O LADO B DAS PRANCHAS

O equipamento utilizado pelos atletas nos eventos da WSL é o foco dos holofotes da grande mídia. Mas nem só de baterias vive o esporte. Existem pranchas de surf com formatos e propósitos bem diferentes dos perseguidos pelos competidores. O Lado B das Pranchas é uma ala mais livre para o shaper criar e para o surfista experimentar. 

Por Rômulo Quadra.

Os anos 70 foram um verdadeiro caldeirão cultural. Nessa década surgem os hippies, o rock psicodélico… A contracultura estava viva e pulsante. O movimento atingia os jovens direta ou indiretamente por todos os lados. Uma época de liberdade, contestação e experimentação. Em 1967, Jimi Hendrix explode para o mundo com o seu cartão de visitas, o aclamado disco Are You Experienced. A obra destacou a psicodelia do músico e retratou como poucos o conceito que iria reger a década seguinte: experimentar.

O produtor audio visual Vovo Lopez de Mini Simmons 5’0. Foto Felipe Ditadi.

No surf não foi diferente. A galera quis testar, provar novos sabores, criar novas tendências… A inovação não foi exclusiva da década de 70, os modelos mini-simmons foram criados por Bob Simmons nos anos 50, por exemplo. Mas a década de 70 foi contestadora, um movimento de surfistas e shapers decidiram rever os padrões das pranchas e muitos resolveram reduzir os longboards. Já outros optaram por mudar a disposição das quilhas e alguns foram mais ousados, criando shapes alternativos e até assimétricos. Nesse recorte espaço temporal são criados os modelos fishs, as biquilhas e aparecem outlines surreais. Mas como a teoria não se sustenta sem a prática, Mark Richards, o inventor do sistema “Twins” (biquilha), foi tricampeão mundial entre 1979 e 1982 surfando de biquilha, uma invenção progressista para aquela época. Diante de tal feito, muita gente pelo mundo teve um estalo: inovar é preciso.

“Não há nada de errado com a música pop, muitas pessoas a amam. Só que eu prefiro batidas irregulares e expressões mais psicodélicas.” – Dave Rastovich
Dave Rastovich de biquilha em Nias. Foto: Pedro Tojal.

Voltando ainda no passado, para os que viveram a época das fitas cassete de música lembram que elas contavam com dois lados: o “A” seguia uma linha Pop e o lado “B” era um espaço para o artista se expressar, digamos, de forma mais livre. “Surfar é como música e as pranchas são como os instrumentos musicais. Não há nada de errado com a música Pop, muitas pessoas a amam. Só que eu prefiro batidas irregulares e expressões mais psicodélicas”, diz Dave Rastovich, criando uma analogia entre música e surf.  ‘Rasta’, como é chamado, foi capa da Surfar, na edição de agosto, pegando um tubo de 10 pés com uma biquilha em Nias.

MÃOS A OBRA

Fabio com uma Quad de rabeta Pentagon. Foto: Arquivo Pessoal.

O ídolo Fabio Gouveia, agora aposentado das competições, se dedica há algum tempo na arte de shapear pranchas. Os contornos criados por Fabinho muitas vezes são pequenos e largos, com uma, duas ou quatro quilhas. Exemplos como o dele são provas de que a moda é cíclica e de que os padrões do passado podem e devem ser reinterpretados. “Guardei muitas pranchas que me trouxeram resultados ou performances satisfatórias. É uma grande diversão mixar esses modelos com referências novas, seja mudando um pouco o outline, mexendo nas curvas ou no posicionamento das quilhas e etc”, disse o ex-atleta da elite.

E ainda completou: “Na real, desde que parei em 2009, as pranchas encurtaram, alargaram-se os meios, os bicos e em certos casos ganharam volume nas bordas. Gosto de tudo, desde single fins às quadriquilhas, inventadas pelo Ricardo Bocão. Mas a minha curtição são as twins (biquilhas), pois com elas pode-se atingir a performance de qualquer outra prancha.” Fabio, na condição  de “pai shaper”, está sempre pensando em contornos que atendam também as necessidades do filho Ian nas competições.

