandes leques de água nas direitas e esquerdas de Bombo Beach.

Finn McGill com a taça de campeão. Foto: Dunbar/WSL.

Finn McGill com a taça de campeão. Foto: Dunbar/WSL.

Na grande final, o havaiano não deu qualquer chance para o japonês Joh Azuchi. Ele já largou na frente com nota 8,00 em sua primeira onda e depois surfou outra melhor ainda que valeu 8,90 para vencer por 16,90 a 11,00 pontos.

“Eu nem sei o que falar agora, é quase inacreditável tudo isso! Depois da lesão que sofri antes do campeonato, realmente não esperava um grande resultado no evento. Não achava que conseguiria surfar num ritmo muito alto e parecia apenas que estava tentando me curar da contusão. Tudo mudou em mim nas quartas de final e de repente comecei a me sentir melhor, surfando com mais fluidez e segurança. Quando cheguei na final, sabia que seria apenas mais uma bateria, então tinha que esperar as ondas boas para surfar o meu melhor e foi o que fiz”, contou o havaiano.

Finn McGill foi o quarto havaiano a conquistar o título mundial Pro Junior na história desta competição iniciada em 1998 com vitória de outro surfista da ilha de Oahu, o já falecido Andy Irons. Depois, Kekoa Bacalso foi o campeão em 2005 e Kai Barger em 2008.

Lucas Silveira comemorando o título em 2015. Foto: WSL.

Lucas Silveira comemorando o título em 2015. Foto: WSL.

O Brasil é o recordista com sete títulos conquistados nas dezenove edições completadas nesta quarta-feira na Austrália. A supremacia começou no ano 2000 com o carioca Pedro Henrique. Depois, Adriano de Souza venceu a decisão de 2003, o cearense Pablo Paulino foi bicampeão em 2004 e 2007, o paulista Caio Ibelli ganhou o circuito de 2011, Gabriel Medina faturou o título de 2013 e o carioca Lucas Silveira levou o troféu de 2015.

O novo campeão mundial dedicou o título para o havaiano Dusty Payne que, no dia anterior, terça-feira, sofreu uma grave contusão surfando em Backdoor, na ilha de Oahu, que está se recuperando no hospital. “O Dusty é um surfista que sempre me inspirou e fiquei muito chateado com o que aconteceu ontem com ele. Ele esteve em meus pensamentos o dia todo e em cada bateria. Eu quero dedicar essa vitória a ele e fico feliz em saber que ele está bem. Mal posso esperar para chegar em casa e visitar ele, pois é muito bom que ele ainda está conosco”, disse o campeão McGill.

TÍTULO FEMININO 

Entre as meninas, a jovem catarinense Tainá Hinckel, local da Guarda do Embaú, não conseguiu o título, mas conquistou um resultado inédito para o Brasil. A categoria feminina só foi incluída no Mundial Pro Junior em 2005 e nunca uma brasileira havia chegado nas semifinais.

A jovem catarinense Tainá Hinckel fez bonito na categoria feminina. Foto: Foto: Smith/WSL.

Com apenas 14 anos de idade ainda, Tainá passa a ser a esperança de um primeiro título verde-amarelo feminino para os próximos anos. Na quarta-feira, ela se destacou ao barrar a atual campeã mundial, Macy Callaghan, nas quartas de final.

A taitiana Vahine Fierro. Foto: Smith/WSL.

A taitiana Vahine Fierro. Foto: Smith/WSL.

As duas conseguiram notas parecidas em suas melhores ondas e a bateria foi decidida nas últimas que elas surfaram. A da brasileira foi melhor e valeu 4,70 contra 4,27 da australiana. A catarinense despachou a grande favorita ao bicampeonato mundial por 9,93 a 9,60 pontos.

Nas semifinais, Tainá surfou a melhor onda da bateria contra a taitiana Vahine Fierro, porém faltou uma outra nota um pouco maior para somar com o 6,33 recebido nessa e a catarinense foi eliminada pela nova campeã mundial por 11,67 a 9,00 pontos.

Tainá Hinckel dividiu o terceiro lugar no WSL Jeep World Junior Championship 2017 com a japonesa Minori Kawai, outra surpresa do evento esse ano. Na grande final, Vahine Fierro começou muito bem com nota 7,50 e dominou toda a bateria contra a havaiana Summer Macedo.

