Gabriel Medina surfou os melhores tubos que entraram nas três baterias que disputou nesta sexta-feira de ondas pesadas de 10-12 pés em Cloudbreak para conquistar a primeira vitória brasileira na temporada 2016 do Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour. O local Maresias começou o último dia ganhando dois duelos de campeões mundiais. Primeiro com Adriano de Souza e depois comandou o show contra Kelly Slater. E na grande final, ele bateu o número 1 do Jeep WSL Leader, Matt Wilkinson, para festejar o seu segundo título no Fiji Pro. Ao repetir o feito de 2014, Medina assumiu a vice-liderança no ranking das cinco etapas e a próxima começa em 6 de julho na África do Sul. (Foto em destaque: Cestari/WSL)

O campeão do Fiji Pro 2016, Gabriel Medina. Foto: Cestari/WSL.

“É uma sensação incrível vencer aqui e estou muito feliz. Eu só quero agradecer a Deus e minha família, minha namorada, meus amigos e todos que torcem por mim. Foi uma semana muito louca. Ficamos um tempão esperando por essas ondas e elas finalmente vieram. Só que hoje  estava enorme e tomamos várias séries na cabeça, mas deu um monte de tubos também e foi um grande evento. Estou muito feliz!”, comemorou o campeão do Fiji Pro 2016.

Medina. Foto: Cestai/WSL.

O início da decisão não foi como todos esperavam, com poucas ondas boas entrando para os dois finalistas. Matt Wilkinson não achou os tubos e acabou só surfando uma onda com manobras. Já Gabriel Medina conseguiu um melhor posicionamento no mar para pegar dois tubaços seguidos que valeram notas 7,33 e 8,27. A vitória foi por uma massacrante “combination” de 15,60 a 6,34 pontos e a bandeira do Brasil voltou a aparecer nos pódios da World Surf League, novamente com Medina fazendo a alegria da torcida que passou madrugadas em branco assistindo a etapa de Fiji.

“Estou muito cansado agora, mas eu tava guardando minha energia para essa final, porque sabia que ia ser muito difícil. O Wilko está surfando de forma incrível desde o primeiro evento do ano e eu não sei quem pode parar esse cara. Esta é sua terceira final em cinco etapas e estou muito feliz por ter feito esta final contra ele”, contou Medina, que é companheiro de equipe do australiano.

Gabriel Medina. Foto: Ed Sloane/WSL.

JEEP WSL LEADER – Na grande final, o aussie Matt Wilkinson estava muito mais desgastado, pois tomou várias séries na cabeça durante a semifinal australiana com Adrian Buchan. Antes, já tinha feito um grande combate contra John John Florence, derrotando-o pela segunda vez nos tubos de Cloudbreak, no tipo de mar que o havaiano é especialista e apontado pelos próprios competidores como um dos melhores do mundo. O seu melhor tubo nesta sexta-feira foi nessa bateria e o 7,73 recebido decidiu a vitória por 14,63 a 10,93 pontos. Contra Buchan, ele computou um 7,50 no placar de 13,33 a 12,00 para chegar em sua terceira final na temporada, já com a lycra amarela do Jeep WSL Leader garantida para competir em Jeffreys Bay, na África do Sul.

Wilko. Foto: Cestari/WSL.

“Estou realmente feliz com o segundo lugar, mas eu estava exausto na bateria final. Foi um pouco decepcionante não conseguir surfar nenhum grande tubo. Já o Gabriel foi inacreditável lá fora e mereceu vencer. Já estamos no meio do ano e eu nem sonhava estar na situação que estou agora. Todo mundo, obviamente, vai vir para cima de mim, então não é tempo de tirar o pé do acelerador. Eu estou indo para J-Bay muito focado e preparado para fazer o meu melhor lá também”, falou Wilko.

CAMPEÕES MUNDIAIS – O mar no último dia estava enorme, várias pranchas foram partidas na zona de impacto das séries de mais de três metros de altura, as maiores da temporada.  O atual campeão mundial Adriano de Souza e Kelly Slater foram dois deles quando enfrentaram Gabriel Medina. O confronto brasileiro abriu esta sexta-feira e as condições estavam muito difíceis, com a maioria das ondas fechando. No entanto, Medina adotou uma tática que deu em certo em todas as suas baterias em Fiji, de ficar ativo indo em várias ondas até conseguir as notas que precisava para liquidar seus adversários.

Adriano de Souza. Foto: Cestari/WSL.

