Manter o controle do seu kitesurf em uma onda de 20 pés é o principal objetivo da carioca Milla Ferreira, 25 anos, que já coleciona quatro títulos como campeã brasileira da modalidade. Durante temporada havaiana, em 2013, Milla sentiu a adrenalina das mandíbulas de Jaws, na ilha de Pe’ahi e, desde então, esta tem sido a sua meta.

Milla é filha do experiente atleta de kitesurf Frajola Ferreira, responsável por iniciá-la no esporte e lapidar o talento da atleta que divide sua rotina entre surf e kitewave. Modalidade que tem se tornado uma febre no Brasil, mas que exige muita habilidade tanto com a prancha quanto em dominar a pipa.

“Surfar Jaws foi realmente um dos momentos mais desafiadores na minha carreira. E soube que, por enquanto, fui a única mulher a dropar esta onda no kite. O meu objetivo é este, voltar ao Hawaii e dropar essa onda, que para muitos é assustadora”, comentou a atleta, que já possui quatro temporadas carimbadas no passaporte.

E acrescenta: “Mal posso esperar para surfar Jaws o máximo que conseguir, pois com vento bom fica bem favorável. O tamanho da onda passa a altura do kite com a pipa, mas não me assusta e estou me preparando para este desafio. Por mais que eu não tenha passado nenhum perrengue desde a primeira vez, é muita adrenalina sem contar que há todo um processo. De pranchinha é bem mais prático, mas surfar no pico com o kite eu preciso entrar pelas pedras com ele fechado, montar, inflar, desmontar tudo de cima do jet ski. É uma missão! O Sylvio Mancusi me pilhou e me deu todo o suporte, pois não tinha sequer um colete, nada.”

Desde que começou a competir na modalidade, aos 15 anos, Milla não parou de colecionar título e bons resultados, vencendo algumas etapas do circuito mundial KSP e PKRA. Para chegar tão longe, ela conta com suporte de treinos e preparação física diariamente, dividido em três horas de funcional e natação, além de muito surf. “Meu pai é o meu técnico quando estou no Brasil, mas quando viajo encontro suporte no meu irmão Filippe que também veleja profissionalmente”, conta.

Tudo aconteceu muito rápido desde que começou a velejar e, por se dar tão bem nas competições, não demorou muito para conseguir patrocínios. Hoje sua rotina também se divide com a faculdade de Marketing, por meio do Ensino A Distância (EAD), o trabalho no badalado quiosque K08 e alguns trabalhos como embaixadora de moda praia. No início do ano, Milla assinou uma coleção para surfistas na marca SAL, que está sendo um sucesso. Na agenda, surf trips para lugares como Lobitos e Pacasmayo, no Peru, e uma longa temporada no México vai ajudar aprimorar ainda mais o surf e o velejo.

“As viagens são a parte principal dos treinos, porque ajuda a conhecer outros tipos de ondas e evoluir. Também aproveito esses lugares para surfar de pranchinha, que também me ajuda muito. Mas com o kite eu consigo pegar a onda que quero, consigo executar as manobras que sempre quis. Na verdade, um esporte ajuda o outro, o surf eu cresci fazendo é o meu lazer e o kite é o meu trabalho, mesmo que eu não queira preciso ir. Mas é uma junção perfeita, surfo melhor através do meu velejo e vice e versa”, comenta Milla Ferreira.

Por: Viviane Freitas. / Fotos: Arquivo Pessoal.