ITALO FERREIRA FAZ O PRIMEIRO 10 DO ANO NA AUSTRÁLIA

O potiguar fez um aéreo espetacular e ele e o campeão mundial Adriano de Souza já garantiram duas chances de classificação para as quartas de final do Quiksilver Pro Gold Coast.

O potiguar Italo Ferreira fez um aéreo sensacional nas direitas de Snapper Rocks para arrancar a primeira nota 10 do ano no World Surf League Championship Tour masculino na Austrália. Ainda nesta sexta-feira, o surfista de Baía Formosa brilhou novamente, massacrando uma boa onda com uma série de manobras potentes de backside para ganhar nota 9,77 no duelo brasileiro com o paulista Caio Ibelli na terceira fase. (Em destaque: Aéreo nota 10 do potiguar Italo Ferreira. Foto: Sloane/WSL)

O campeão mundial Adriano de Souza já tinha vencido sua bateria e os dois já garantiram duas chances de classificação para as quartas de final do Quiksilver Pro Gold Coast. E o Brasil tem mais um concorrente ao título confirmado, o vencedor do confronto verde-amarelo entre o campeão mundial Gabriel Medina e o estreante na elite, Ian Gouveia, que será disputado na manhã do sábado na Austrália.

Adriano de Souza segue vivo em Snapper. Foto: Sloane/WSL.

Esta sexta-feira foi mais um longo dia de competição na Gold Coast. Começou às 7h00 com Filipe Toledo sendo eliminado por Ezekiel Lau e foi até o anoitecer, com o mesmo havaiano tirando a segunda nota 10 da temporada num tubaço incrível.

Jordy Smith achou uma onda salvadora nos últimos minutos da sua bateria. Foto: Sloane/ WSL.

Só que o vice-campeão mundial Jordy Smith ainda conseguiu vencer a bateria na onda que surfou no último minuto, também passando por dentro nas direitas de Snapper Rocks para virar o placar para 17,30 a 17,00 pontos.

O sul-africano tinha começado bem surfando dois tubos e fazendo três aéreos em sua primeira onda e festejou a última vitória do dia, ofuscando a brilhante apresentação da novidade havaiana na elite dos Top-34 da World Surf League esse ano.

Já a nota 10 de Italo Ferreira fez o potiguar se tornar o recordista absoluto do Quiksilver Pro com os 17,83 pontos que totalizou na vitória sobre o italiano Leonardo Fioravanti na segunda fase. O brasileiro surfou em Snapper Rocks como se estivesse em casa no Pontal de Baía Formosa, que também é um point break de direitas como o da Gold Coast.

Ele primeiro construiu uma boa vantagem com notas 7,83 e 6,53 fazendo manobras de borda executadas com pressão e velocidade. Depois, começou a arriscar os aéreos e acertou um full rotation espetacular, muito alto, que arrancou a primeira nota máxima do ano entre os homens.

“Esperei a onda certa e, quando eu vi o bowl, eu falei que agora era a hora, aí fui com tudo e acabei acertando um aéreo muito bom para tirar o meu primeiro 10 no circuito mundial. Eu tinha errado um aéreo antes numa onda pequena, aí quando vi que o vento virou, decidi tentar uma coisa grande para tirar uma nota alta, porque a maré estava um pouco cheia e as ondas muito passadas, ficando um pouco difícil você atacar a junção. Ou seja, o único jeito de eu conseguir uma nota alta era tentar uma manobra grande, bem radical assim, então estou muito feliz por ter completado o aéreo e feito uma boa bateria”, disse Italo.

Depois, Italo Ferreira voltou ao mar na tarde da sexta-feira para enfrentar o paulista Caio Ibelli no segundo duelo verde-amarelo do dia, valendo passagem para a rodada classificatória para as quartas de final. O potiguar começou forte, destruindo uma direita com um backside vertical, variando batidas explosivas de cabeça pra baixo com grandes rasgadas para largar na frente com nota 9,77. Nos 10 minutos finais, Caio Ibelli surfou o tubo mais profundo do dia até ali e recebe 7,50, mas não consegue outra onda com potencial para tentar vencer e Italo Ferreira conquistou a segunda vitória verde-amarela na terceira fase por 14,60 a 13,27 pontos.

