PRAIA LOTADA NO FERIADO PARA VER AS ESTRELAS EM FLORIPA

Gabriel Medina centralizou as atenções da enorme torcida que foi a praia assistir o campeão mundial nesta quarta-feira e o catarinense Yago Dora se destacou batendo todos os recordes do QS 6000 de Santa Catarina

Mais um dia para relembrar o campeonato inesquecível de 1986, com a Praia da Joaquina ficando igualmente lotada com trânsito parado desde a Lagoa da Conceição nesta quarta-feira e muita gente seguindo a pé para assistir a estreia das principais estrelas do Hang Loose Pro Contest 30 Anos em Florianópolis.

Praia lotada para prestigiar o Hang Loose Contest 30 anos. Foto: Smorigo/WSL. 

O campeão Gabriel Medina centralizou as atenções e não decepcionou a torcida, arriscou os aéreos e surfou boas ondas para vencer a bateria que abriu a segunda fase. E o jovem catarinense Mateus Herdy, vencedor da triagem da Associação de Surf da Joaquina (ASJ), confirmou uma dobradinha brasileira sobre o indonesiano Oney Anwar e o sul-africano Slade Prestwich nas direitas e esquerdas de 3-4 pés na Joaquina.

Gabriel Medina decolando na Joaquina. Foto: Smorigo/WSL.

“É uma sensação incrível ter tanto apoio da torcida aqui. O surf não para de crescer, agora temos dois campeões mundiais e um monte de surfistas talentosos, então por isso que vem tanta gente prestigiar. É demais ver tantas pessoas nos assistindo. Eu gosto muito de surfar aqui na Joaquina. Tenho vitórias aqui, na Praia Mole e na Vila (Imbituba), mas o que eu mais gosto é da ‘vibe’ do pessoal aqui. Os fãs são apaixonados pelo esporte e esse campeonato é especial. Meu pai me contou que foi o primeiro campeonato grande no Brasil que trouxe vários nomes de peso, como o Occy e o Tom Carroll, então é muito legal fazer parte dessa história”, disse Medina.

O jovem Mateus Herdy, de apenas 16 anos de idade, também ficou impressionado com a enorme torcida que lotou a praia nesta quarta-feira. “Nunca vi tanta gente em um campeonato aqui na Joaquina. Realmente, o Medina atrai muita gente, porque é claro que todo mundo veio aqui pra ver ele. Para mim, foi uma experiência fenomenal. Toda bateria é difícil, mas quando você está com um campeão mundial, a pressão é muito maior. Então, eu tentei focar no meu surfe e deu tudo certo”, falou Mateus.

Competindo em casa. Mateus Herdy avançou junto com Medina. Foto: Smorigo/WSL.

Se ontem a praia lotou para ver principalmente Gabriel Medina em ação na Praia da Joaquina, hoje os dois campeões mundiais iriam se apresentar em baterias seguidas. Mas o evento foi adiado por causa do vento sul forte e mar em transformação sem condições para o surf.  Adriano de Souza mora em Florianópolis e fecharia a segunda fase no quarto confronto do dia, estreando no Hang Loose Pro Contest 30 Anos contra o taitiano Mihimana Braye, o norte-americano Parker Coffin e o neozelandês Ricardo Christie. E Medina entraria na seguinte, abrindo a última rodada de baterias formadas por quatro competidores, junto com outro top do WCT, Wiggolly Dantas, o também paulista Thiago Camarão e o australiano Soli Bailey.

GARANTIDOS NO WCT 2017 - Wiggolly Dantas passou em segundo lugar no confronto vencido pelo vice-líder do WSL Qualifying Series, Connor O´Leary. O australiano ficou muito perto de conseguir sua vaga na elite no ano passado, mas agora já está garantido entre os top-34 que vão disputar o título mundial de 2017, com os 19.775 pontos que ele já tem no ranking.

Líder do QS, o astraliano Connor O´Leary fez bonito e avançou em Floripa. Foto: Smorigo/WSL.

“Eu acho que todos que correm o circuito procuram conseguir uma consistência nos resultados. No ano passado, eu tive alguns resultados bons, mas nenhuma vitória importante como esse ano (QS 10000 de Ballito na África do Sul). A bateria que venci agora foi difícil. Eu estava com a prioridade (de escolha da próxima onda), mas deixei o Wiggolly pegar aquela onda que tirou um 6,83 e na minha cabeça pensei que, se ele for para o primeiro lugar vou precisar de quatro e pouco. Aí tive a sorte de pegar uma onda boa e tentei surfar o melhor que pude para tirar uma nota alta, então fiquei feliz por conseguir”, contou Connor.