“Minha curtição são as twins (biquilhas), pois com elas pode-se atingir a performance de qualquer outra prancha.” – Fabio Gouveia

Gregório Motta, dono da Aerofish. Foto: Arquivo Pessoal.

Outra referência nacional de shaper que produz pranchas fora dos padrões competitivos é o Gregório Motta, dono da Aerofish, representante da nova geração. Nascido em São Paulo e de família de surfistas, Gregório começou a shapear em meados de 2000. Modelos fish progressivos sempre chamaram sua atenção pelo design, cores e performances únicas. “Minhas influências são ecléticas, procuro um pouco de cada shaper e designer do passado. Gosto de pensar como os shapers desenvolviam os bólidos e como o design foi evoluindo de acordo com o tempo. Minha escola de shape já é moderna, sei como funciona um fundo em V, double ou concave, então, para mim, é muito comum inserir concaves em outline retrô”, explica.

A Aerofish possui uma linha com mais de 20 modelos atendendo diferentes estilos e propósitos dos surfistas. Ainda segundo o shaper, as vendas da sua marca giram entre 25% da linha retrô, 25% da high performance e 50% de modelos alternativos.  Esta última, Gregório definiu como “uma nova tendência de pranchas evoluídas do line retrô, mas sem abandonar as raízes. São pranchas modernas, porém com um pouco mais de área no bico, rabetas alternativas e mistura de design.”

“Minha escola de shape já é moderna, sei como funciona um fundo em V, double ou concave, então, para mim, é muito comum inserir concaves em outline retrô.” – Gregório Motta

O Brasil não é um caso isolado, o mundo está experimentando conceitos novos. O shaper carioca Pedro Battaglin, que hoje mora nos EUA e administra a produção mundial das pranchas Rusty, explica que os modelos mais vendidos atualmente não são os de alta performance: “As pranchas com mais área e mais espessura, chamadas na Califa de ‘Groveller’, são as mais vendidas por aqui. Todo surfista na Califórnia tem uma dessas, além da prancha de performance do dia a dia.” A alta popularidade das pranchas Groveller fez com que o shaper Rusty Preseindorf  diversifica-se  os modelos oferecidos pela marca. “Temos as consagradas Dwart, Neil Diamond, Rooster, Hustler, Happy Shovel e uma nova leva foi lançada em setembro no Trade Show da Florida”, conta Pedro, que continua shapeando todos os dias.

A demanda crescente por esse tipo de pranchas já é também uma realidade por aqui.  Segundo o gerente comercial da Rusty, Sávio Carneiro, as Groveller fazem um grande sucesso e já representam 75 % das vendas de pranchas da marca no Brasil. “Com toda certeza, a procura por esses modelos é bem intensa, pois elas se adaptam ao perfil do surfista de fim de semana que precisa de pranchas mais largas e com mais flutuação”, esclarece Sávio, ex-surfista profissional. A Rusty ainda mantém um modelo leal ao design do passado, o Occy, de 1984, totalmente old school.

Pedro Battaglin na sala de shape. Foto: Arquivo Pessoal.
sh Kerr com o modelo utilizado em Teahupoo no ano de 2015. Foto: Arquivo pessoal.

sh Kerr com o modelo utilizado em Teahupoo no ano de 2015. Foto: Arquivo pessoal.

Durante o Billabong Pro Tahiti 2015 aconteceu um fato inusitado. O surfista australiano Josh Kerr utilizou uma prancha assimétrica durante a bateria. “O próprio Rusty desenhou para o Kerr especificamente para Teahupoo. Não é um modelo, ainda está em fase de testes”, explica Pedro Battaglin sobre essa prancha, que mais tarde foi leiloada e vendida por 1.111,00 dólares australianos, uma bagatela de aproximadamente 2.830,00 reais. A verba foi destinada para a casa de recuperação FleaHab, exclusiva para esportista usuários de drogas, localizada na Califórnia.

E quando questionado se a assimetria poderia ser uma tendência para as competições, Battaglin, que licenciou a marca Rusty no Brasil em 1995, foi um pouco mais prudente com a inovação: “Acho muito precoce dizer, já que os surfistas profissionais são muito tradicionais em suas pranchas e pouco se arriscam. Não há muito tempo para testes e desenvolvimentos.”

