Nesta semana, Gil Ferreira assinou seu primeiro contrato de patrocínio com a estatal Furnas. A atleta, que aos sete anos vendia coco na praia e já passou fome, hoje comemora a conquista de olho no Circuito Mundial de Surf.

Foto: @JuMartins.

Gilvanilta Ferreira tem 26 anos, nasceu e cresceu na comunidade de Ponta Negra, Natal. Surfista profissional há mais de 10 anos, a potiguar é dona de um estilo de surf agressivo e repleto de manobras aéreas. Sua inspiração vem das performances de Ítalo, Jadson, Medina e Silvana Lima. Há alguns dias, Gil assinou seu primeiro contrato de patrocínio com a estatal Furnas. “Foi muito importante mesmo para mim ter conseguido esse patrocínio. Inclusive, tive uma proposta de morar no Rio, treinar e conviver com a Silvana, vai ser muito bom pro meu amadurecimento”, diz a nova atleta de Furnas.

“Comprava a passagem de ida e só. Tinha que vencer de qualquer jeito, senão não tinha como voltar pra casa.”

Gil adianta que o novo patrocinador tem intenção de mandá-la para algumas etapas do QS (Qualifying Series) ainda esse ano: “Ainda não sei quais as datas e quais eventos vou participar. Vai ser irado! Estou muito feliz! Desejo que esse trabalho, que inicia em julho, possa perdurar até que eu consiga me classificar e entrar para o WCT.”

Mas até ontem era tudo diferente. Gilvanilta jamais teve uma marca que a apoiasse e, mesmo assim, participou de diversos circuitos estaduais em João Pessoa, Maracaípe e Fortaleza. “Comprava a passagem de ida e só. Tinha que vencer de qualquer jeito, senão não tinha como voltar para casa. Dormia no palanque do campeonato, comia biscoito e miojo”, relembra.” E completa: “Colocava o troféu que tinha ganho na competição anterior debaixo do braço e saía em busca de apoio. As pessoas achavam graça e comentavam: olha só tão pequeninha, que bonitinha. E acabavam me dando um dinheiro, coisa de 20 reais.”

Se o patrocínio era um sonho até pouco tempo, o apoio de shapers de prancha nunca faltou. Alessandro Melo, Wendel Pirols e Felipe Souto foram os que tentaram de alguma forma manter o sonho da potiguar vivo. Em vários momentos da vida, as pranchas serviram para comprar comida. “Passei por fases muito complicadas e já sofri muito por isso. Hoje me sinto vitoriosa e tenho orgulho de tudo que enfrentei ao lado da minha mãe. Tinha dias que a gente sentava na mesa e ela dizia: ‘Hoje vamos comer camarão!’ Mas na panela o que tinha era feijão mesmo”, conta Gilvanilta.

“As pessoas achavam graça e comentavam: olha só tão pequeninha, que bonitinha. E acabavam me dando um dinheiro, coisa de 20 reais.”Ontem Gil sonhava com a volta do Circuito Nacional de Surf Feminino, hoje seu foco já é outro e vai muito além do nosso Atlântico. Confira o vídeo irado da nova atleta da Equipe Furnas.

 

Por Longarina, parceira da Surfar na seção Surf Feminino.