PORTFÓLIO BRUNO TESSARI

BRUNO TESSARI é um daqueles videomakers que teve um início de carreira muito natural. “Eu  e meus amigos Alan Fendrich, Pablo Aguiar e Mickey Bernardoni costumávamos ir à praia surfar sempre com uma câmera. Cada um ficava na areia uma hora filmando e, no começo, eu achava a pior parte do surf”, contou ele enquanto ria.

No entanto, em pouco tempo Tessari já estava filmando os campeonatos locais de Balneário Camboriú e logo mais fez alguns portfólios para atletas que estavam em busca de patrocínio. A partir daí, o catarinense se especializou na produção de curtas-metragens, mostrando não só o surf como também o lado pessoal
do surfista. 
 

Hoje Tessari já é uma das principais referências do Brasil nessa área, tendo em seu portfólio trabalhos como “Entre o Céu e o Inferno” com Junior Faria, “Faith” com Filipe Toledo e “Better Days” com seu grande amigo Alejo Muniz. Bruno agor focado em produzir um curta do Tomas Hermes, outro com Jessé Mendes e mais um do Alejo. 

Foto em destaque: Filmando o Mineiro em uma boca de rio famosa pelos tubarões na África do Sul. “As condições estavam bem ruins, mas como dirigimos quatro horas para chegar…”

 Por Patrick Villaça / Fotos Rodrigo Willon

Bruno Tessari e Mineirinho em Marrocos durante o intervalo entre a etapa da França para Portugal. “Mineiro é um cara que não sai do Surfline procurando swell e, quando vimos que teria algo no Marrocos, fomos direto para lá. Três dias foram o suficiente e virou uma parte do doc que fiz para o Canal Off.”


“Foi tudo natural, nem pensava em ganhar dinheiro com isso. Era só uma brincadeira e ainda é, eu acho.”

Ao lado de Filipinho em Hossegor.

Ao lado de Filipinho em Hossegor.

NASCIDO: 12/07/1983 – Balneário Camboriú.  

RESIDÊNCIA ATUAL: Rio De Janeiro.

EQUIPAMENTO: Black Magic – Ursa.

TEMPO COMO VIDEOMAKER/FILMMAKER: 15 anos 

MELHOR PICO PARA FILMAR: depende do que você quer. Se for tubo, tahiti, pipeline… se for manobra Lakey Peak, Indonésia. 

Durante uma gravação em Portugal. “Achei legal essa. Parece que estou na lua.”

Durante uma gravação em
Portugal. “Achei legal essa. Parece que estou na lua.”

MELHOR TRIP: West Austrália. 

PIOR TRIP: Ballito. Fiquei duas semanas e ficou flat todos os dias. Mas gosto muito de lá, foi azar.

MELHORES SURFISTAS PARA FILMAR: Alejo Muniz, Filipe Toledo, Junior Faria, além de Ricardinho, que era um animal também, e também muitos outros. Não tem como citar todos.

SEUS VÍDEOS MAIS VISUALIZADOS: “Faith” com Filipe Toledo e “Better Days” com Alejo Muniz. 

FILMMAKERS FAVORITOS: No início era o Taylor Steele, mas depois foram aparecendo outros. Joe G é um dos que curto no momento.

CONSELHO PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO: Além de estudar fotografia e edição, praticar bastante e assistir muitos filmes.

SITE/REDES SOCIAIS: vimeo.com/brunotessari


“O pico que mais gosto de produzir é o Hawaii, por clichê. Eu curto muito talvez pelo desafio de tentar fazer algo novo em um lugar tão explorado. Mas não tem como esquecer a viagem que fiz para o Oeste da África com o Alejo. Quero voltar, sem dúvida!”

JUNIOR FARIA / Entre o Céu e o Inferno


“Sempre apreciei muito a boa fotografia. Então tento trazer esse lado artístico para os meus curtas, mas sem deixar isso muito monótono.  Não deixo as minhas raízes da época do punk rock sumirem, pois foi onde tudo começou e o que me influenciou.”

LUCAS SILVEIRA / Hawaii 2014


 “Até hoje escuto muita gente perguntando: ‘Por que os filmes de surf não são como antes? Daqueles que nos instigam para o surf, em que você dá o play e quer correr pra água’. Então tento fazer isso acontecer.”

Registrando um pôr do sol em Sunset, Hawaii. 


“Curto mostrar não só o que esses caras fazem na água, mas também um lado pessoal. Às vezes, você precisa passar um bom tempo para conseguir isso.”

“Eu com Mineiro e Edu, patrocinador do Adriano, na casa onde ficamos em J-Bay. Não estava em época de campeonato e fomos apenas para filmar o que virou um doc para a ESPN. Mineirinho é viciado em assistir vídeos de surf e esse era o filme Done do John John.”

