NOVA GERAÇÃO – MICHAEL RODRIGUES

O surf aconteceu na vida do cearense Michael Rodrigues de uma forma bem natural. “Eu tinha sete anos e morava ao lado de uma escola de surf, então, não tinha como não começar surfar (risos)”, conta. De lá para cá, Michael nunca deixou de manter o foco e o resultado vem aparecendo a cada ano. Entre seus principais títulos, o de campeão Brasileiro Junior (2011), campeão Brasileiro Open (2012), campeão Mundial Isa Games Open Hainan Classic na China (2013) e, o mais recente,  campeão WQS 6 estrelas na Joaquina (2014). E, para o restante de  2015, o surfista promete ainda muita garra e dedicação para conquistar a tão sonhada vaga no WCT. 

BOLINHA_IDADE: 20 ANOS

PATROCÍNIO: MORMAII

APOIO: CHICLETE TRUNKS

QUIVER: Oito 5’10, duas 5’9, uma 5’8 e duas 6’0

SURFISTA PREFERIDO: MIGUEL PUPO

SHAPER: MAURÍCIO GIL (MG) e MATT BIOLOS

MELHOR MANOBRA: RASGADA

 

Por que você decidiu entrar nas competições e quais foram as maiores dificuldades que você encontrou?

Começou em um campeonato “surf treino” que era um incentivo para a molecada começar a competir. Era muito divertido competir com meus amigos e pessoas de outros bairros. Isso até hoje me encanta e diverte, estar ali com pessoas de outros lugares do mundo…  Já as dificuldades, eu acredito que sejam as mesmas de todos os surfistas nordestinos: falta de patrocínio, de pranchas boas e de dinheiro. Mas com o tempo e a batalha junto com a minha mãe, as coisas foram melhorando e aos 18 anos fui para Floripa, onde consegui um bom investimento. Hoje todas essas dificuldades me ensinaram a dar mais valor a cada prancha, patrocínio e tudo que o surf me proporciona.

Este ano você foi muito elogiado pela sua performance no Lowers Pro em Trestles. Já no Prime Saquarema, não conseguiu ter o mesmo desempenho. Como analisa sua atuação durante os dois eventos?

Em Lowers, as condições de onda eram muito boas, já em Saquarema estavam muito difíceis. Acredito que errei muito na estratégia, mas também fui prejudicado pela demora na divulgação das notas e pelo som da locução estar muito baixo. Mas isso é normal e, com certeza, nas próximas competições vou ficar mais ligado.

Como foi vencer o QS da Joaquina ano passado em condições tão difíceis com ondas muito pequenas? 

Muito legal, uma sensação indescritível! Eu estava voltando de uma lesão e me preparando muito fisicamente com meu fisioterapeuta Marcelo Pinson e meu grande amigo Filipe Kita. Foi um evento que vai ficar para sempre em minha memória por estar com minha “segunda família” na praia. Sem dúvidas, isso foi muito importante  para mim.

Que tipo de preparação você faz e o que está fazendo para se aprimorar para as próximas competições?

Quando estou no Brasil, fico em Floripa, onde tenho preparação física, acompanhamento de uma nutricionista, além de praticar yôga, natação, pilates e aula particular de inglês. Também tenho um calendário de treinos que cumpro diariamente. Estou treinando muito. E, nesse momento, os nossos planos são de polir o surf e aprimorar as estratégias. Estamos trabalhando e uma hora o resultado vem.

Qual a sua maior arma para derrotar seus adversários nas baterias?

A fé. Ela me da confiança e garra pra acreditar que vai vir a onda e eu vou fazer a nota que preciso.

Quais trips que você fez esse ano e o que elas agregaram no seu surf? Alguma outra já programada? 

Comecei em janeiro e só voltei depois do Lowers Pro: Hawaii x Austrália x Indonésia x Califórnia x Saquarema. Foi muito importante esse começo de ano. Troquei de prancha, treinei muito na Indonésia, cheguei na Califórnia uma semana e meia antes do evento e peguei boas ondas. O surf deu uma evoluída e é muito bom sentir isso. Mas quero surfar as ondas do WCT: JBay,  Teahupoo e Fiji. Com isso, já vou “conhecendo o gramado” para um dia, quando eu for da elite, não estar indo pela primeira vez em pleno evento.

Quando o mar está flat, qual seu treino para aprimorar seu desempenho dentro d’água?

Quando o mar tá flat, eu surfo também (risos)! Não gosto de mais nada que não seja o surf e meu descanso é dentro d’água. Amo surfar e vou estar de pé em cima de uma prancha até quando minhas pernas suportarem. E quando elas não aguentarem mais, eu vou de peito mesmo (risos)!

Quais suas próximas expectativas na carreira para o restante de 2015? 

Entrar no WCT esse ano, mas o objetivo maior é atingir um nível de surf que me possibilite chegar ao Tour mundial batendo de frente.