O carioca Luiz Blanco, morador do bairro do Cosme Velho, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, descobriu o surf ainda garoto, mas foi só nos tempos da faculdade que enxergou a possibilidade de viver do esporte através de suas lentes. Seu trabalho é marcado pela busca incessante por novos ângulos e perspectivas, sempre tentando fugir à clássica foto frontal enquadrando apenas o surfista e a onda. “Procuro objetos que eu possa enquadrar no primeiro plano ou no fundo. Acredito que o surf não se resume apenas na onda, cada praia tem suas características e suas ondas. Outro aspecto importante, que às vezes é visto como secundário, é a luz. Nem sempre a luz frontal é a mais interessante, por isso vale tentar variar os ângulos à procura de não apenas enquadramentos diferentes, mas também de variar a iluminação da foto”, explica. A Surfar traz uma mostra do talento e conta um pouco sobre carreira de Blanco. Confira!

NASCIDO: 13/10/1983

RESIDENCIA ATUAL: Rio de janeiro

EQUIPAMENTO: Canon Digital

MELHOR PICO PARA FOTOGRAFAR: Cacimba do Padre, Pipeline e Puerto Escondido.

MELHOR TRIP: Hawaii e Fernando de Noronha

CAPAS PUBLICADAS: Duas capas da Fluir

INSPIRAÇÃO: Fabio Minduim, Pedro Tojal, Henrique Pinguim,  Bidu, Diogo d’Orey, Gustavo Camarão e outros.

MOMENTO MAIS ESPECIAL DA PROFISSÃO: Ver Pipe e Teahupoo quebrando.

SITE: luizblanco.tumblr.com

Trekinho em um momento iluminado no Recreio. Essas sessões não eram fáceis. Acordávamos bem antes de o sol nascer para preparar tudo com calma e para que o surfista já estivesse pegando onda no momento em que a luz começasse a aparecer. Cansei de acordar cedo e me frustrar por causa do tempo ou do mar ruim.

O COMEÇO DO OFÍCIO

Desde o início, eu fotografava o surf. Fiz curso para aprender melhor a parte técnica, pois acho muito importante entender a máquina fotográfica e saber um pouco de iluminação também. Estudar é essencial! Quando comecei ainda não tinha digital e era tudo um pouco mais difícil, mas fiquei pouco tempo na era analógica. Quando surgiu o digital, as possibilidades aumentaram bastante e foi quando meu trabalho começou a aparecer mais. O surf possibilita diversas abordagens fotográficas diferentes, é muito icônico. Eu desenvolvo meu trabalho explorando isso, a liberdade que o surf proporciona para se fotografar que sempre pode se renovar, até porque o mar está sempre mudando também.

 

A VERTENTE ESCOLHIDA

O surf é uma área muito interessante da fotografia. Os cenários são incríveis! É um prazer viajar para trabalhar, uma oportunidade que nem toda a profissão proporciona e são poucas as que o fazem como o surf. O registro, a fotografia, é uma mistura de tranquilidade e de agitação, uma festa profana no paraíso. Gosto muito desse contraste que o surf proporciona. E a ideia de congelar um momento muito efêmero, de usar de toda a velocidade e movimento para compor uma imagem estática. Sempre surfei, então, queria continuar próximo a esse ambiente e meu trabalho como fotógrafo me possibilita isso.

Essa é uma foto da ponta do Leblon, o famoso “Pontão”, feita um pouco mais do meio da praia. Gosto do grafismo e aspecto urbano que o hotel dá para a imagem. O Pontão é um pico super urbano e cheio de interferências. Eu não gosto muito de surfar, mas gosto de fotografar.

A PERSPECTIVA DO FOTÓGRAFO

Tento sempre dar uma variada naquela foto clássica frontal de surf enquadrando apenas o surfista e a onda. Procuro objetos que eu possa enquadrar no primeiro plano ou no fundo. Pedras, montanhas, pessoas ou até mesmo a própria areia. Acredito que o surf não se resume apenas na onda, cada praia tem suas características e suas ondas. Fotografar apenas a onda é fazer um pequeno recorte do todo, tento trabalhar recortes diferentes, mais abrangentes. Outro aspecto importante, que às vezes é visto como secundário, é a luz. Nem sempre a luz frontal é a mais interessante, por isso vale tentar variar os ângulos à procura de não apenas enquadramentos diferentes, mas também variar a iluminação da foto.

Junior Faria em Puerto Escondido, uma das praias que mais gosto de fotografar. É uma onda relativamente rápida, mas que proporciona momentos extraordinários. 

O ESCRITÓRIO DOS SONHOS

É difícil apontar um. Uma das graças de fotografar o surf são as variantes. Eu, pessoalmente, prefiro as praias com bastante espaço para trabalhar os ângulos, com grande faixa de areia ou poucas construções próximas. Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, as praias são apertadas pela cidade, a faixa de areia acaba e você normalmente já está na rua. Também gosto de ondas que quebrem mais próximas da areia, como, por exemplo, Pipeline, Puerto, Cacimba do Padre. Essas ondas possibilitam diversas abordagens para fotografar, dizem que uma onda nunca é igual à outra, então é legal que as fotos estejam sempre variando também. Assim temos muito mais possibilidades.

A MELHOR FOTO

Gosto muito de uma do Junior Faria em Puerto Escondido e outra  do Nathan Fletcher em Pipeline. São surfistas com estilo em ondas boas e o enquadramento me agrada. São dois tubos, manobra bastante estética, mas, às vezes, difícil de pegar o melhor momento. Gosto de fotografar aéreos também, onde o momento certo é bem definido. Tubos são mais difíceis de definir o melhor momento e, às vezes, o melhor não fica legal na fotografia. Enfim, são fotos onde acho que consegui um bom momento em uma boa série com um bom surfista.