“As pranchas Groveller são as mais vendidas por aqui. Todo surfista na Califórnia tem uma destas, além da prancha de performance do dia a dia.” – Pedro Battaglin, radicado na  Califórnia

Modelo NONOSE, Joca Secco. Foto: Arquivo Pessoal.

Para o renomado shaper carioca Joca Secco da Wetworks, o cliente deve saber muito bem sobre os prós e contras do equipamento que pretende adquirir. “Não se pode esperar que um equipamento alternativo possua a mesma resposta de um de alta performance. Cada modelo deve ser usado respeitando as suas características. Tendo isso em mente, é muito legal ter vários modelos no seu quiver.

Os modelos alternativos proporcionam uma sensação diferente ao surfista”, alerta Joca sobre o propósito de cada equipamento. A Wetworks vende aproximadamente 500 pranchas de surf por mês. Tanto os modelos high performance quanto os alternativos, que ele se refere como recreativos, caíram no gosto da clientela fiel a marca. “Hoje na Wetworks a produção está muito dividida entre alta performance e recreativo. A galera tem gostado muito desses modelos, justamente pelo feeling diferente”, esclarece Joca.

NEGÓCIOS À PARTE

Oswaldo Baire exibe modelo do shaper Tomo. Foto: Arquivo pessoal.

O lojista Oswaldo Baire, dono da loja Boards Co., localizada na famosa Galeria River do Arpoador e considerada uma das surf shops mais completas da cidade do Rio de Janeiro, vê um mercado fértil no país para modelos com designs progressivos e feitos de novos materiais. “Cada vez mais os surfistas vêm se interessando por uma nova abordagem nas ondas e essas pranchas abrem infinitas possibilidades. Um bom exemplo são as pranchas do shaper Daniel ‘Tomo’ Thomson, que fora do Brasil é um dos mais inovadores. Caras como Tom Currem e Kelly Slater usam as suas pranchas em sessões de free surf. Os resultados foram surpreendentes!”, contou Baire.

Segundo o lojista, o surfista brasileiro ainda é um tanto conservador quando o assunto é inovar o quiver. As vendas desse tipo de equipamento, com desenhos futuristas e feitos de materiais alternativos no Brasil, giram em torno de 5 a 10% de todas as pranchas vendidas, números muito baixos se comparados ao mercado californiano, onde ultrapassam os 30%. “Acredito que essa seja uma grande aposta para o futuro. A própria compra das ações da marca Firewire pelo Kelly Slater é uma confirmação de que esse é um processo irreversível”, explica o dono da Boards Co.

Loja Boards Co. do Arpoador, RJ. Foto: Divulgação Boards Co.

Para Oswaldo, os modelos Groveller, as fishs moderninhas, caíram no gosto do consumidor e as vendas não param de crescer, mesmo em um momento de crise. “Há alguns anos, as pranchas surgiram como uma opção não só para o verão, estação com baixa incidência de ondas na costa do Brasil, mas também para o resto do ano. A mudança nas dimensões das pranchas afetou tanto o surf competitivo quanto o free surf. Todas as pranchas de uma maneira geral estão menores, com mais meio e borda para compensar a flutuabilidade. Essas mudanças empurraram o nível do surf mundial a outro patamar”, explica.

“Caras como Tom Currem e Kelly Slater usam as pranchas ‘Tomo’ em sessões de free surf. Os resultados foram surpreendentes.” – Oswaldo Baire, Boards Co
Antonio Potinari. Foto: Arquivo pessoal.

Portinari com uma de suas biquilhas. Foto: Arquivo Pessoal.

Para compreender o presente é preciso estudar o passado. Antonio Portinari partiu desse princípio quando decidiu se jogar de cabeça para abrir a Art in Surf. Com seis lojas de pronta entrega de pranchas retrô, distribuídas entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, o carioca se orgulha de ser um dos poucos a se arriscar em um mercado ainda pouco explorado no Brasil. “Existia uma carência no Brasil desse tipo de equipamento. Nos EUA e Austrália há muitas lojas especializadas, mas aqui não. Eu também tinha vontade de resgatar aquela ideia de surfar só pela diversão. É perceptível que a maior parte das pessoas hoje surfam pensando em campeonatos, em ídolos como o Medina,e por isso o mercado de surf ficou um tanto pasteurizado”, fala o lojista.