VITÓRIA CATARINENSE - Diferente do australiano, que foi o primeiro a subir os recordes do campeonato na quarta-feira, para nota 8,60 e 15,10 pontos, o número 3 do ranking, Joan Duru, da França, outra novidade já confirmada para o WCT 2017, não achou as ondas na bateria anterior e ficou em último contra três brasileiros. Na briga pelas duas vagas para a terceira fase, o catarinense Luan Wood e o paulista Thiago Camarão deixaram o capixaba Krystian Kymerson em 33.o lugar na competição

Luan Wood foi mais um surfista da casa que avançou no campeonato. Foto: Smorigo/WSL.

“É um prazer imenso competir em casa. Sou catarinense de Floripa mesmo, então tenho uma torcida grande aqui. Fico muito orgulhoso de estar representando a minha cidade e espero continuar vencendo as baterias. As condições do mar estão parecidas com as de ontem (terça-feira), tem boas ondas e estou feliz por ter passado em primeiro na bateria”, falou Luan Wood, que conquistou a primeira vitória catarinense na quarta-feira.

TOPS DA ELITE - Além de Medina, outra estrela do WCT que brilhou no dia de ontem de praia lotada na Joaquina foi o mais jovem integrante da elite, Kanoa Igarashi, 19 anos. O norte-americano mostrou um surfe moderno para fazer novos recordes no QS 6000 de Florianópolis. A melhor onda foi a última que ele surfou e valeu nota 8,83, para totalizar 15,93 pontos. Dois brasileiros ficaram disputando a segunda vaga da bateria e o paulista Victor Bernardo superou o local da Joaquina, Ronaldo Silveira, por 10,34 a 8,64 pontos.

Kanoa Igarashi achou boas ondas e se garantiu no Round 3. Foto: Smorigo/WSL.

“Estou muito feliz por estar no Brasil de novo. Eu gosto muito de competir aqui, as pessoas são bem animadas e tem o melhor açaí do mundo. Estou com um grupo de apoio que está me ajudando muito, como o Jake Paterson, Stephen Bell, Tom Whitaker, além dos meus parceiros de surfe. Como sou muito jovem, é muito legal receber tanta informação de pessoas tão experientes”, “, disse Kanoa, que no ano passado venceu uma etapa do QS 6000 na Bahia, resultado que garantiu sua classificação para o WCT 2016.

Além de Gabriel Medina, Wiggolly Dantas e Kanoa Igarashi, outros tops da elite mundial da World Surf League que avançaram para a terceira fase do evento nesta quarta-feira foram os brasileiros Miguel Pupo, Jadson André, Alejo Muniz e Alex Ribeiro, os australianos Jack Freestone e Davey Cathels e o havaiano Keanu Asing, campeão do WCT da França esse ano batendo Medina na final. Apenas dois ainda não estrearam no QS 6000 de Santa Catarina, o australiano Ryan Callinan e o atual campeão mundial Adriano de Souza.

Multidão acompanha Gabriel Medina na Joaquina. Foto: Smorigo/WSL.

VAGAS NO G-10 - Na quarta-feira também competiram a maioria dos surfistas que estão na briga direta pelas dez vagas do Qualifying Series para a elite dos top-34 da World Surf League. A expectativa era maior para os brasileiros que estão no G-10 no momento. O primeiro a entrar no mar foi Jessé Mendes, que ocupa a última posição na lista e se classificou em segundo lugar na bateria vencida pelo australiano Mitch Crews.

Depois, o quinto do ranking, Ian Gouveia, da equipe Hang Loose, também passou em segundo, mas foi no sufoco, graças a uma interferência de remada do francês Jorgann Couzinet, da Ilha Reunião, no minuto final da bateria. Ele então caiu para último e o pernambucano Ian Gouveia ganhou a segunda vaga de presente em outra vitória australiana, de Mitch Coleborn.

Ian Gouveia sofreu uma interferência nos últimos segundos de bateria e passou em segundo lugar. Foto: Smorigo/WSL.