Contra Adriano de Souza, não tiveram muitos tubos, mas Gabriel Medina achou o dele para vencer por 10,86 a 8,33 pontos. A última vez que eles se enfrentaram tinha sido na final do Billabong Pipe Masters e no Hawaii Mineirinho coroou a conquista do título mundial de 2015 com a primeira vitória verde-amarela no maior palco do esporte. Entretanto, Medina também já havia conseguido mais um feito inédito para o Brasil e para a sua carreira, o de campeão da Tríplice Coroa Havaiana garantido na semifinal contra o tricampeão mundial Mick Fanning.

“Foi um dia difícil para mim lá fora hoje. Eu tomei várias ondas na minha cabeça, quebrei a prancha, não deu nada certo. O Gabriel tem muitos recursos, é muito esperto e pegou as ondas certas. No final, ainda veio uma onda para mim, eu precisava de um cinco, tentei ficar mais profundo no tubo, mas não consegui sair. Mesmo assim, estou contente pelo quinto lugar, que é um bom resultado quando se olha para o ano inteiro. Agora já estou mudando o foco para J-Bay, mas antes vou ficar mais uma semana aqui para surfar mais tubos”, disse Adriano.

Wiggolly Dantas. Foto: Ed Sloane.

Já a sua segunda atuação de Medina nesta sexta-feira foi mais brilhante e ele mostrou muita competitividade para derrotar Kelly Slater, recordista com quatro vitórias em Fiji . Slater tinha surfado tubos incríveis no segundo duelo do dia contra Wiggolly Dantas. No melhor, ele recebeu a maior nota do último dia, 9,80, depois completou outro que valeu 8,90 e ainda descartou uma nota 8,00. Guigui nada pode fazer, mas repetiu o excelente quinto lugar do ano passado. O posicionamento de Slater no mar, mais próximo da bancada de corais, chamou a atenção e foi ali que ele fez o maior placar do dia, 18,70.

DUELO NOTA 10 – E foi também onde Gabriel Medina vingou a derrota sofrida para Kelly Slater na final do Fiji Pro de 2012, na primeira vez que ele competiu nos tubos de Cloudbreak. O brasileiro recebeu nota 8,40 no melhor tubo da bateria, que somou com 6,27 para vencer por 14,67 a 12,03 pontos. Era o encontro dos dois únicos surfistas que tiraram nota 10 dos juízes em Fiji esse ano e Medina deu um nó tático em Slater, usando muito bem a prioridade para bloquear uma onda que ele entrou já buscando o tubo e parecia ser boa. Para o americano não deu nada certo e até quebrou sua prancha numa das tentativas de reverter o resultado.

Slater. Foto: Cestari/WSL.

“Estou feliz porque eu surfei bem neste campeonato. Eu sinto que finalmente botei o computador trabalhando no meu cérebro de novo, mas peguei um par de vírus nessa bateria. Eu poderia estar aqui mais contente pela bateria que fiz antes com Wiggolly e nos outros dias também, mas nessa o Gabriel pegou as melhores ondas e fez o jogo da bateria da maneira certa. Eu tive minhas chances e fiz uns três ou quatro erros, mas estou bem mais animado e já ansioso para J-Bay”, contou Slater.

A atuação de Gabriel Medina nos tubos de Cloudbreak é impressionante. Essa foi a sua terceira final nas cinco etapas que competiu em Fiji. A primeira foi logo em sua estreia nas ondas do Pacífico Sul em 2012, quando perdeu para Kelly Slater. Depois engatou uma sequência de ano sim, ano não. Em 2014 foi o campeão na decisão contra outro norte-americano, Nat Young. Agora, conquista o bicampeonato batendo o líder do ranking, Matt Wilkinson.

Medina. Foto: Cestari/WSL.

BRASIL TOP-5 – Com os 10.000 pontos da vitória no Fiji Pro, Gabriel Medina saltou do nono lugar no ranking para tirar a segunda posição do havaiano John John Florence, que era de outro brasileiro quando começou a etapa, Italo Ferreira. Medina e John John são os únicos que têm chances matemáticas de superar o australiano na próxima etapa, mas só com a vitória no J-Bay Open. O potiguar agora é o quarto colocado e o atual campeão mundial Adriano de Souza passou a fechar o seleto grupo dos Top-5 do Jeep WSL Leaderboard.

Italo Ferreira. Foto: Ed Sloane/WSL.

O estreante na seleção brasileira do WCT esse ano, Caio Ibelli, não conseguiu vencer nenhuma bateria na sua estreia em Fiji e caiu do quinto para o oitavo lugar. Já Wiggolly Dantas, que só perdeu para Kelly Slater em Cloudbreak, subiu de uma perigosa 21.a posição para a 13.a, empatado com californiano Nat Young. Filipe Toledo ficou na terceira fase e desceu da 14.a para a 17.a e Miguel Pupo continua fechando o grupo dos 22 primeiros que são mantidos na elite dos Top-34 para o próximo ano.

