A carioca Raquel Heckert realiza seu sonho em sua primeira temporada havaiana e botou para baixo no swell que encostou no arquipélago.

Por Viviane Freitas / Blog Surf Room 

Habituada com as ondas pesadas da Região dos Lagos, a carioca Raquel Heckert está se sentindo em casa no arquipélago havaiano. Botando pra baixo nas ondas do North Shore, a surfista está aproveitando bem a temporada de bons swells em picos como Waimea, Pipeline, Makaha, V-Land e Rocky Point.

Foto: Fábio Dias

“Nem acredito que pude estar aqui neste ano de El Niño. Eu tinha feito de tudo para vir temporada passada e não consegui, mas tudo tem seu tempo e é bom saber que cheguei na hora certa. Este é o lugar que mais estou pegando onda boa na minha vida”, festeja Raquel, que está aproveitando o fundo de areia e altos tubos, se jogando em Waimea, Pipe e Ehukai. Para quem curte esquerdas,  a surfista da Região dos Lagos indica V-Land que é perfeitinha. Já aos que preferem uma boa dose de adrenalina, a pedida é Makaha com tamanho e Sunset, sua onda preferida.

Raquel em Pipeline. Foto: Maria Fernanda.

Os seis meses da sua primeira temporada havaiana vão render boas histórias e lembranças, como um dia épico em Pipeline dentro de dois cilindros inesquecíveis. “Nunca mais vou esquecer aqueles tubos que peguei. Essa onda requer muita remada e foco porque você não quer errar e se machucar no reef, muito menos machucar alguém. Por isso, é bom esperar o momento certo mesmo que demore muito. Algumas vezes sou a única mulher em Pipe, então preciso me esforçar bastante para pegar onda”, lembrou a surfista.

“Tenho a sensação que já peguei o mar da minha vida várias vezes aqui. É difícil explicar porque sou grata a Deus, por minha família e amigos que me deram coragem para vir até aqui surfar estas ondas. É incrível como Deus foi abrindo portas para mim…”

A surfista aproveitando um dia clássico em Waimea. Foto: Maria Fernanda.

O localismo não é um problema para as mulheres no North Shore, diferente dos homens que algumas vezes são expulsos do pico pelos nativos. O mais importante, segundo ela, é respeitar a preferência e não atrapalhar ninguém, pois sempre há quem alivie ou não quer nem saber da sua existência. Na meca do surf, a carioca conta com incentivo do surfista Makua Rothman que sempre que a vê libera a boa da série. “É muito legal quando as pessoas reconhecem seu esforço e cedem alguma onda, fico tão feliz! Em lugares mais tranquilos, com fundo de areia, é só me posicionar bem que surfo bastante. Pipe já tenho um respeito maior, muito mais pelo crowd do que o tamanho da onda”, disse.

Foto: David Backer

Raquel não pensou duas vezes em pôr a sua “gunzeira” na água em dias clássicos da Baía de Waimea. Sua atitude é lembrada pelos locais ao andar pelas ruas do lado norte da ilha, que a parabenizam e incentivam pela coragem e domínio em ondas tão pesadas. Mas nem tudo são flores. Os perrengues existem, como numa caída em que arrebentou a cordinha e precisou sair nadando. Há também momentos em que precisa recuar. “Waimea sempre rende muito aprendizado como uma vez que perdi meu strep e a minha prancha foi parar nas pedras. Ainda bem que não aconteceu nada comigo, só mesmo com a minha única ‘gun’ que ficou toda amassada”, comentou Raquel.

A surfista carioca está aproveitando bem a temporada de bons swells.

Além do surf, uma grande fase de amadurecimento acontece na vida da atleta que está longe da família arcando com toda a responsabilidade de moradia, se manter com pouco dinheiro, conseguir equipamentos, imagens, etc. Mas todo esforço tem sua recompensa e a cada dia havaiano é um sonho que se realiza. “Tenho a sensação que já peguei o mar da minha vida várias vezes aqui. É difícil explicar porque sou grata a Deus, por minha família e amigos que me deram coragem para vir até aqui surfar estas ondas. É incrível como Deus foi abrindo portas para mim, estou tendo a melhor temporada da minha vida”, conclui Raquel Heckert, que ama a adrenalina de passar dentro de um tubo.