O primeiro título mundial do Taiti em toda a história da World Surf League, foi conquistado por uma larga vantagem de 12,83 a 6,36 pontos e Vahine Fierro festejou bastante o feito inédito para o seu país conseguido nesta quarta-feira na Austrália.

 Vahine Fierro com a taça do Mundial Pro Jr. Foto: Dunbar/WSL.

Vahine Fierro com a taça do Mundial Pro Jr. Foto: Dunbar/WSL.

“Esta é uma maneira incrível de encerrar minha carreira de Junior e para começar minha temporada 2018 no WSL Qualifying Series. Esta foi a primeira vez que eu participei do Mundial Pro Junior e ganhar o título para o Tahiti é uma coisa incrível, especialmente depois de quase perder na semifinal. Hoje foi um dia muito louco, com um monte de baterias para surfar, mas estávamos todas ansiosas por isso depois de alguns dias difíceis de ondas aqui. Essa foi a minha terceira final com a Summer, e isso é legal, pois somos grandes amigas. Na verdade, nem consigo acreditar ainda que venci o título mundial, mas estou muito feliz”, falou a campeã Vahine .

RESULTADOS DO ÚLTIMO DIA DO WSL JEEP WORLD JUNIOR CHAMPIONSHIP 2017:

Os finalistas do WSL Jeep World Junior Championship 2017 na Austrália. Foto: Dunbar/WSL

Campeão: Finn McGill (HAW) por 16,90 pontos (notas 8,90+8,00) – 10.000 pontos

Vice-campeão: Joh Azuchi (JPN) com 11,00 pontos (6,83+4,17) – 8.000 pontos

SEMIFINAIS MASCULINAS – 3.o lugar com 6.500 pontos:

1.a: Joh Azuchi (JPN) 11.50 x 5.00 Yuji Nishi (JPN)

2.a: Finn McGill (HAW) 11.17 x 11.00 João Chianca (BRA)

QUARTAS DE FINAL MASCULINAS – 5.o lugar com 5.200 pontos:

1.a: Joh Azuchi (JPN) 10.17 x 6.56 Rio Waida (IDN)

2.a: Yuji Nishi (JPN) 9.67 x 6.83 Cody Young (HAW)

3.a: Finn McGill (HAW) 16.03 x 8.46 Barron Mamiya (HAW)

4.a: João Chianca (BRA) 13.54 x 13.07 Samuel Pupo (BRA)

QUARTA FASE MASCULINA – 1.o e 2.o=Quartas de Final e 3.o=9.o lugar com 4.000 pontos:

1.a: 1-Rio Waida (IDN)=12.50, 2-Yuji Nishi (JPN)=11.83, 3-Adin Masencamp (AFR)=11.80

2.a: 1-Cody Young (HAW)=15.07, 2-Joh Azuchi (JPN)=14.23, 3-Sandon Whittaker (AUS)=13.73

3.a: 1-Finn McGill (HAW)=14.63, 2-João Chianca (BRA)=13.57, 3-Liam O´Brien (AUS)=12.63

4.a: 1-Samuel Pupo (BRA)=17.33, 2-Barron Mamiya (HAW)=13.83, 3-Che Allan (BRB)=12.10

TERCEIRA FASE MASCULINA – Derrota=13.o lugar com 1.750 pontos:

———baterias que abriram a quarta-feira:

7.a: Finn McGill (HAW) 11.00 x 10.20 Ocean Macedo (HAW)

8.a: João Chianca (BRA) 14.34 x 7.74 Joshe Faulkner (AFR)

9.a: Liam O´Brien (AUS) 11.93 x 9.90 Mikey McDonagh (AUS)

10: Samuel Pupo (BRA) 12.57 x 11.73 Jake Elkington (AFR)

11: Che Allan (BRB) 11.77 x 10.13 Tyler Gunter (EUA)

12: Barron Mamiya (HAW) 14.53 x 13.60 Keanu Kamiyama (JPN)

———resultados da segunda-feira:

1.a: Rio Waida (IDN) 15.10 x 14.26 Leo Paul Etienne (FRA)

2.a: Yuji Nishi (JPN) 14.97 x 14.27 Momoto Tsuzuki (JPN)

3.a: Adin Masencamp (AFR) 14.33 x 11.57 Mateus Herdy (BRA)

4.a: Joh Azuchi (JPN) 12.73 x 11.80 Ryland Rubens (EUA)

5.a: Sandon Whittaker (AUS) 14.00 x 13.30 Cole Houshmand (EUA)

6.a: Cody Young (HAW) 12.83 x 7.23 Erwan Blouin (FRA)

A vice Summer Macedo. Foto: Dunbar/WSL.