Filmagem com Filipe Toledo na Casa do Lago na França.


“Eu estava na França quando o Alejo rompeu o ligamento do joelho. Após isso, começamos a filmar toda a recuperação, mesmo que fosse para a água só para subir na prancha, até o dia em que ele voltou do primeiro aéreo pós-cirurgia. Foi demais! Se você assistir o curta, vai notar que nesse momento eu deixo a câmera filmando e esqueço. Nessa hora, a gente só ria! Mas a melhor parte foi quando mostrei pessoalmente para o pai do Alejo, o Rubens Muniz. No momento que o vídeo terminou, ele estava chorando. Conseguir tocar alguém com seu trabalho é muito recompensador.”

ALEJO MUNIZ/ Better Days


 “Eu estava na Califa filmando com o Tomas Hermes quando encontrei o Filipe em State Park e ele me convidou para ficar na casa dele por um tempo. Ia voltar para o Brasil em dois dias, mas troquei minha passagem e fiquei duas semanas na casa dele. Filmamos todos os dias. Deu muita onda. Fomos para Rincon, San Diego e muito a Trestles. Mas o convívio naquela casa é uma experiência um tanto engraçada (risos)!”

FILIPE TOLEDO/ Faith


“Faz um tempo que as marcas de surf no Brasil não valorizam o audiovisual. Tenho tentado vender meu material para fora ou canais de TV. Sinceramente, não sei o que pode melhorar.”

Gravação com Alejo no West Austrália para o curta Better Days.“Caminhamos 40 minutos e ao chegar vimos um pico com cinco pessoas. Tubo no raso abrindo.” Foto: Bruno Tessari.


“O Alejo sempre curtiu muito produzir, gosta muito de arte, fotografia, inclusive de fotografar. Eu sempre estava viajando fazendo programas de TV e, quando o encontrava pelo mundo, nós trocávamos ideias sobre produzir algo junto. Mas calendário de atleta do Tour é voltado a viagens para os campeonatos, difícil de programar alguma trip.”

“Um dia após o Alejo perder no evento de Margaret River, fomos atrás de outras ondas e achamos essa que estava até melhor do que o Main Break.” Foto: Bruno Tessari.


“O que mais gosto é viajar contando a história dos atletas. Para fazer isso, você precisa conviver de verdade com a pessoa e entender o tempo de cada um, suas manias, o que incomoda e o que agrada. Durante os dias de campeonato, tento ficar invisível (risos). Com certeza, na janela de competição, a melhor hora para produzir é depois que o cara passa a bateria e o evento só volta em cinco dias.”

 

ADRIANO DE SOUZA/ Portugal

ADRIANO DE SOUZA/ CALIFORNIA

Filmagem com Caio Faria no Guarujá para o programa Hidrodinâmica do Canal Off. 


“Me lembro como era legal quando algum amigo chegava com o VHS de algum filme novo. Todo mundo se juntava para ver e, obviamente, juntava os videocassetes para fazer a cópia na hora. Depois disso, ficávamos assistindo centenas de vezes. A gente decorava manobra por manobra, e as trilhas sonoras eram o que mais instigavam, tanto que com 15 anos montei uma banda só para tocar as trilhas dos filmes de surf. Hoje em dia o cara dá uma manobra lá na Austrália e em dois minutos você assiste aqui no Brasil. Isso é irado, mas ao mesmo tempo tudo se esquece e se vai muito rápido. Fazer algo que marque as pessoas hoje virou um desafio brabo. Lembra o ‘Cambito’? Pois é, marcou.”


“Sempre que o Alejo tinha uma folga, ele vinha ao Rio de Janeiro e ficávamos 20 dias consecutivos filmando por todo o tempo. A coisa foi evoluindo tanto que decidimos alugar um apartamento no Rio juntos. Com certeza, isso facilitou muito para que as coisas acontecessem. Hoje em dia os patrocinadores dele contam comigo sempre que precisam de algum material, tanto no Brasil quanto fora do país.”

ALEJO MUNIZ / Living For Today


“Os vídeos que mais consigo destaque são quando tento contar o momento de algum atleta. Aproveito a proximidade que tenho e mostro um lado que não mostraram com detalhes. Como falei, quando você convive com a câmera na mão e o atleta ao seu lado, consegue momentos descontraídos. O cara se acostuma tanto a te ver ali, que até esquece que você está trabalhando e a coisa flui.”

ALEJO MUNIZ / Home

Em Lakey Peak, Indonésia, durante uma filmagem com o Lucas Silveira para uma campanha
do patrocinador dele.