PISCINA DE ONDAS DE SLATER NO TOUR

Diretor da WSL fala também sobre novas etapas na Indonésia ou na América do Sul pelo Circuito Mundial no futuro.

Está se tornando cada vez mais real a possibilidade de realizar uma etapa do Circuito Mundial em uma piscina de ondas artificiais, como a idealizada pelo 11 X campeão mundial Kelly Slater. E com o intuito de atingir cada vez mais pessoas e contribuir para o desenvolvimento do esporte, a WSL adquiriu parte dos direitos da Wave Company e planeja realizar uma etapa do Tour em uma piscina de ondas. Apesar de o calendário deste ano ter continuado com as mesmas 11 etapas da temporada do ano passada, esse sonho pode virar realidade em 2018. (Em destaque: Slater se divertindo em sua piscina de ondas. Foto: Reprodução)

“Ter uma etapa em uma piscina de ondas artificiais é uma possibilidade forte e real. Estamos avaliando inclusive de termos uma etapa do Tour na ‘Kelly Slater Wave Pool’. É algo que estudamos estudando. Estamos avaliando as possibilidades, analisando todas as venues com o compromisso de melhorar e ajudar o no desenvolvimento do esporte. O nosso time de comissários está sempre observando as opções em potencial, mas ainda não há nada oficial na mesa. Temos muito trabalho pela frente”, falou Graham Stapelberg, diretor internacional de eventos da WSL. 

A onda artificial de Kelly Slater. Foto: WSL.

A WSL Holdings, empresa-matriz da WSL, anunciou em maio do ano passado um acordo no qual adquiriu uma participação majoritária na Kelly Slater Wave Company, responsável pela revolucionária tecnologia de ondas artificiais. A parceria entre a WSL e a KSWC tem como objetivo promover o crescimento do surf de alto desempenho no mundo e abre um leque de possibilidades para o futuro do esporte. Mas já existem  divergência de opiniões sobre o assunto.

Mineiro em Pipeline. Foto: Tony Heff/WSL.

“Prefiro o mar, a relação com a natureza. Gosto de ter que me posicionar para descobrir o que a natureza vai me enviar. Numa piscina teremos sempre ondas, será ótimo para a TV, para as olimpíadas , e acredito que ate seria interessante num futuro termos uma etapa do WCT, mas nada substituirá as ondas do mar”, disse Adriano de Souza, campeão mundial de 2015 (Confira a expectativa de Adriano sobre o surf nas Olimpíadas de 2020 aqui).

Já o “inventor” Slater acha que a essência é mesclar um pouco de ambos os conceitos. “Para mim, o surf sempre será a aventura, as viagens e o mar. Mas essa onda trará novas oportunidades para o esporte, sem sacrificar o lado fundamental e de alma que nos atrai para o surf. Surfar ondas incríveis num ambiente controlado acrescenta uma nova dimensão para o nosso esporte. Não vai ter ninguém te rabeando e se estressando sobre quem pegou a melhor onda, pois todas na piscina são boas. Então todo mundo poderá relaxar, se divertir e se concentrar em como melhorar o seu próprio surf”, disse o 11 X campeão mundial, após o lançamento do projeto.  (Leia a entrevista de Slater sobre sua piscina de ondas clicando aqui)

Além de uma etapa do Tour nas ondas artificiais, a WSL pensa numa rede global de centros de treinamento usando a tecnologia, o que possibilitaria a prática do surf em lugares não há ondas. Inclusive esse projeto foi apresentado como uma alternativa para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Os organizadores cogitaram o modelo, porém optaram por realizar a disputa em Chiba, cidade vizinha à capital japonesa, onde estão concentrados os principais surfistas do país.

Kelly Slater. Foto: Tood Glasser.

Com relação à parceria entre a entidade e a KSWC, Slater fala que além de um sonho, isso também promove uma maior democratização do esporte porque irá atingir mais pessoas, disseminando o surf em lugares até então inimagináveis: “Ver essa parceira inédita com a WSL e possibilitar o avanço global deste esporte maravilhoso, vai além dos meus sonhos. Isso vai democratizar o surf e proporcionará oportunidades incríveis em relação ao treinamento dos atletas, além de incentivar futuros praticantes em lugares sem acesso ao mar.”

E expandir os horizontes é uma meta constante da WSL. Graham Stapelberg diz que a entidade tem estudado uma série de possibilidades para o futuro, entre elas cogita etapas em lugares da América do Sul e Central, além da Indonésia. O sucesso de etapas do QS nas Ilhas Mentawai, Nias e Keramas, em Bali, reforçou a hipótese de se realizar uma etapa pela elite em um dos picos mais perfeitos do mundo.

O eterno sonho da busca pelas melhores mais perfeitas ondas pelo mundo afora nunca acabará! Foto: Cestari/WSL.

“Às vezes usamos o QS como ponto de partida para avaliar o ambiente, entender a dinâmica do local, os desafios e a viabilidade de realizar um campeonato naquele local. A Indonésia tem grandes ondas, assim como em praias da Ásia, da América do Sul e Central. Estamos estudando os cenários e cogitamos ter novamente uma etapa na Indonésia ou em algum lugar da América do Sul no WCT. Estamos sempre tentando melhorar, buscando o desenvolvimento do surf, avaliando as possibilidades e as oportunidades que surgem. O QS pode ser um ponto de partida para desenvolver um evento no WCT. Mas queremos fazer grandes campeonatos tanto no QS e como no WCT”, explica Graham.

Mesmo “acabando”o problema da falta de ondas com as piscinas artificiais, a magia e os mistérios do oceano jamais acabarão. O eterno sonho da busca pelas melhores mais perfeitas ondas pelo mundo afora nunca acabará! 

 Fonte: globoesporte.globo.com