Segundo o comerciante carioca, a inspiração para criar as lojas Art in Surf veio de filmes antigos dos anos 70: “Eu sofri muita influência de filmes como ‘Morning Of  The Earth’ e ‘Free Ride’. De uma hora para outra, esse mundo se abriu para mim e surgiram opções de poder surfar com esse tipo de prancha e de fazer uma linha de surf diferente.”

Dave Rastovich com uma single fin. Foto: Divulgação Billabong.

A volta das pranchas retrô trouxe também um pouco de nostalgia para os surfistas mais velhos. Aquela prancha mágica que marcou uma época pode ser resgatada para novamente fazer história. Mas não é somente os surfistas mais velhos que procuram os modelos antigos, os jovens também são uma parcela expressiva da clientela da Art in Surf. “A galera mais nova é influenciada por surfistas como Dave Rastovich e Craig Anderson, assim buscam equipamentos diferentes. O surf hoje é um esporte muito mais democrático do que há alguns anos. Existem mais opções de modelos de pranchas. Tem uma galera mais velha que procura a minha loja por certa nostalgia. Eles encontram muitas vezes modelos similares aos que eles começaram a surfar. A pessoa um pouco mais velha tem uma conexão com esse tipo de prancha”, esclarece Antonio, que vive entre Bali e o Rio de Janeiro.

“Eu sofri muita influência de filmes como ‘Morning Of  The Earth’ e ‘Free Ride’…
E surgiram opções de poder surfar com esse tipo de prancha e de fazer uma linha de surf diferente.” – 
Antonio Portinari

FOGUETES NO PÉ

Mas qual seria a opinião de surfistas profissionais na ativa sobre os modelos alternativos? O guarujaense Junior Faria não tem medo de experimentar e conta com um quiver recheado de pranchas com outlines alternativos. “Eu não consigo ver diversão em usar sempre o mesmo equipamento. Meu quiver vai de 5’2’ até 9’8’. São longboards, waimea guns, monoquilhas, biquilhas, triquilhas e pranchas sem quilhas”, explica. Ainda segundo o guarujaense, o surfista que não vive das competições, não deveria tentar se enquadrar no equipamento criado unicamente para competir: “Não dá para considerar o que 30 surfistas (atletas da elite WSL) usam para o resto de uma população que pega onda. Eles se encontram num nível de habilidade que praticamente só eles estão surfando, e o equipamento deles funciona para fazer notas dentro dos critérios da WSL. Ninguém deveria usar este tipo de equipamento além deles.”

Junior exibe quiver com diversos modelos de pranchas. Foto: Sebastian Rojas.

Junior de biquilha e mão na borda. Foto: Rafaski.

Junior Faria utiliza diversos modelos e alguns até parecem obras de ficção científica. Os designs modernos e inusitados criados pelo shaper Daniel Thomson estão presentes no quiver do surfista. “O trabalho do Daniel é o que está mais à frente em matéria de hidrodinâmica e objetividade para mim. Tudo presente no desenho do produto idealizado por ele está ligado à performance, não tem nada a ver com estética”, explica o guarujaense, que há muito tempo não tem um modelo de prancha favorito, o “grande barato” desse surfista é experimentar.