“Eu fiquei bem calmo no final da bateria. Eu sabia que só teria uma oportunidade pra conseguir a nota e entrou um monte de ondas, mas acabei pegando uma errada e ainda bem que o Jorgann  fez um erro e avancei em segundo lugar. Hoje (quarta-feira) foi um dia incrível e ver tanta gente nos apoiando. Normalmente, a gente viaja pelo mundo inteiro e é muito bom competir em casa, junto com a família e amigos. É um campeonato importante e se eu conseguir me classificar para o WCT aqui será incrível para mim e para o meu patrocinador também”, contou Ian Gouveia.

A bateria do número 6 do QS, Bino Lopes, começou em seguida e também foi decidida no último minuto. O baiano também estava perdendo, mas conseguiu uma segunda nota na casa dos 7 pontos massacrando uma onda com várias manobras para pular do terceiro para o primeiro lugar. Com isso, o francês Tristan Guilbaud passou em segundo e o neozelandês Billy Stairmand acabou eliminado junto com o paulista Flavio Nakagima, que estava na briga pelo título de campeão sul-americano da WSL South America.

Na briga por uma vaga no WCT, Bino Lopes pegou boas ondas para passar sua bateria. Foto: Smorigo/WSL.

“Rapaz, pressão é uma coisa que a gente sente em todo campeonato, mas aqui foi demais. E não é porque estou perto da classificação (para o WCT) que estou sentindo mais pressão. Eu sempre entro em todos os campeonatos para vencer, sem me preocupar se vou ganhar ou não, então só foco na minha bateria e no que preciso fazer. Eu me sinto muito bem aqui, já competi muitas vezes na Joaca, tenho vários amigos em Floripa e isso me dá uma força extra para me dar bem no campeonato. Espero que dê tudo certo nos próximos dias”, disse Bino.

RECORDISTA ABSOLUTO - A programação era realizar vinte baterias nesta quarta-feira, como no primeiro dia. No entanto, as condições do mar estavam boas, com esquerdas e direitas abrindo as paredes para várias manobras na Praia da Joaquina, que foi decidido realizar mais quatro. E logo na primeira delas, o catarinense Yago Dora pegou uma direita da série para executar uma série de batidas e rasgadas e ainda completou um aéreo incrível para ganhar a maior nota na Joaquina, 9,0. Depois, ainda conseguiu um 7,83 para se tornar o recordista absoluto do Hang Loose Pro Contest 30 Anos com 16,83 pontos de 20 possíveis. O potiguar Jadson André da elite do CT passou em segundo, eliminando o taitiano Mateia Hiquily e o australiano Kalani Ball.

Yago Dora roubou a cena na Joaquina com a melhor nota do evento. Foto: Smorigo/WSL.

“A onda (da nota 9,0) nem parecia muito boa quando entrei nela, mas ela ficou mais vertical no inside e decidi arriscar um aéreo, depois emparedou de novo e conseguir fazer mais umas batidas forte pra finalizar. Depois de viajar pelo mundo inteiro durante o ano, não tem nada melhor do que competir em casa, junto com todos os amigos e família. Está todo mundo se divertindo aqui e espero conseguir um bom resultado para subir mais no ranking”, contou Yago  que ocupa a 26.a posição no QS e pode entrar no G-10 com um bom resultado no Brasil.

TERCEIRA FASE DO HANG LOOSE PRO CONTEST 30 ANOS – baterias já formadas
—————3.o=25.o lugar (US$ 1.300 e 700 pontos) / 4.o=37.o lugar (US$ 1.200 e 650 pts):

1.a: Gabriel Medina (BRA), Wiggolly Dantas (BRA), Soli Bailey (AUS), Thiago Camarão (BRA)
2.a: Connor O´Leary (AUS), Marco Giorgi (URU), Luan Wood (BRA), Mateus Herdy (BRA)
3.a: Kanoa Igarashi (EUA), Jack Freestone (AUS), Hizunomê Bettero (BRA), Ramzi Boukhiam (MAR),
4.a: Tomas Hermes (BRA), Victor Bernardo (BRA), Willian Cardoso (BRA), Shun Murakami (JPN)
5.a: Alejo Muniz (BRA), Tanner Gudauskas (EUA), Mitch Crews (AUS), Noe Mar McGonagle (CRI)
6.a: Keanu Asing (HAW), Jessé Mendes (BRA), Nomme Mignot (FRA), Griffin Colapinto (EUA)
7.a: Mitch Coleborn (AUS), Hiroto Ohhara (JPN), Luel Felipe (BRA), Tristan Guilbaud (FRA)
8.a: Miguel Pupo (BRA), Ian Gouveia (BRA), Bino Lopes (BRA), Alex Ribeiro (BRA)
9.a: Deivid Silva (BRA), Michael Rodrigues (BRA), Yago Dora (BRA), Thiago Guimarães (BRA)
10.a: Jadson André (BRA), Davey Cathels (AUS), Santiago Muniz (ARG), Charly Quivront (FRA)

Praia lotada na Joaca. Foto: Smorigo/WSL.