Caio Ibelli começou bem o dia, mas foi eliminado no terceiro Round. Adriano de Souza segue vivo em Snapper. Foto: Sloane/WSL

“Eu comecei bem a bateria e deixei ele pegar a primeira onda da série, porque sabia que a segunda ia ser melhor. Foi essa a estratégia que eu vi o Joel usar nas baterias dele, então consegui fazer um 9,77 na primeira onda que me deixou mais calmo e confiante para o restante da bateria”, contou o potiguar, que vai encarar dois campeões mundiais na segunda disputa por vaga nas quartas de final, John John Florence e Joel Parkinson.

Antes de Italo Ferreira, o capitão da seleção brasileira, Adriano de Souza, foi o primeiro a vencer na terceira fase. Ele competiu muito bem de novo, combinando grandes arcos com batidas e rasgadas nas direitas de Snapper Rocks e surfando tubos também na bateria com o australiano Stuart Kennedy, semifinalista na Gold Coast no ano passado.

Com duas notas na casa dos 7 pontos, Mineirinho ganhou seu primeiro duelo eliminatório do ano e vai disputar a primeira vaga direta para as quartas de final com o defensor do título do Quiksilver Pro, Matt Wilkinson, e o norte-americano Kolohe Andino.

“Estou feliz com essa vitória. O Stuart é um competidor incrível nessa onda e lá dentro não existe favoritismo, vai ganhar quem pegar as melhores ondas, quem estiver mais conectado com o mar”, falou Adriano, que já morou na Gold Coast quando ainda era uma jovem promessa do surfe brasileiro.

HISTÓRIA NA GOLD COAST - O retrospecto dele na Gold Coast impressiona. Ele já chegou nas semifinais na sua estreia em 2006 e repetiu isso mais quatro vezes. Em 2009 e em 2012, decidiu o título do Quiksilver Pro, mas perdeu para os australianos Joel Parkinson e Taj Burrow, respectivamente. Depois, ficou em terceiro lugar nas duas únicas vitórias brasileiras na Gold Coast. Em 2014, o campeão foi Gabriel Medina e Mineirinho parou novamente em Joel Parkinson. E em 2015, foi barrado por Filipe Toledo, que garantiu o bicampeonato do Brasil na etapa que abre a corrida do título mundial da temporada.

Adriano de Souza. Foto: Sloane/ WSL.

“Com certeza, Snapper é um lugar tão especial para mim quanto o Hawaii e J-Bay, que são etapas que o meu surfe se encaixa bem com a onda. A única diferença é que Snapper é a primeira etapa do ano e tem a possibilidade de você treinar mais aqui se vier, tipo, um mês antes pra cá. Eu já morei aqui em casa de família, foi aqui que eu aprendi meu inglês e foi uma cidade que me acolheu muito bem quando eu tinha 14 anos de idade, então tenho sim um carinho especial por esse lugar”, disse Mineiro.

Medina sendo amparado na saída do palanque pelo amigo Wiggolly Dantas e seu padrasto e técnico, Charles Saldanha. Foto: globoesporte.globo.com

Além de Adriano de Souza e Italo Ferreira, mais um brasileiro certamente vai disputar classificação para as quartas de final em Snapper Rocks. Isso porque a terceira fase será encerrada com o terceiro confronto verde-amarelo no Quiksilver Pro este ano, entre o campeão mundial Gabriel Medina e o novato na elite, Ian Gouveia.

Medina não competiu na sexta-feira, ganhando mais tempo para se recuperar da torção no joelho direito sofrida no dia anterior. Mas o filho de Fábio Gouveia disputou a segunda fase pela manhã e venceu sua primeira bateria na divisão de elite da World Surf League.

PRIMEIRA VITÓRIA - O mar não tinha ganhado força ainda e foi mais uma disputa fraca de ondas, como a primeira do dia que Filipe Toledo acabou derrotado por Ezekiel Lau por um baixo placar de 12,33 a 11,77 pontos. Ian Gouveia fez a melhor manobra da bateria, uma batida muito forte de cabeça pra baixo, para ganhar nota 5,07. O pernambucano ainda pegou outra onda para mostrar um pouco mais as suas manobras de backside e a nota 6,50 recebida confirmou sua primeira vitória no WCT por 11,57 a 10,10 pontos.

Ian Gouveia agora vai enfrentar Gabriel Medina no Round 3. Foto: Sloane/ WSL.