Caio Ibelli. Foto: Cestari/WSL.

FORA DA ELITE – Apesar da brilhante campanha em Fiji esse ano, sendo o único a derrotar Gabriel Medina em Cloudbreak na primeira fase, o potiguar Jadson André conseguiu seu melhor resultado na temporada com o nono lugar na quinta fase, mas continua fora da zona de classificação, em 28.o lugar no ranking. Ele estava em 34.o, uma acima de Kelly Slater, que subiu para a 26.a posição e também permanece na zona do rebaixamento para o WSL Qualifying Series. Os dois não disputaram todas as etapas esse ano. Jadson se contundiu na de Bells Beach e não competiu em Margaret River, enquanto Slater cancelou sua vinda ao Brasil para disputar o Oi Rio Pro na capital carioca.

Jadson André. Foto: Cestari/WSL.

Mais dois surfistas completam a relação dos dez integrantes da seleção brasileira no WCT 2016. O catarinense Alejo Muniz ficou de fora das duas primeiras etapas da temporada por contusão e divide a trigésima posição no ranking com o francês Jeremy Flores e o australiano Matt Banting. Já o estreante na elite, Alex Ribeiro, ainda não conseguiu vencer nenhuma bateria das dez que disputou nas cinco etapas e ocupa a 38.a colocação. A busca pela primeira vitória agora fica para Jeffreys Bay, que vai receber a sexta etapa do Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour 2016 nos dias 6 a 17 de julho na África do Sul.

Gabriel Medina e Matt Wilkinson. Foto: Cestari/WSL.

RESULTADOS DO ÚLTIMO DIA DO FIJI PRO

Campeão: Gabriel Medina (BRA) por 15,60 pontos (notas 8,27+7,33) – US$ 100.000 e 10.000 pontos

Vice-campeão: Matt Wilkinson (AUS) com 6,34 pontos (4,17+2,17) – US$ 50.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com 6.500 pontos e US$ 25.000 de prêmio:

1.a: Gabriel Medina (BRA) 14.67 x 12.03 Kelly Slater (EUA)

2.a: Matt Wilkinson (AUS) 13.33 x 12.00 Adrian Buchan (AUS)

QUARTAS DE FINAL DO FIJI PRO – 5.o lugar com 5.200 pontos e US$ 16.500 de prêmio:

1.a: Gabriel Medina (BRA) 10.86 x 8.83 Adriano de Souza (BRA)

2.a: Kelly Slater (EUA) 18.70 x 9.40 Wiggolly Dantas (BRA)

3.a: Adrian Buchan (AUS) 14.60 x 13.40 Mick Fanning (AUS)

4.a: Matt Wilkinson (AUS) 14.63 x 10.93 John John Florence (HAW)

Gabriel Medina. Foto: Ed Sloane/WSL.

TOP-22 DO JEEP WSL RANKING – após a quinta etapa nas Ilhas Fiji

1.o: Matt Wilkinson (AUS) – 32.500 pontos

2.o: Gabriel Medina (BRA) – 24.000

3.o: John John Florence (HAW) – 23.900

4.o: Italo Ferreira (BRA) – 20.500

5.o: Adriano de Souza (BRA) – 20.400

6.o: Sebastian Zietz (HAW) – 18.000

7.o: Adrian Buchan (AUS) – 17.950

8.o: Caio Ibelli (BRA) – 17.700

9.o: Michel Bourez (TAH) – 16.700

10: Jordy Smith (AFR) – 16.000

11: Kolohe Andino (EUA) – 14.700

12: Joel Parkinson (AUS) – 14.450

13: Nat Young (EUA) – 14.400

13: Wiggolly Dantas (BRA) – 14.400

15: Julian Wilson (AUS) – 13.500

16: Mick Fanning (AUS) – 13.450

17: Filipe Toledo (BRA) – 13.250

18: Conner Coffin (EUA) – 11.950

19: Dusty Payne (HAW) – 11.450

20: Kanoa Igarashi (EUA) – 11.000

20: Stu Kennedy (AUS) – 11.000

22: Miguel Pupo (BRA) – 10.950

——–outros top-34 do Brasil:

28: Jadson André (BRA) – 7.250 pontos

30: Alejo Muniz (BRA) – 6.250

38: Alex Ribeiro (BRA) – 2.500