“Eu não consigo ver diversão em usar sempre o mesmo equipamento. Meu quiver vai de 5’2’ até 9’8’.” – Junior Faria

Outro paulista que preza por um quiver recheado de pranchas diferentes é o surfista profissional santista Andrew Serrano. Mas diferente de Junior, ele possui sim uma prancha mágica: “Ela é uma biquilha,  tamanho 5’4, modelo Flipper do shaper Gregório Motta. É uma prancha que me possibilita realizar a linha clássica e ao mesmo tempo arriscar alguma manobras mais progressivas. Ela tem uma borda e um bico mais atual, mas o modelo é inspirado no retro.” No entanto, apesar da preferência assumida pela biquilha, o santista escolheu uma monoquilha para diariamente ser a sua primeira opção. O desafio técnico proporcionado pelo modelo é o que o motiva a surfar com o equipamento no seu dia a dia. “Você precisa ter outro tipo de leitura ao utilizar uma monoquilha. A prancha não é tão funcional. É um equipamento que estava em desenvolvimento no início do esporte, então ela é bem ‘ogra’. Mas depois que começa a entender o equipamento, você passa a ver o lado positivo de se surfar com ela. Eu tenho muitas pranchas, algumas antigas, outras réplicas do passado, da marca Lighting Bolt”, fala Andrew.

Andrew Serrano de monoquilha. Foto: Everton Luis.

Andrew Serrano. Foto: Itamar Guimarães.

A paixão de Andrew Serrano pelas pranchas antigas começou por influencia de seu pai, que tinha alguns modelos retrô em casa. Outro surfista que também tem crédito nessa paixão de Andrew pelos designs antigos é o lendário Cisco Araña. “Meu pai me colocou na escolinha de surf do Cisco e ele me ensinou muita coisa, uma delas foi o macete de utilizar tipos variados de pranchas, como o longboard clássico ou uma gunzeira. Ele sabia que esse equipamento me daria uma leitura de onda diferenciada”, conta o surfista local da Baixada Santista.

“Você precisa ter outro tipo de leitura ao utilizar uma monoquilha… Depois que começa a entender o equipamento, você passa a ver o lado positivo de se surfar com ela.” – Andrew Serrano

Fanta preza por um surf de arcos bem definidos. Foto: Divulgação Hot Buttered.

Já indo em direção ao Sul, Fernando Fanta, natural de Santa Catarina, é um autêntico representante desse movimento de surfistas que busca um quiver amplo, com pranchas de designs bem diferentes. Fanta tenta resgatar através de um equipamento funcional em manobras de borda a essência antiga do surf, recuperando o prazer de deslizar na onda e rasgá-la. “Além de usar pranchas com outlines antigos (réplicas), sempre que posso estou na água com pranchas antigas originais. Como não participo mais de competições, eu tenho a chance de encaixar o que tínhamos de funcional daquela época e trazer esse desafio aos shapers de hoje, que podem juntar todas as técnicas e chegar a um resultado positivo”, explica  Fanta sobre o trabalho que vem fazendo junto a shapers, como Alzair Russo e Terry Fitzgerald, de unir conceitos antigos aos modernos.

As altas pontuações tão cobiçadas pelos competidores estão fora dos seus planos, a atual prancha mágica do catarinense é a prova da mudança de propósito e mentalidade do surfista: “O meu modelo favorito é uma 5’11 bem reta com quase nenhuma envergadura, grossa e larga desde do bico, características das pranchas dos anos 70 e 80. Ela ainda termina com um falso wing, deixando a rabeta ainda mais estreita. Funciona em diversas condições, traz a diversão das pranchas antigas e não deixa a desejar na hora de ser radical.”

Fanta em mais um dia de surf. Foto: Divulgação Hot Buttered.

“Deixei de lado o compromisso de fazer manobras radicais e passou a aproveitar apenas o prazer de escorregar na água e manobrar quando necessário, com sutileza e precisão.” – Fernando Fanta
Junior Faria, Andrew Serrano, Fernando Fanta e Dave Rastovich são alguns exemplos de surfistas formadores de opinião que optaram pelo Lado B das pranchas.  Uma ala menos competitiva, mais livre e um tanto escondida dos holofotes da grande mídia. Eles são a prova de que o mercado de surf é heterogêneo. Existem diferentes estilos, propósitos e realizações. Todas essas particularidades podem e devem ser expressas naquele momento mágico em que resta apenas o indivíduo, a sua prancha e o oceano. Submeter-se a um experimento é o mesmo que se recriar ou expandir os seus horizontes. Os padrões não são engessados, eles também sofrem alterações com o passar do tempo. Já pensou nisso?! A sua próxima prancha de surf pode ser a mais divertida de todas.