“A emoção de estar aqui é algo muito especial. Passei quase metade da vida vindo aqui para assistir meu pai, outra metade vendo ele pelo computador, pela TV, agora estar aqui é realmente muito gratificante. Consegui avançar minha primeira bateria no Tour, isso me dá uma motivação pro próximo round, mas ainda não consegui achar a onda certa pra mostrar meu surf aqui. Espero encontrar as boas nas próximas pra fazer o meu melhor”, contou Ian.

Além de Ian Gouveia e Filipe Toledo, mais quatro brasileiros estrearam com derrotas no Quiksilver Pro e tiveram que encarar a primeira rodada eliminatória na sexta-feira. Italo Ferreira bateu todos os recordes do campeonato com a nota 10 e os 17,83 pontos que totalizou contra o italiano Leonardo Fioravanti. Na disputa seguinte, Caio Ibelli também comandou o a bateria com outro novato da Europa, somando duas notas no critério excelente dos juízes no placar de 16,80 a 10,53 pontos contra o francês Joan Duru.

Miguel Pupo deu um show com rasgadas fortes no Round 2. Foto: Sloane/WSL.

DUELO BRASILEIRO - Depois, um duelo brasileiro fechou a repescagem com dois surfistas do litoral norte paulista disputando a última vaga para a terceira fase. A briga estava bem equilibrada até Miguel Pupo achar uma boa onda que fez a diferença. Ela abriu a parede e ele fez uma série de manobras explosivas que valeu nota 9,00 e a vitória de São Sebastião sobre o ubatubense Wiggolly Dantas por 15,77 a 13,10 pontos. Com a derrota, Guigui terminou empatado em 25.o lugar com o também paulista Filipe Toledo e sete brasileiros chegaram na terceira fase, iniciada após as quatro baterias da terceira fase feminina.

O potiguar Jadson André, que abriu a temporada 2017 com vitória, voltou a disputar a primeira bateria e só conseguiu sua melhor onda no final, que valeu nota 7,37. O norte-americano Kolohe Andino liderou todo o confronto e confirmou a vitória com o 6,87 recebido em sua última onda, fechando o placar em 13,87 a 12,84 pontos. Jadson então amargou mais um 13.o lugar na Gold Coast e continua sem conseguir passar da terceira fase em sete participações no Quiksilver Pro.

BRASIL X AUSTRÁLIA - O campeão mundial Adriano de Souza despachou o australiano Stuart Kennedy na segunda bateria, mas na quarta Joel Parkinson deu o troco em grande estilo, não dando qualquer chance para Miguel Pupo. A bateria chegou a ser interrompida porque desabou um temporal que não dava para enxergar nada em Snapper Rocks. A disputa estava quase empatada em 13,97 a 13,54 para o australiano e o brasileiro precisando de uma nota 7,0 para vencer nos 16 minutos que restavam para terminar a bateria antes da paralisação.

Jadson André acabou derrotado no Round 3. Foto: Sloane/WSL.

A tempestade passou e o confronto recomeçou com Miguel Pupo tentando a virada, mas Parko pega a onda de trás e vai manobrando forte, depois freia sua prancha para se encaixar num tubo, na saída manda mais duas manobras fortes, pega outro tubo, fica entocado lá dentro, mas não consegue sair. Mesmo assim, ganhou nota 9,67 para praticamente confirmar a vitória sobre Pupo por 17,24 a 13,54 pontos. Na bateria seguinte, aconteceu o segundo duelo brasileiro e Italo Ferreira derrotou Caio Ibelli na última participação verde-amarela do dia.

Joel Parkinson na bateria contra Miguel Pupo. Foto: Sloane/ WSL.

Para fechar a sexta-feira de boas ondas e grandes apresentações, o campeão mundial John John Florence e o vice, Jordy Smith, confirmaram o favoritismo vencendo suas baterias. Mas tiveram trabalho para superar seus adversários, só conseguindo isso nas ondas que surfaram no último minuto.

O havaiano vai continuar defendendo sua lycra amarela do Jeep WSL Leader graças a nota 7,90 que recebeu para virar o resultado para 15,47 a 14,17 contra o australiano Mikey Wright. E o sul-africano superou até a nota 10 do havaiano Ezekiel Lau com o 8,80 que conseguiu para fechar uma das baterias mais emocionantes do ano em 17,30 a 17,00 pontos.

