INÍCIO ARREBATADOR DE JESSE MENDES NO QS

O início de ano que todo atleta sonha: duas finais seguidas, sendo uma delas com vitória. Esse foi o saldo de Jesse Mendes na Austrália que assumiu a primeira colocação no QS. 

Jesse Mendes comemorando o título do Australian Open of Surfing 2017. Foto: Bennett/WSL.

Jesse Mendes começou o ano de 2017 de maneira impecável. Nos dois eventos disputados valendo 6000 pontos, em um foi campeão em cima do australiano Julian Wilson, conquistando seu primeiro título do ano, e no outro perdeu para seu compatriota Yago Dora.

Mas faz tempo que Jesse vem mostrando com seu surf moderno, que sempre é um forte candidato à elite mundial. No ano passado, ele ficou bem perto e bateu literalmente na trave. Com esses resultados conquistados, o atleta assumiu a primeira colocação no ranking do Qualifying Series, QS , e vem embalado para essa temporada. 

Em entrevista a Surfar, Jesse Mendes falou sobre os dois importantes resultados que conquistou e o bom momento que vive. Confira! (Foto em destaque:Masurel/WSL) 

Por João Pedro Rocha.

Jesse Mendes jogando água pro alto durante o Australian Open of Surfing.  Foto:Smith/WSL. 

Como foi a preparação para o início de temporada? Você fez algum treinamento específico dentro e fora d’água?

Na verdade não fiz uma preparação muito específica. Normalmente faço uma pré-temporada, mas nesse ano acabei indo para o Hawaii pra ficar surfando. Foi isso que fiz, treinei esporadicamente e, quando não dava onda, treinava, e nos dias de onda, eu surfava o dia inteiro.

Como você classifica esse início de ano?

Não tenho nem o que falar, foi uma benção que Deus me deu conseguir começar já com duas finais e nos dois eventos mais importantes que aconteceram até o momento. Estou amarradão, muito feliz, mas não sei como classifico isso, se não foi o melhor início de ano do QS da perna australiana, foi um dos melhores.Jesse Mendes rasgando forte durante o QS 10000 Billabong Pro Cascais. Foto: Masurel/WS.

“Procuro não escutar música, ficar muito instigado, porque para mim isso não funciona. Prefiro ficar relaxado como se fosse surfar, que é o que tenho que fazer, entrar na água e surfar.”

Jesse se concentrando para bateria final. Foto:Bennett/WSL.

Como é sua preparação antes das baterias? 

Minha preparação é normal, tento estar focado, ligado no mar, vendo o que esta acontecendo. Tenho sempre alguém ao meu lado, para que eu possa pedir uma opinião, geralmente é meu técnico, minha namorada  (a atleta do WCT, Tatiana Weston-Webb), irmão ou algum amigo, mas é só pra ter uma opinião sobre o mar. Procuro não escutar música, ficar muito instigado, porque para mim isso não funciona. Prefiro ficar relaxado como se fosse surfar, que é o que tenho que fazer, entrar na água e surfar.

Qual foi a tática utilizada para vencer o Julian Wilson? O cara marca muito em cima?

Minha tática era pegar as ondas boas da bateria. Como a maré já estava bem cheia, sabia que teriam poucas ondas. Então busquei as melhores que vieram, foi o que deu certo pra mim. Quanto ao Julian Wilson, ele é tranquilo, não é um cara que vai ficar impregnando. Mas ele não dá nenhum mole, é muito competidor.

“Quanto ao Julian Wilson, ele é tranquilo, mas ele não dá nenhum mole, é muito competidor.”
No ano passado, você ficou próximo de entrar no WCT? Ficou alguma lição?

Claro, sempre fica uma lição de aprendizado, um amadurecimento, até porque, quanto mais vezes você disputa os QS, mais você vai se acostumando e amadurecendo. 

Nota 10 após o aéreo durante o QS 10000 em Portugal, evento que Jesse Mendes venceu no ano passado. Fonte: WSL.

Fazer parte da Quiksilver te ajuda em alguns lugares onde você vá competir ou é cada um por si?

Com certeza ajuda, é uma equipe muito grande e eles possuem uma estrutura muito boa, principalmente nas etapas que acontecem com WCT junto. Acaba tendo um monte de filmmakers, fotógrafos e a galera dando retorno nas mídias sociais. No Hawaii ainda mais, já que eles possuem uma casa pra ficar, é muito bom que a Quiksilver me dá um apoio gigante. 

“Das ondas que tem no QS, a que eu mais gosto de surfar é em Sunset. Lá é irado, onde eu surfo desde moleque.”
Dentre as ondas que estão no QS, você tem preferência por alguma?

Das ondas que tem no QS, a que eu mais gosto de surfar é em Sunset. Lá é irado, onde eu surfo desde moleque. Já as ondas de Balito, na África do Sul, e Cascais, em Portugal,podem até dar altas ondas mas são bem inconstantes.

O atleta disputando evento nas ondas de Sunset, onda é umas da que o atleta mais gosta dentre os QS. Foto: Masurel/WSL.

Quais são as pranchas que você usa, tamanho, rabeta e modelo?

A prancha que eu mais uso é uma Al Merrick, 6,0 pés, squash. 

Quando não está competindo, tem algo que você curte fazer para se distrair?

Gosto de jogar tênis, de jogar uma altinha e de estar sempre com os meus amigos, relaxando, nada demais. 

Jesse Mendes em um momento de relax com a sua namorada. Fonte: Instagram.

Este ano quando não estiver competindo, vai voltar para treinar no Brasil ou vai focar lá fora?

Não, vou voltar, sempre tento voltar para o Brasil durante os breaks de competições ou viagens para poder recuperar as energias e ficar pronto pra próxima. Só quando é meio perto ou tenho uma surf trip para fazer, aí acabo embalando uma viagem na outra. Mas não gosto de ficar muito tempo fora, pois você acaba se desgastando e ficando muito cansado.