A PURA VIDA DOS BOUILLONS

Já imaginou como seria ter um cantinho na Costa Rica para você e a sua família desfrutarem de todo o potencial do lugar? Vamos além… E se o seu pai fosse um shaper e desenvolvesse um foguete na medida para você? Os Bouillons arriscaram e hoje vivem um sonho de qualquer família do surf. Entre as ondas perfeitas e um sítio localizado no coração da América, o laços familiares se estreitam ainda mais quando eles partem para mais uma trip juntos.

Por Rômulo Quadra – Fotos: Arquivo Pessoal/ KC Rossi/ Bob Stonefish

DO RECREIO PARA A COSTA RICA

Mi vista chegando em Pavo

Atmosfera “Pura Vida”.

O shaper carioca Jean Noel foi o primeiro a visitar a Costa Rica no ano de 1990. Desde então, ele se apaixonou pelo lugar. Lá teve a oportunidade de vender muitas pranchas e até comprar um terreno em Playa Negra. Entre idas e vindas, Jean e sua esposa, Márcia des Bouillons, já chegaram a passar seis meses consecutivos no país, onde gastam tempo entre o cultivo de árvores frutíferas e, claro, algumas horas diárias na prática do surf.

Com raízes no Recreio dos Bandeirantes, a família Bouillons tem o surf na veia e sempre que possível programam uma surf trip. Isabelle e Jean, os filhos mais velhos do casal, já tiveram o gostinho de curtir o país a sós com os pais, mas agora foi a vez da filha caçula Michelle“Foi uma experiência maravilhosa! Me senti pela primeira vez como filha única! Fazer um surf todos os dias com meu pai e minha mãe é um privilégio. Isso sem falar das ondas e de ser um lugar com uma beleza única”, contou  a jovem de 24 anos. Michelle foi a que teve mais sorte entre os irmãos na carreira como surfista. Ela foi tricampeã carioca amadora e hoje participa do programa “Por Elas” do Canal OFF.

Terreno JN

No terreno da família.

Jean, Márcia e Michelle desembarcaram em San José, capital do país. Com o destino traçado para Playa Negra, local do sítio da família que fica a 320 km do aeroporto, eles optaram por alugar um carro. Depois de cinco horas de estrada, Playa Negra quebrava de gala, com ondas de 6 a 8 pés, para alegria da família. “Deu muita onda boa! A Michelle está em um ritmo de surf espetacular, talvez um dos melhores da vida dela”, disse o pai coruja. Da sua vida como surfista, a jovem sabe que deve muito ao pai. A experiência passada diariamente e o respeito conquistado por ele no universo do surf lhe abriram portas.  “Meu pai é muito conhecido na Costa Rica. Sem dúvidas, o fato de ser filha dele faz com que os locais me vejam com bons olhos. Eles sempre me liberavam umas boas da série. O respeito existia tanto dentro como fora d’água. Sou muito sortuda de ter um pai shaper. Vejo todo o carinho que ele tem ao fazer as minhas pranchas. Como surfista, eu diria que ganhei na loteria!”, falou Michelle.

Rio mich reflo lo res

Rio Pavones.

A atmosfera “Pura Vida” da Costa Rica, expressão muito usada pelo povo costa-riquenho que indica um estado de espírito cheio de energia, contaminou até a dona Márcia, que no Rio de Janeiro possui uma rotina diferente dos demais Bouillons.  “Acordávamos entre cinco e seis horas da manhã para checar as condições do mar, tomávamos o café e íamos direto para a praia. Minha mãe não compartilha essa rotina de surf diário, mas lá ela nos acompanhava todos os dias dentro d’água com sua Fun”, contou Michelle.

Depois de curtirem duas semanas de altas ondas em Playa Negra e praias próximas, como Juquillal, a família decidiu ir em busca de um bom swell que chegava em Pavones. Uma viagem que leva cerca de oito a dez horas por estradas nem sempre confiáveis. Por se tratar de um país essencialmente rural, os obstáculos durante o deslocamento são constantes. “As estradas principais têm muito trânsito de caminhão e aí perdem-se horas, tendo que pacientemente esperar, não tem o que fazer. Nas pequenas, os contratempos são as boiadas e quando chove você pode pegar uma enchente. É comum passar por dentro de rios nas estradas costa-riquenhas”, relatou o Jean Noel.


Família fissurada não perde tempo:

Para não perder um dia sequer de surf, antes de pegar a estrada, bem cedinho, os fissurados aproveitaram umas ondinhas no quintal de casa e seguiram até Jacó, que fica na metade do caminho. Lá, fizeram um “fim de tarde” e dormiram para seguir viagem. Acordaram às cinco horas da matina e às dez horas estavam em Pavones surfando.


FAMÍLIA LIGADA CELULAR DESLIGADO

Jean e Marcia  PN por do Sol

Fim de tarde em Pavones.

Em uma época que os smartphones e as redes sociais consomem cada vez mais o tempo das pessoas, uma surf trip se torna uma boa oportunidade de estreitar o convívio e troca de experiências familiares. Michelle soube aproveitar muito bem essa chance, que certamente será lembrada para o resto da sua vida. Com a família, me preocupo sempre em deixar as melhores ondas para os meus pais. A fase do puxão de orelha passou, era apenas quando eu competia, agora o importante é que eu esteja dentro d’água me divertindo. Poder sair de casa para fazer um surf todos os dias com meu pai e minha mãe é um privilegio para poucos e eu sou muito grata por isso. A interação foi ótima, revezávamos na hora de fazer as refeições e trabalhamos juntos no nosso terreno. É claro que, como toda família, tínhamos umas horas de discussões, faz parte. Mas isso foi o de menos diante de tanta coisa legal que rolou. Eu admiro muito o meu pai por ser esse grande surfista de corpo e alma, que procura me passar sempre suas melhores experiências e ter proporcionado esse estilo de vida para a nossa família!”, falou Michelle.