QUARTAS DE FINAL FEMININAS - As meninas também competiram nesta sexta-feira e fizeram grandes apresentações surfando ótimos tubos e manobrando forte na primeira batalha por vagas nas quartas de final do Roxy Pro em Snapper Rocks. A francesa Johanne Defay fez imbatíveis 17,20 pontos na primeira bateria. A campeã mundial Tyler Wright ganhou a segunda por 16,93, contra 16,00 da dona da primeira nota 10 do ano, a americana Lakey Peterson.

Depois, a jovem australiana Keely Andrew surpreendeu ao derrotar a vice-campeã mundial Courtney Conlogue. A disputa pela terceira vaga direta para as quartas de final também foi acirrada, com a estreante na elite superando a experiente Sally Fitzgibbons por 14,77 a 14,54 e a norte-americana ficando em terceiro com 13,53. Na última bateria, duas campeãs mundiais fizeram um duelo particular e a havaiana Carissa Moore superou a australiana Stephanie Gilmore por 16,70 a 16,54 pontos.

Tyler Wright. Foto: Sloane/WSL.

QUARTA FASE DO QUIKSILVER PRO – Vitória=Quartas de Final / 2.o e 3.o=Quinta Fase

1.a: Adriano de Souza (BRA), Kolohe Andino (EUA), Matt Wilkinson (AUS)
2.a: John John Florence (HAW), Joel Parkinson (AUS), Italo Ferreira (BRA)
3.a: Jordy Smith (AFR), vencedores da 8.a e 9.a baterias da Terceira Fase
4.a: vencedores da 10.a, 11.a e 12.a baterias da Terceira Fase

TERCEIRA FASE – Vitória=Quarta Fase e Derrota=13.o lugar com 1.750 pontos
———-baterias que fecharam a sexta-feira:

1.a: Kolohe Andino (EUA) 13.87 x 12.84 Jadson André (BRA)
2.a: Adriano de Souza (BRA) 14.93 x 12.07 Stuart Kennedy (AUS)
3.a: Matt Wilkinson (AUS) 15.10 x 14.60 Jeremy Flores (FRA)
4.a: Joel Parkinson (AUS) 17.24 x 13.54 Miguel Pupo (BRA)
5.a: Italo Ferreira (BRA) 14.60 x 13.27 Caio Ibelli (BRA)
6.a: John John Florence (HAW) 15.47 x 14.17 Mikey Wright (AUS)
7.a: Jordy Smith (AFR) 17.30 x 17.00 Ezekiel Lau (HAW)
———-baterias que vão abrir o sábado:
8.a: Owen Wright (AUS) x Mick Fanning (AUS)
9.a: Julian Wilson (AUS) x Connor O´Leary (AUS)
10.a: Kelly Slater (EUA) x Frederico Morais (PRT)
11.a: Sebastian Zietz (HAW) x Conner Coffin (EUA)
12.a: Gabriel Medina (BRA) x Ian Gouveia (BRA)

SEGUNDA FASE – Vitória=Terceira Fase e Derrota=25.o lugar com 500 pontos
———-baterias que abriram a sexta-feira:

3.a: Ezekiel Lau (HAW) 12.33 x 11.77 Filipe Toledo (BRA)
4.a: Sebastian Zietz (HAW) 16.40 x 14.00 Jack Freestone (AUS)
5.a: Ian Gouveia (BRA) 11.57 x 10.10 Josh Kerr (AUS)
6.a: Jeremy Flores (FRA) 16.00 x 15.97 Adrian Buchan (AUS)
7.a: Italo Ferreira (BRA) 17.83 x 11.70 Leonardo Fioravanti (ITA)
8.a: Caio Ibelli (BRA) 16.80 x 10.53 Joan Duru (FRA)
9.a: Conner Coffin (EUA) 14.23 x 12.73 Bede Durbidge (AUS)
10.a: Stuart Kennedy (AUS) 16.27 x 13.37 Ethan Ewing (AUS)
11.a: Connor O´Leary (AUS) 15.03 x 13.67 Kanoa Igarashi (EUA)
12.a: Miguel Pupo (BRA) 15.77 x 13.10 Wiggolly Dantas (BRA)
———-baterias que fecharam a quinta-feira:
1.a: Mikey Wright (AUS) 14.17 x 13.20 Michel Bourez (TAH)
2.a: Kelly Slater (EUA) 14.03 x 12.94 Nat Young (EUA)