A vice Summer Macedo. Foto: Dunbar/WSL.

DECISÃO DO TÍTULO MUNDIAL PRO JUNIOR FEMININO DE 2017:

Campeã: Vahine Fierro (TAH) por 12,83 pontos (notas 7,50+5,33) – 10.000 pontos

Vice-campeã: Summer Macedo (HAW) com 6,36 pontos (3,43+2,93) – 8.000 pontos

SEMIFINAIS FEMININAS – 3.o lugar com 6.500 pontos:

1.a: Vahine Fierro (TAH) 11.67 x 9.00 Tainá Hinckel (BRA)

2.a: Summer Macedo (HAW) 9.17 x 7.53 Minori Kawai (JPN)

QUARTAS DE FINAL FEMININAS – 5.o lugar com 5.200 pontos:

1.a: Vahine Fierro (TAH) 12.00 x 8.10 Kirra Pinkerton (EUA)

2.a: Tainá Hinckel (BRA) 9.93 x 9.60 Macy Callaghan (AUS)

3.a: Minori Kawai (JPN) 12.00 x 8.83 Zahli Kelly (AUS)

4.a: Summer Macedo (HAW) 13.74 x 9.33 Zoe McDougall (HAW)

TERCEIRA FASE FEMININA – 1.a e 2.a=Quartas de Final e 3.a=9.o lugar com 3.300 pontos:

1.a: 1-Vahine Fierro (TAH)=13.50, 2-Tainá Hinckel (BRA)=12.17, 3-Teresa Bonvalot (PRT)=8.27

2.a: 1-Macy Callaghan (AUS)=13.83, 2-Kirra Pinkerton (EUA)=12.40, Alyssa Lock (AUS)=5.17

3.a: 1-Zahli Kelly (AUS)=15.23, 2-Zoe McDougall (HAW)=11.46, 3-Sophia Fulton (AUS)=10.73

4.a: 1-Summer Macedo (HAW)=12.50, 2-Minori Kawai (JPN)=10.84, 3-Alyssa Spencer (EUA)=8.33

CAMPEÕES MUNDIAIS PRO JUNIOR DA WORLD SURF LEAGUE:

Finn McGill  e Vahine Fierro os novos campeões mundias Pro Jr. Foto: Dunbar/WSL.

Finn McGill  e Vahine Fierro os novos campeões mundias Pro Jr. Foto: Dunbar/WSL.

2017: Finn McGill (HAW) e Vahine Fierro (TAH) na Austrália

2016: Ethan Ewing (AUS) e Macy Callaghan (AUS) na Austrália

2015: Lucas Silveira (BRA) e Isabella Nichols (AUS) em Portugal

2014: Vasco Ribeiro (PRT) e Mahina Maeda (HAW) em Portugal

2013: Gabriel Medina (BRA) e Ella Willians (NZL) no HD World Junior no Brasil

2012: Jack Freestone (AUS) e Nikki Van Dijk (AUS) em Bali, na Indonésia

2011: Caio Ibelli (BRA) e Leila Hurst (HAW) na Indonésia, Brasil, Austrália

2010: Jack Freestone (AUS) e Alizee Arnaud (FRA) na Indonésia e Austrália

2009: Maxime Huscenot (FRA) e Laura Enever (AUS) na Austrália

2008: Kai Barger (HAW) e Pauline Ado (FRA) na Austrália

2007: Pablo Paulino (BRA) e Sally Fitzgibbons (AUS) na Austrália

2006: Jordy Smith (AFR) e Nicola Atherton (AUS) na Austrália

2005: Kekoa Bacalso (HAW) e Jessi Miley-Dyer (AUS) na Austrália

2004: Pablo Paulino (BRA) na Austrália

2003: Adriano de Souza (BRA) na Austrália

2002: não realizado por falta de datas

2001: Joel Parkinson (AUS) na Austrália

2000: Pedro Henrique (BRA) no Hawaii

1999: Joel Parkinson (AUS) no Hawaii

1998: Andy Irons (HAW) no Hawaii