SEGUNDA FASE – 3.o=49.o lugar (US$ 550 e 400 pts) / 4.o=73.o lugar (US$ 450 e 370 pts)

1.a: 1-Gabriel Medina (BRA), 2-Mateus Herdy (BRA), 3-Oney Anwar (IDN), 4-Slade Prestwich (AFR)
2.a: 1-Soli Bailey (AUS), 2-Marco Giorgi (URU), 3-Patrick Gudauskas (EUA), 4-Tomas Fernandes (PRT)
3.a: 1-Luan Wood (BRA), 2-Thiago Camarão (BRA), 3-Krystian Kymerson (BRA), 4-Joan Duru (FRA)
4.a: 1-Connor O´Leary (AUS), 2-Wiggolly Dantas (BRA), 3-Wesley Santos (BRA), 4-Marc Lacomare (FRA)
5.a: 1-Kanoa Igarashi (EUA), 2-Victor Bernardo (BRA), 3-Ronaldo Silveira (BRA), 4-Vicente Romero (ESP)
6.a: 1-Hizunomê Bettero (BRA), 2-Tomas Hermes (BRA), 3-Yage Araujo (BRA), 4-Gabriel Villaran (PER)
7.a: 1-Shun Murakami (JPN), 2-Ramzi Boukhiam (MAR), 3-Kaito Ohashi (JPN), 4-Evan Geiselman (EUA)
8.a: 1-Willian Cardoso (BRA), 2-Jack Freestone (AUS), 3-Messias Felix (BRA), 4-Joshua Moniz (HAV)
9.a: 1-Alejo Muniz (BRA), 2-Nomme Mignot (FRA), 3-Michael February (AFR), 4-Miguel Tudela (PER)
10: 1-Mitch Crews (AUS), 2-Jessé Mendes (BRA), 3-Jacob Willcox (AUS), 4-Nelson Cloarec (FRA)
11: 1-Griffin Colapinto (EUA), 2-Tanner Gudauskas (EUA), 3-Dion Atkinson (AUS), 4-Yuri Gonçalves (BRA)
12: 1-Keanu Asing (HAW), 2-Noe Mar McGonagle (CRI), 3-Lucas Silveira (BRA), 4-Colt Ward (EUA)
13: 1-Hiroto Ohhara (JPN), 2-Miguel Pupo (BRA), 3-Torrey Meister (HAW), 4-Tales Araujo (BRA)
14: 1-Mitch Coleborn (AUS), 2-Ian Gouveia (BRA), 3-Alonso Correa (PER), 4-Jorgann Couzinet (REU)
15: 1-Bino Lopes (BRA), 2-Tristan Guilbaud (FRA), 3-Billy Stairmand (NZL), 4-Flavio Nakagima (BRA)
16: 1-Alex Ribeiro (BRA), 2-Luel Felipe (BRA), 3-Marco Fernandez (BRA), 4-Brett Simpson (EUA)
17: 1-Yago Dora (BRA), 2-Jadson André (BRA), 3-Kalani Ball (AUS), 4-Mateia Hiquily (TAH)
18: 1-Michael Rodrigues (BRA), 2-Charly Quivront (FRA), 3-Dimitri Ouvre (BLM), 4-Paul Cesar Distinguin (FRA)
19: 1-Santiago Muniz (ARG), 2-Deivid Silva (BRA), 3-Vasco Ribeiro (PRT), 4-José Ferreira (PRT)
20: 1-Davey Cathels (AUS), 2-Thiago Guimarães (BRA), 3-Renato Galvão (BRA), 4-Gony Zubizarreta (ESP)
———baterias que restam no Round 2:
21: Ryan Callinan (AUS), Heitor Alves (BRA), Tomas Tudela (PER), Juninho Urcia (PER)
22: Ezekiel Lau (HAV), Frederico Morais (PRT), Jean da Silva (BRA), Samuel Pupo (BRA)
23: Maxime Huscenot (FRA), Cooper Chapman (AUS), Gabriel André (BRA), Shane Campbell (AUS)
24: Adriano de Souza (BRA), Mihimana Braye (TAH), Parker Coffin (EUA), Ricardo Christie (NZL)