O carioca Igor Hossmann é um adolescente que já sabe o que quer para a vida. Aos 15 de idade, ele foi para o Hawaii pela primeira vez trabalhar como fotógrafo e surpreendeu surfistas e outros fotógrafos ao entrar em mares para “gente grande”. Com sua caixa amarela, capacete na cabeça e um jeito meio desengonçado, o menino chamava atenção sempre que chegava à praia. “Você é muito novo! Tem certeza que vai entrar nesse mar?”, estas foram as frases que ele mais escutou. Mesmo com tanta pressão, Igor não se intimidou e fez fotos lindas. Durante o tempo que passou na casa da Surfar, conversamos com ele para saber como foi fotografar as potentes ondas havaianas com apenas 15 anos. 

“A primeira vez a gente nunca esquece.”

O amigo Pedro Calado foi presenteado com uma das fotos mais bonitas feita por Igor Hossmann na temporada.

Como começou seu interesse pela fotografia?

Sempre gostei de ver as revistas de surf e ficava impressionado com as fotos aquáticas. Quando a Surfar realizou o Alfabarrels (campeonato de tubos e fotos), eu assistia todos os dias e me amarrava na hora que os fotógrafos davam as entrevistas e mostravam as fotos. Foi aí que começou meu interesse pela fotografia.

Quando você começou a fotografar?

No início de 2014, comprei uma Go Pro para fazer fotos de alguns amigos e muita gente elogiou as imagens que fiz. Depois de alguns meses, conheci o Felipe ‘Gordo’ Cesarano, que também gostou do meu trabalho e me botou na equipe GO GORDO TEAM para fotografar ele e os atletas Pedro Calado, Dávio Figueiredo e o Pedro Ribeiro.

E como surgiu a ideia de ir ao Hawaii com 15 anos? O que sua família achou disso?

No meio de 2014, o Gordo disse que se eu quisesse ser fotógrafo profissional teria que ir para o Hawaii e comprar um equipamento melhor. Conversei com meu pai e ele investiu em uma câmera (Canon 7D) e uma caixa estanque para mim, e me fez vender todos os meus vídeo games para eu comprar uma lente olho de peixe. Ele também tinha milhas e me deu a passagem para o Hawaii. Minha família acreditou no meu sonho e percebeu que era isso que eu queria para minha vida.

Como foi fotografar no Hawaii pela primeira vez?

Minha primeira sessão foi em um final de tarde em Pipeline. O mar estava muito bonito, com vento terral, água azul, céu dourado e uns oito pés de onda. Meus amigos botaram uma “pilha forte” para eu entrar. Quando criei coragem, chegaram os fotógrafos Fabio Dias e Sebastian Rojas acompanhados do Jadson André, que perguntou se era minha primeira vez e eu respondi que sim. Ele disse para eu não entrar porque o mar estava “faixa-preta”. Mas o Fabio e o Sabastian falaram que se eu estava confiante que era para entrar junto com eles. Quando cheguei no outside, senti toda a força das ondas havaianas e o medo me dominou. Tomei várias ondas pesadas na cabeça, fiquei com muita câimbra e achei que fosse morrer. Sai do mar sem ar porque tenho asma, mas mesmo assim fiquei feliz com a experiência. Pelo menos eu entrei em Pipe e sai de lá vivo (risos).

O que mais te marcou nessa temporada?

Essa temporada foi um sonho porque pude fotografar em vários lugares paradisíacos, Oahu e Maui. Além das ondas perfeitas, eu tive um workshop na casa da Surfar, onde fiquei hospedado. Lá estavam meus ídolos na fotografia, Pedro Tojal e Henrique Pinguim, que me deram uma aula sobre fotos aquáticas, além do Bidu Correia, que me ensinou muito sobre equipamentos e fotos com composição. Também fiquei muito feliz por ter sido homenageado como fotógrafo mirim no prêmio North Shore Photo Expo, evento que reúne os melhores fotógrafos brasileiros no Hawaii.

Quais seus planos para o futuro?

Minha ideia é terminar o segundo grau o mais rápido possível para poder me dedicar 100% às fotos. Também estou fazendo um curso de fotografia para aprender tudo sobre essa profissão, já que meu objetivo é ser fotografo profissional. Meus pais e minha avó, com que eu moro, me apoiam muito e estão orgulhosos por eu já saber aos 15 anos o que quero para minha vida.