Em seu primeiro ano na elite do surf, Caio Ibelli já é considerado o melhor estreante da temporada no Circuito Mundial, muito bem posicionado até o momento entre os cinco melhores surfistas no ranking da World Surf League. Dois títulos de campeão mundial já fazem parte do seu currículo, sendo eles o de mundial Pro Junior em 2012, na Austrália, e o de campão mundial QS no ano passado.

Aos 22 anos, o paulista do Guarujá estreou no WCT após duas ótimas atuações como convidado em 2015, nas etapas em Portugal e na França.  Cauteloso, o atleta que namora a havaiana Alessa Quizon que também faz parte da elite do surf feminino, contou a Surfar sua estratégia para se manter no topo. (Foto destaque: Cestari/WSL) 

Por Viviane Freitas

Caio Ibelli treinando forte em Cloudbreak. Foto:Cestari/WSL.

O que te motivou ser um surfista profissional e o que mais curte nas competições?

Competir é o que me move, o meu grande desafio. Desde moleque sempre amei o surf e tive esse espírito competitivo, então não foi difícil unir as duas coisas e buscar viver profissionalmente disso. Eu amo competir e estou sempre trabalhando para evoluir a cada dia, ainda mais pelo fato de representar marcas importantes, como a Oakley e a Furnas, que acreditam no meu trabalho.

“A minha estratégia neste primeiro ano é aprender. Conhecer todas as ondas do Tour, observar bem cada detalhe de cada evento. “

Qual foi o momento de maior superação na sua carreira como surfista profissional?

Ah, neste momento é ter atingido a elite. Toda carreira de um surfista é focada em dois objetivos: o primeiro é entrar na elite e o segundo é ser campeão. O primeiro eu já cumpri!

Ibelli decolando na pista do Postinho. Foto: Smorigo/WSL.

A sua entrada na elite do surf foi esperada desde 2012, com o título Pro Junior. Como foi a sua jornada até chegar ao WCT?

Foi trabalhada com calma, pois sabia que era muito novo e poderia me desenvolver bem para chegar à elite afiado. Não quis queimar etapas, tinha condições para dar um passo de cada vez, e foi o que fiz.

“Competir é o que me move, o meu grande desafio.”

Durante os cinco anos em que passou disputando o QS, qual o seu maior aprendizado e o que leva desta bagagem para as disputas do mundial?

O bom do QS é a competitividade. Pois, além dos concorrentes que querem ir para a elite, existem os que já estão lá, mas não estão bem no ranking e usam o QS para se garantir. Então, essa parte da pressão nós já conseguimos sentir no QS e ela conta muito na formação do surfista, já que as ondas do QS não se comparam às do WCT.

Free surf em Fiji. Foto: Cestari/WSL.

Você já foi campeão mundial Pro Junior, campeão do QS, qual sua estratégia para um possível título mundial?

A minha estratégia neste primeiro ano é aprender. Conhecer todas as ondas do Tour, observar bem cada detalhe de cada evento. Surfo sem pressão, pois sei que estou apenas estreando. Claro, existem dois objetivos este ano: ser o melhor estreante e somar os pontos necessários para permanecer no Tour em 2017. Tudo o que vier além disso, será lucro.

“…não penso em título, acho muito cedo. Melhor não me aplicar esse tipo de ousadia! Acho mais importante dar um passo de cada vez, como tem sido até agora.”

Como você avalia sua participação no Circuito Mundial até agora?

Como eu disse, estou em aprendizado e por enquanto muito feliz com tudo o que eu consegui até agora. Infelizmente, acabei caindo em Fiji no Round 2, pela primeira vez neste ano, e estou absorvendo esse aprendizado para que isso seja evitado o máximo possível, pois é decepcionante cair logo no começo. Este é meu sentimento. Mas tive boas atuações nas etapas anteriores, então o estrago será pequeno e tenho condições de recuperar isso no andamento do Tour.

O atleta de Furnas vem se dedicando para ser o melhor estreante e somar os pontos necessários para permanecer no Tour em 2017. Foto: Cestari/WSL.

Qual o sentimento em fazer parte do time dos melhores surfistas do mundo? Aumentou a responsabilidade?

Primeiro vem aquele sentimento de gratidão por ter chegado até lá. E, claro, a responsabilidade e a pressão são sentidos logo depois. Porém, tenho um planejamento na elite para cumprir e neste primeiro ano está acontecendo conforme esperávamos. Até melhor que imaginávamos!

 “Toda carreira de um surfista é focada em dois objetivos: o primeiro é entrar na elite e o segundo é ser campeão.”

Qual o tipo de onda do circuito que mais gosta de surfar e que melhor se encaixa no seu surf?

As ondas do WCT são as melhores do mundo. Adorei a perna australiana e as praias do Rio eu já conhecia, mas eu não me aguento de ansiedade para surfar Teahupoo. Aliás, meu sonho seria fazer uma final lá contra o Kelly Slater ou o Mick Fanning. Mas só de competir lá será um sonho realizado. E darei o máximo que puder!

Ter uma namorada surfista é uma grande vantagem, mas como é ter uma parceira que compete o Circuito Mundial?

É irado, pois fazemos as coisas juntos. Quando estava no QS, a gente tinha agendas diferentes e era mais complicado. Mas agora fazemos as mesmas etapas sempre. Quando um compete, o outro fica na beira da praia pronto para ajudar se der algum problema no equipamento. Além disso, treinamos juntos. É o pacote completo!

“Meu sonho seria fazer uma final lá contra o Kelly Slater ou o Mick Fanning.”

Atualmente você está entre os cinco melhores surfistas no ranking da WSL, acredita que pode disputar o título este ano?

Vamos ver como ficará a tabela após essa etapa, mas não penso em título, acho muito cedo. Melhor não me aplicar esse tipo de ousadia! Acho mais importante dar um passo de cada vez, como tem sido até agora.

Em seu primeiro ano na elite, Caio já é considerado o melhor estreante da temporada no Circuito Mundial. Foto: Jimmy Wilson/WSL.

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